Apresenta uma silhueta delgada e uma morfologia perfeitamente adaptada à caça em áreas abertas. Esta coruja de médio porte possui um comprimento corporal de 34 a 43 centímetros, uma envergadura que varia de 85 a 110 centímetros e um peso que oscila entre 206 e 475 gramas, apresentando um leve dimorfismo sexual no qual as fêmeas são ligeiramente maiores e mais pesadas. Sua plumagem dorsal exibe um padrão estriado de tons de marrom, bege e cor de areia, proporcionando uma camuflagem perfeita no solo, enquanto o ventre é mais claro com listras verticais escuras e bem marcadas. O disco facial é de cor branco-acinzentada com característicos anéis pretos ao redor de seus expressivos olhos amarelos, apresentando também dois pequenos tufos de penas na cabeça que funcionam como "orelhas", embora sejam tão curtos que raramente são visíveis, exceto quando a ave se sente ameaçada.
Distribuição geográfica: Detém uma das distribuições geográficas mais cosmopolitas entre as aves de rapina, ocorrendo em praticamente todos os continentes, com exceção da Antártida e da Austrália. Reproduz-se amplamente nas regiões temperadas e subárticas da América do Norte e Eurasia, além de possuir populações residentes na América do Sul, habitando os Andes, o Cone Sul e arquipélagos isolados como as ilhas Galápagos e o Havaí. As populações que habitam o hemisfério norte realizam migrações sazonais de longa distância, deslocando-se para o sul durante o inverno em direção à América Central, norte da África e sul da Ásia, exibindo um forte comportamento nômade associado à abundância de alimento.
Ambiente: Demonstra uma preferência estrita por biomas abertos e planos, onde a vegetação arbórea é escassa ou inexistente. É encontrada com frequência em campos nativos, estepes, tundras, turfeiras, pântanos salgados e várzeas de água doce. Ocupa também áreas agrícolas em pousio, pastagens cultivadas e dunas costeiras, necessitando de extensas planícies cobertas por vegetação herbácea de altura média que ofereça abrigo para seus nidos e permita uma linha de visão desimpedida para rastrear suas presas.
Alimentação: Atua como um predador altamente especializado, focando sua atividade alimentar no consumo de pequenos mamíferos. Os roedores microtíneos, especialmente os arganazes e camundongos do campo, constituem a base de sua dieta, embora possa consumir musaranhos, morcegos, pequenos coelhos e aves passeriformes em menor proporção. Utiliza a tática de caça em voo baixo e planado, patrulhando o terreno a poucos metros do solo em movimentos silenciosos, utilizando sua audição assimétrica extremamente desenvolvida para detectar o menor ruído de presas sob a vegetação densa.
Comportamento: Diferencia-se de grande parte dos membros de sua ordem por possuir hábitos parcialmente diurnos e crepusculares, sendo frequentemente avistada em atividade ativa durante a tarde e ao amanhecer. Seu voo é caracteristicamente flutuante e irregular, assemelhando-se ao bater de asas de uma borboleta. Durante o período não reprodutivo, adota um comportamento gregário incomum para rapinantes, agrupando-se em poleiros comunais que podem reunir dezenas de indivíduos em áreas ricas em alimentos; no período de acasalamento, os machos realizam exibições aéreas acrobáticas que incluem mergulhos verticais e sonoros estalos de asas sob o corpo.
Nidificação: Configura-se como uma das raras exceções entre as corujas ao construir seu próprio ninho diretamente sobre o solo. A fêmea escolhe uma depressão rasa na terra, protegida por vegetação alta ou arbustos baixos, forrando o espaço com grama seca, gravetos e plumas macias retiradas de seu próprio peito. O tamanho da ninhada é extremamente variável e depende da disponibilidade de alimento, contendo geralmente de 4 a 9 ovos brancos, podendo atingir até 14 ovos em anos de superpopulação de roedores. A incubação é realizada exclusivamente pela fêmea por um período de 21 a 29 dias, iniciando-se logo após a postura do primeiro ovo, o que resulta em um nascimento assíncrono dos filhotes.
Categoria de conservação: Está classificada globalmente como Pouco preocupante (LC) na Lista Vermelha da IUCN devido à sua imensa área de ocorrência global. Contudo, em termos regionais, diversas populações enfrentam declínios severos devido à perda, degradação e fragmentação de áreas abertas provocadas pelo avanço da agricultura intensiva, reflorestamentos homogêneos e urbanização. Sendo uma espécie que nidifica no solo, é altamente vulnerável a predadores terrestres, maquinários agrícolas, além do envenenamento secundário por raticidas e colisões com turbinas eólicas e linhas de transmissão de energia.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 11/07/2026