Trata-se de uma espécie de odonato de porte médio a grande, apresentando um notável dimorfismo sexual. Os machos adultos de Orthemis nodiplaga exibem uma coloração vermelha brilhante ou magenta-avermelhada muito chamativa no abdômen e no tórax, que se torna mais intensa com a idade devido ao acúmulo de pruína. Seus olhos compostos são de coloração castanho-avermelhada escura. As asas são predominantemente hialinas, mas possuem uma mancha característica de cor castanho-escura ou enegrecida na base das asas posteriores, próxima ao nodo, o que serve como um importante caráter diagnóstico. As fêmeas e os indivíduos imaturos são muito mais discretos, exibindo tons de marrom-amarelado ou ocre e listras longitudinais claras no tórax. A envergadura das asas dos adultos varia entre 70 e 80 milímetros, enquanto o comprimento corporal atinge cerca de 45 a 52 milímetros.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída no Cone Sul da América do Sul. Sua presença está consolidada em países como a Argentina, ocorrendo desde as províncias do norte até a região dos Pampas, além de abranger todo o território do Uruguai, o sul do Brasil e várias regiões de baixa altitude no Paraguai. É uma das libélulas mais comuns e facilmente observadas em sua área de ocorrência.
Ambiente: Habita preferencialmente corpos de água doce lênticos, como lagoas permanentes, poças temporárias, pântanos, valas de drenagem e margens calmas de rios. Demonstra grande plasticidade ecológica, colonizando frequentemente ambientes modificados pela ação humana, incluindo represas artificiais, tanques de piscicultura, lagos urbanos e cavas inundadas, desde que haja vegetação palustre emergente disponível.
Alimentação: Apresenta hábitos estritamente carnívoros em todas as fases do seu ciclo de vida. Os adultos são predadores aéreos formidáveis que capturam suas presas em pleno voo, consumindo grandes volumes de insetos voadores, tais como mosquitos, moscas, mariposas e outros odonatos menores. Já as ninfas aquáticas utilizam uma máscara labial retrátil para capturar por emboscada larvas de insetos, microcrustáceos, girinos e pequenos alevinos de peixes.
Comportamento: Demonstra hábitos fortemente heliófilos, concentrando sua atividade nos períodos de maior radiação solar. Os machos são extremamente territoriais e agressivos, estabelecendo poleiros estratégicos em galhos secos, juncos ou cercas próximas à água, de onde vigiam ativamente sua área. Realizam voos rápidos, ágeis e curtos para afastar invasores e capturar presas, retornando repetidamente ao mesmo ponto de vigia.
Reprodução: O processo reprodutivo inicia-se com o acasalamento em voo, formando uma estrutura em tandem que culmina na cópula realizada no ar ou sobre a vegetação circundante. A oviposição é do tipo exofítica; a fêmea voa rente à lâmina d´água, tocando repetidamente o abdômen na superfície para liberar os ovos, enquanto o macho realiza voos de guarda ao seu redor para afastar outros machos. Os ovos eclodem na água, iniciando a fase de ninfa aquática, que passa por diversas ecdises ao longo de meses antes da emergência para a metamorfose final.
Categoria de conservação: Está classificada como Pouco preocupante (LC) na Lista Vermelha da IUCN. Essa classificação justifica-se por sua ampla distribuição geográfica, populações estáveis e excelente capacidade de adaptação a ambientes aquáticos degradados ou artificiais.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 10/09/2026