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Eleothreptus candicans

Eleothreptus candicans

(Pelzeln, A, 1867)
Atajacaminos Ala Blanca
White-winged Nightjar

Família: Caprimulgidae
Ordem: Caprimulgiformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Sinônimos: Stenopsis candicans.





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Estado de conservação de acordo BirdLife International: Vulnerável


Descrição


O bacurau-de-rabo-branco (nome científico: Hydropsalis candicans) é uma ave caprimulgiforme da família dos caprimulgídeos (Caprimulgidae) ou bacuraus. É monotípico e possui histórico taxonômico complexo, tendo sido alternadamente alocado em gêneros como Thermochalcis e Caprimulgus, além de já ter sido interpretado como próximo de espécies hoje distribuídas em Hydropsalis, Systellura e Uropsalis. Estudos morfológicos e moleculares mais recentes indicam afinidades com o curiango-do-banhado (E. anomalus), o que levou a propostas de inclusão em Eleothreptus, embora ainda haja divergência taxonômica entre diferentes classificações, com parte das fontes mantendo o táxon em Hydropsalis.

A espécie apresenta 19 a 23 centímetros de comprimento e massa de 46 a 51 gramas nos machos, com dimorfismo sexual evidente. A plumagem é predominantemente críptica, em tons marrom-acinzentados com barrados e manchas, especialmente nas partes superiores, enquanto as partes inferiores variam de padrões mais claros a áreas brancas no macho. Em voo, este apresenta asas e cauda amplamente brancas, contrastando com a fêmea, que não exibe branco na plumagem e possui coloração mais amarelada e padrão mais discreto; juvenis e subadultos apresentam combinações intermediárias até a aquisição da plumagem adulta.

O bacurau-de-rabo-branco ocorre em paisagens abertas do Cerrado e formações associadas, incluindo pastagens com árvores esparsas, savanas secas e áreas em regeneração após incêndios, geralmente evitando gramíneas altas. Sua distribuição é fragmentada entre Bolívia, Brasil e Paraguai, com concentração importante no Parque Nacional das Emas. A espécie alimenta-se principalmente de insetos, forrageando próximo ao solo em voos lentos e intercalados por planeios. Apresenta comportamento vocal e reprodutivo complexo, com machos defendendo territórios em arenas de exibição, onde realizam displays aéreos e emitem vocalizações características associadas à comunicação territorial e ao cortejo.

Etimologia: O nome popular bacurau deriva do tupi *waku´rawa, possivelmente de origem onomatopaica, com sentido definido. As formas históricas registradas incluem bacuráo (1863), bacurau (1900) e acurau (1911). O nome genérico Hydropsalis deriva do grego, sendo formado por hydro- (, hydōr), que significa "água", e psalis (, psalís), termo associado a "tesoura" ou "par de tesouras". O epíteto específico candicans tem origem no latim candicans, particípio presente de candicāre, que significa "tornar-se branco" ou "ser esbranquiçado", sendo interpretado como "esbranquiçado" ou "branco-esbranquiçado".

Taxonomia e sistemática: O bacurau-de-rabo-branco é monotípico. Ele, o bacurau-da-telha (H. longirostris) e o bacurau-de-cauda-branca (H. cayennensis) foram anteriormente incluídos em um gênero separado, Thermochalcis, posteriormente sinonimizado com Caprimulgus por Peters (1940). Embora anteriormente se considerasse que o bacurau-de-cauda-branca estivesse estreitamente relacionado ou formasse uma superspécie com o bacurau-de-rabo-branco (Sibley & Monroe 1990), Cleere (2002) apresentou evidências de que o bacurau-de-rabo-branco deveria ser transferido para o gênero Eleothreptus. Uma proposta ao Comitê Sul-Americano de Classificação (SACC) para essa transferência não foi aprovada. Larsen et al. (2007) encontraram forte suporte genético indicando que o bacurau-de-rabo-branco e o curiango-do-banhado (E. anomalus) são espécies-irmãs, embora inseridas em um clado que inclui também o bacurau-da-telha, o bacurau-de-rabo-maculado (H. maculicaudus), o bacurau-tesoura (Hydropsalis brasiliana) e o noitibó-cauda-de-andorinha (Uropsalis segmentata). Uma proposta subsequente do SACC para ampliar o gênero Hydropsalis também não foi aprovada, mas uma nova proposta acabou sendo aceita, revisando os limites genéricos dos bacuraus e incluindo o bacurau-de-rabo-branco em Eleothreptus. Sigurdsson & Cracraft (2014) expandiram ainda mais Hydropsalis, incluindo Eleothreptus, Systellura e Uropsalis. Por conta dessas alterações, várias fontes tratam o bacurau-de-rabo-branco em Eleothreptus, enquanto outras o reconhecem em Hydropsalis.

 O bacurau-de-rabo-branco tem comprimento entre 19 e 23 centímetros, com massa de 46 a 51 gramas nos machos. Apresenta dimorfismo sexual. As partes superiores e as coberteiras internas das asas são marrom-acinzentadas claras, com padrão salpicado, barrado e estriado em marrom. A região dorsal apresenta manchas negras evidentes, sem colar nucal. As rêmiges externas apresentam padrão contrastante, com áreas brancas e bordas marrons e negras. As escapulares são marrom-acinzentadas com marcações escuras, frequentemente com áreas internas mais claras, em tons bege. Há uma faixa submala ampla e pálida, além de uma fileira de manchas bege na parte inferior da garganta. O peito é marrom-acinzentado, com tonalidades castanhas e fulvas, também barrado e salpicado de marrom, enquanto o restante das partes inferiores é branco. Em voo, o macho apresenta asas predominantemente esbranquiçadas e cauda grande e branca. A fêmea, por sua vez, não apresenta branco na plumagem, possui escapulares mais fortemente marcadas de preto e partes inferiores mais amareladas. A íris é marrom-avermelhada ou castanha; o bico é geralmente preto com base rosada opaca, e as pernas e pés são cinza ou cinza-rosados. A fêmea pode ser confundida com o bacurau-chintã (Setopagis parvula), embora esta apresente padrão mais marcado, garganta mais pálida e manchas claras distintas nas coberteiras das asas. O juvenil foi descrito recentemente e é semelhante ao adulto, porém mais acastanhado e menos acinzentado, sem áreas brancas nas asas e na cauda. Os machos subadultos apresentam redução progressiva do branco nas asas e cauda, com quatro primárias externas exibindo manchas terminais brancas e apenas a mais externa completamente escura, enquanto as demais apresentam barras canela, aproximando-se do padrão adulto.

Distribuição e habitat: a Bolívia, a espécie ocorre na Estação Biológica de Beni, no departamento de Beni. No Brasil, há registros confirmados no estado de Goiás, com destaque para o Parque Nacional das Emas e áreas adjacentes, bem como no Mato Grosso do Sul e em Minas Gerais, na região de Uberaba. No Paraguai oriental, está presente na Reserva da Biosfera Mbaracayú, em Canindeyú, e em Laguna Blanca, no departamento de São Pedro. Registros históricos adicionais indicam ocorrência pretérita nos estados brasileiros de Mato Grosso e São Paulo. O habitat é composto principalmente por pastagens abertas com árvores esparsas, incluindo espécies como Tabebuia caraiba e Anadenanthera spp., além de savanas abertas e secas, cerrados abertos e pastagens com arbustos dispersos. Também ocorre em áreas com presença de palmeiras, cupinzeiros e formigueiros, bem como em pastagens em regeneração após incêndios. A espécie evita áreas com gramíneas altas e, embora ocasionalmente associada à floresta do Chaco, essa ocorrência é considerada improvável. Trata-se de uma espécie tipicamente de planície, registrada desde o nível do mar até aproximadamente 210 metros de altitude. Dentro do bioma Cerrado, a distribuição atual inclui registros em diferentes sistemas hidrográficos, como as sub-bacias do Grande, do Paraguai, do Paranaíba e do Paraná. A área de ocupação (AOO) do bacurau-de-rabo-branco foi estimada em 376 quilômetros quadrados, com base na sobreposição de uma malha de quadrículas de quatro quilômetros quadrados aos pontos de ocorrência conhecidos, contabilizando-se apenas as células com registros confirmados. A espécie apresenta distribuição severamente fragmentada, com mais de 50% da AOO concentrada no Parque Nacional das Emas, isolada das demais localidades por grandes distâncias, sem evidências de fluxo gênico entre subpopulações.

Ecologia: O bacurau-de-rabo-branco apresenta padrões de deslocamento ainda pouco conhecidos, embora haja indícios de comportamento migratório em algumas partes de sua área de distribuição. As populações conhecidas são aparentemente sedentárias, mas podem realizar deslocamentos locais em resposta à ocorrência de incêndios e às alterações temporárias na disponibilidade de habitat decorrentes do fogo. Na dieta, alimenta-se principalmente de insetos, especialmente besouros e mariposas. O forrageamento ocorre próximo ao solo, geralmente entre um e dois metros de altura, em encostas, topos de morros e áreas de cerrado, incluindo locais recentemente queimados. O voo durante a alimentação é tipicamente lento, com frequentes fases de planeio, e os indivíduos também podem capturar presas a partir de poleiros baixos.

Vocalização: O comportamento vocal e de exibição é complexo. Os chamados territoriais dos machos consistem em assobios suaves e ondulantes, transcritos como tshere-she-shew, frequentemente emitidos durante perseguições aéreas. Chamados de alarme incluem assobios semelhantes e vocalizações abruptas como eek. Os machos defendem territórios com cerca de 30 a 60 metros de diâmetro, nos quais realizam exibições em áreas específicas, geralmente em noites de luar sem nuvens, por vezes durante toda a noite em condições favoráveis. Essas arenas de exibição são compostas por um a três locais, cada um situado a pelo menos 10 metros de uma palmeira ou outra árvore pequena, contendo um poleiro vertical desprovido de folhas e, a dois a três metros de distância, um pequeno formigueiro, que se encontra ligeiramente abaixo do poleiro. O agrupamento dessas arenas em encostas elevadas sugere um sistema de acasalamento do tipo lek ou agregações de machos associadas a habitats específicos de reprodução. Durante as exibições, os machos produzem ruídos mecânicos das asas, alguns semelhantes a sons de anfíbios, além de um estalido agudo tk ao pousar, audível a até 200 metros. O voo de exibição, semelhante ao de uma borboleta, enfatiza a plumagem branca e segue um padrão repetitivo entre o poleiro e o formigueiro, com uma subida rápida de cerca de 50 centímetros seguida de descida abrupta de retorno ao poleiro, em ciclos de quatro a seis segundos.

Reprodução: Até recentemente, a reprodução do bacurau-de-rabo-branco era praticamente desconhecida, tendo o primeiro ninho sido documentado apenas em 1997. Em um estudo realizado no leste do Paraguai entre 1998 e 2001, observou-se que as exibições dos machos ocorrem do final de agosto ao início de janeiro, enquanto a postura dos ovos se estende de meados de setembro a meados de novembro. Os ovos são depositados diretamente no solo, frequentemente entre tufos de gramíneas. A ninhada consiste em dois ovos, de coloração bege-creme clara, com manchas e pintas variáveis em marrom-escuro e cinza-lilás. O tamanho médio dos ovos é de 27,7 × 21,0 milímetros (n = 14), com massa de aproximadamente 6,7 gramas logo após a postura (n = 10). O peso dos filhotes ao nascimento é de cerca de 5,2 gramas (n = 4). O sucesso de eclosão foi estimado em 86% (n = 14 ovos). O período de incubação dura cerca de 19 dias, e o período até a saída do ninho é de aproximadamente 19 a 20 dias. Os filhotes apresentam plumagem marrom-escura com manchas discretas em tons marrom-acinzentado e canela, mais densas na região da coroa. As partes inferiores são marrom-acinzentadas mais claras, a íris é marrom-escura e o bico é preto. Seu tempo geracional foi estimado em cinco anos.

Conservação: O bacurau-de-rabo-branco é classificado como vulnerável (VU) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), com população estimada entre 600 e indivíduos maduros distribuídos em uma área total aproximada de quilômetros quadrados. Até recentemente, era tratado como criticamente em perigo (CR) e era conhecido apenas por dois espécimes de museu da década de 1820, ambos provenientes do Brasil, um de Cuiabá, Mato Grosso, e outro do leste de São Paulo, correspondente ao holótipo. Atualmente, a espécie é conhecida de apenas quatro localidades confirmadas, permanecendo legalmente protegida no país. No Brasil, foi considerada não incomum no Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás, durante a década de 1980, sem evidências claras de declínio desde então, embora os registros tenham se tornado relativamente escassos na década de 1990. Estimativas anteriores sugeriam populações elevadas, possivelmente na casa das centenas, mas a ausência de registros recentes e a extensão de habitat adequado introduzem incerteza significativa, ainda que projeções baseadas em densidade indiquem que a população total provavelmente seja inferior a mil indivíduos maduros e possa inclusive ser inferior a 250. Não há estimativas disponíveis para a área recentemente registrada próxima a Uberaba, em Minas Gerais. Modelos de distribuição de espécies aplicados para prever ocorrências adicionais no território brasileiro não produziram resultados consistentes. No Paraguai, a espécie pode ser relativamente comum em Aguará Ñu, na Reserva da Biosfera Mbaracayú, onde foram registrados até 20 pares em habitat adequado entre setembro e dezembro de 1995; estudos subsequentes com marcação e rastreamento por rádio (1997) estimaram uma população entre 40 e 150 indivíduos, equivalentes a aproximadamente 25 a 100 indivíduos maduros. Também ocorre em Laguna Blanca, em São Pedro, onde a população é estimada em pelo menos 30 indivíduos, ou cerca de 20 indivíduos maduros, além de haver previsão de ocorrência no , em Conceição, embora sem registros confirmados. Na Bolívia, um macho capturado na Estação Biológica de Beni em 1987 e um registro posterior em 2003 sugerem a possível existência de uma população local. A tendência populacional global é considerada declinante.

As principais ameaças incluem o pastoreio de gado, a invasão por gramíneas exóticas, regimes inadequados de queimadas e a conversão de habitats naturais para uso agrícola, especialmente para implantação de plantações de eucalipto, expansão de pastagens e cultivo de soja e outras culturas de exportação. Em avaliações nacionais, a espécie foi classificada como em perigo (EN) em 2003 com base nos critérios B1ab(i) e C2a(ii). Posteriormente, foi incluída como ameaçada no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção do Estado de São Paulo em 2014. No mesmo ano, passou a integrar a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (Portaria MMA n.º 444), sendo classificada como vulnerável (VU) pelo critério D2. A avaliação que embasou essa categorização destacou que a única população brasileira então conhecida encontrava-se concentrada no Parque Nacional das Emas, unidade de conservação frequentemente sujeita a grandes incêndios antrópicos capazes de atingir extensas áreas do parque e potencialmente provocar declínio populacional significativo. Em 2018, a espécie foi novamente avaliada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e classificada como em perigo (EN) sob o critério B2ab(ii,iii,iv), passando a integrar o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. A mesma categoria foi adotada em publicações especializadas sobre aves ameaçadas do Brasil. Na atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção publicada em 2022 (Portaria MMA n.º 148), permaneceu classificado como em perigo. A espécie está contemplada no Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves do Cerrado e Pantanal e no Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves Ameaçadas do Bioma Amazônia. As estratégias de conservação dependem fortemente da identificação de novas populações no Brasil, objetivo para o qual levantamentos vêm sendo conduzidos sem sucesso até o momento. No cenário atual, a conservação do bacurau-de-rabo-branco no país depende principalmente da gestão do Parque Nacional das Emas, com ênfase no manejo do fogo, considerado um elemento relevante na história natural da espécie. A manutenção de regimes naturais de incêndio, especialmente aqueles de origem natural como os provocados por raios, tem sido adotada como estratégia de manejo, favorecendo a formação de um mosaico de áreas queimadas e não queimadas que sustenta a heterogeneidade do habitat e as atividades ecológicas da espécie. O Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção também destacou a necessidade de atualizar as informações disponíveis sobre as populações da espécie, seus padrões de deslocamento e os efeitos dos incêndios sobre sua conservação, bem como recomendou a implementação de planos de gestão do fogo capazes de prevenir incêndios de grande escala durante o período reprodutivo.

Fonte: Wikipedia, artigo Eleothreptus candicans. Conteúdo adaptado da Wikipedia, disponível sob a licença CC BY-SA 4.0. Acessado em 17/07/2026.





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128605804/07/2018ParaguaiCanindeyúReserva Natural del Bosque MbaracayúMarcelo Gavensky
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EcoRegistros. 2026. Eleothreptus candicans – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 23/09/2026.