É um psitacídeo de porte médio, de corpo esguio e cauda longa, medindo aproximadamente 32 a 34 cm de comprimento total, incluindo as penas caudais. A plumagem é predominantemente verde-viva, embora a intensidade da coloração varie conforme a idade, o desgaste das penas e as condições de iluminação. Uma de suas características mais marcantes é o anel periocular branco e sem penas, que deu origem ao nome científico Psittacara leucophthalmus, cujo significado faz referência aos seus “olhos brancos”. A testa e a maior parte da cabeça apresentam coloração verde, enquanto muitos indivíduos adultos desenvolvem pequenas penas vermelhas dispersas na cabeça e no pescoço. Também são comuns manchas avermelhadas ou alaranjadas na dobra da asa e nas pequenas coberteiras alares, cuja extensão varia entre os indivíduos. As penas de voo exibem reflexos azulados, especialmente perceptíveis durante o voo. O bico é robusto, de coloração marfim ou cinza-clara, perfeitamente adaptado para quebrar frutos e sementes de casca dura. As pernas são acinzentadas e os dedos apresentam disposição zigodáctila, característica típica dos papagaios, permitindo escalar com grande habilidade e manipular os alimentos com precisão. Machos e fêmeas possuem aparência praticamente idêntica, sem dimorfismo sexual evidente, enquanto os jovens apresentam plumagem mais uniforme, geralmente sem as manchas vermelhas observadas nos adultos.
Distribuição geográfica: Ocorre em uma ampla região da América do Sul, abrangendo o leste e sudeste do Brasil, o leste da Bolívia, o Paraguai, o Uruguai, o norte e nordeste da Argentina e, conforme a classificação taxonômica adotada, também partes das Guianas e áreas vizinhas. No Brasil está presente em grande parte das regiões Sudeste, Centro-Oeste, Sul e em diversos setores do Nordeste, sendo comum em muitos estados. Sua ampla distribuição demonstra uma notável capacidade de adaptação ecológica, permitindo que ocupe diferentes condições climáticas e tipos de vegetação. Em diversas localidades expandiu sua presença para áreas urbanas e periurbanas, aproveitando árvores ornamentais, parques, praças e jardins como locais de alimentação, descanso e reprodução. Algumas populações permanecem residentes durante todo o ano, enquanto outras realizam deslocamentos locais acompanhando a disponibilidade sazonal de frutos e sementes.
Ambiente: Habita uma grande variedade de ambientes, incluindo florestas tropicais e subtropicais, matas estacionais, cerrados arborizados, matas ciliares, palmeirais, capoeiras e áreas de vegetação secundária. Também utiliza ambientes modificados pelo ser humano, como parques urbanos, praças, jardins, chácaras, pomares, plantações e áreas rurais com árvores isoladas. Geralmente prefere locais com árvores de grande porte, que oferecem cavidades para nidificação, poleiros seguros e proteção contra predadores. Sua elevada tolerância à presença humana fez com que se tornasse uma espécie comum em muitas cidades brasileiras, utilizando tanto árvores nativas quanto exóticas como fonte de alimento e abrigo. Essa flexibilidade ecológica representa um dos principais fatores responsáveis pelo sucesso da espécie em paisagens alteradas.
Alimentação: Possui uma alimentação predominantemente herbívora e bastante diversificada, composta principalmente por frutos, sementes, flores, brotos, folhas jovens e, ocasionalmente, néctar. Explora uma ampla variedade de espécies vegetais nativas e introduzidas, modificando sua dieta de acordo com a disponibilidade sazonal dos recursos. O bico forte permite romper frutos resistentes e acessar sementes protegidas por cascas espessas. Em áreas agrícolas também pode consumir culturas como milho, sorgo e diferentes frutas cultivadas, ocasionando eventualmente conflitos com produtores rurais. Durante a alimentação, costuma segurar o alimento com um dos pés enquanto o leva ao bico, demonstrando a grande destreza característica dos psitacídeos. Além de consumir sementes, exerce importante papel na dispersão de diversas espécies vegetais, contribuindo para os processos naturais de regeneração das florestas.
Comportamento: É uma espécie altamente sociável e gregária, normalmente observada aos pares, em grupos familiares ou em bandos de tamanhos variados, que podem reunir dezenas ou até centenas de indivíduos nos dormitórios comunais. O voo é rápido, direto e vigoroso, acompanhado por vocalizações intensas e estridentes que permitem manter o contato entre os membros do grupo durante os deslocamentos. Seu repertório vocal inclui chamados agudos utilizados na comunicação, na manutenção da coesão social e na emissão de alertas diante de possíveis ameaças. Grande parte do dia é dedicada à procura de alimento, alternando momentos de descanso e de limpeza mútua das penas, comportamento que fortalece os vínculos entre os indivíduos. Sua elevada inteligência, excelente memória espacial e capacidade de aprendizado favorecem a localização de recursos alimentares distribuídos por extensas áreas e permitem rápida adaptação às mudanças ambientais.
Nidificação: A reprodução ocorre principalmente durante a primavera e o verão, embora o período exato varie conforme a região e as condições climáticas. Nidifica preferencialmente em cavidades naturais de árvores, mas também utiliza ocos abandonados por pica-paus, troncos mortos e, ocasionalmente, estruturas artificiais disponíveis. O casal mantém forte vínculo durante a estação reprodutiva, e ambos os adultos participam dos cuidados com a prole. A postura normalmente é composta por três a cinco ovos brancos. A incubação dura aproximadamente três a quatro semanas e é realizada principalmente pela fêmea, enquanto o macho fornece alimento e ajuda na defesa da área ao redor do ninho. Após a eclosão, ambos os pais alimentam os filhotes por regurgitação. Os jovens permanecem no interior da cavidade por várias semanas antes de emplumarem completamente e continuam dependentes dos adultos durante certo período após deixarem o ninho, aperfeiçoando gradualmente o voo e as técnicas de alimentação.
Categoria de conservação: Em nível mundial encontra-se classificada como Pouco Preocupante (Least Concern – LC) em razão de sua ampla distribuição geográfica, população numerosa e ausência de evidências de declínios suficientemente rápidos para justificar uma categoria de maior ameaça. Entretanto, algumas populações locais sofrem impactos decorrentes da perda e fragmentação dos habitats naturais, da remoção de árvores maduras com cavidades adequadas para nidificação, da captura ilegal destinada ao comércio de animais silvestres e de conflitos relacionados aos danos causados em cultivos agrícolas. A conservação de florestas nativas, árvores antigas e corredores ecológicos é fundamental para garantir locais adequados para alimentação e reprodução. Da mesma forma, o combate ao tráfico de fauna e a adoção de práticas de manejo compatíveis com a conservação da biodiversidade contribuem para manter populações saudáveis dessa espécie, que desempenha um importante papel ecológico na dispersão de sementes e na manutenção da dinâmica natural dos ecossistemas florestais.
Autor desta compilação: EcoRegistros – 02/07/2026