Trata-se do maior cervídeo da América do Sul, destacando-se por seu porte imponente e adaptações anatômicas especializadas para a vida em áreas úmidas. Apresenta altura na cernelha entre 1,10 e 1,30 metros e peso corporal variando de 100 a 150 quilogramas nos indivíduos adultos. Sua pelagem densa exibe uma coloração vermelho-acastanhada brilhante no verão, tornando-se consideravelmente mais escura e opaca nos meses de inverno. As pernas longas e fortes são marcadamente negras na porção inferior, assemelhando-se a meias escuras, cor que também se repete no focinho. As orelhas são proporcionalmente grandes e revestidas internamente por pelos brancos e densos. Os machos ostentam chifres ramificados e pesados, medindo entre 50 e 60 centímetros de comprimento, com bifurcações bem desenvolvidas. Uma de suas características mais notáveis são os cascos longos e amplamente divergentes, conectados por uma membrana interdigital elástica que impede o afundamento do animal em solos lamacentos.
Distribuição geográfica: Ocorre de forma altamente fragmentada no centro e norte da Argentina, no oeste e sul do Brasil, no leste da Bolívia, no sudeste do Peru (restrito às savanas de areia das Pampas del Heath) e em diversas regiões do Paraguai. Historicamente, sua área de ocorrência cobria vastas extensões da bacia do de la Plata e do bioma Cerrado. Atualmente, as atividades humanas limitaram suas populações a áreas úmidas específicas, tendo o Pantanal brasileiro e os Esteros del Iberá na Argentina como seus principais refúgios populacionais.
Ambiente: É uma espécie estritamente associada a ecossistemas límnicos e planícies aluviais. Prefere habitats como pântanos, brejos, lagoas e campos sazonalmente inundáveis, onde a lâmina de água se mantém entre 60 e 80 centímetros de profundidade, facilitando o seu deslocamento. Evita florestas densas de terra firme, utilizando matas de galeria e capões de mata nativa como abrigo térmico contra o calor extremo ou como refúgio contra predadores durante as cheias sazonais.
Alimentação: Sua dieta é exclusivamente herbívora e altamente seletiva, comportando-se como um pastejador-ramoneador de vegetação aquática e semiaquática. Alimenta-se de uma ampla variedade de macrófitas aquáticas, como plantas dos gêneros Nymphaea, Pontederia e Eichhornia, além de brotos macios de gramíneas e ciperáceas presentes nas margens dos corpos d´água. Em períodos de cheias elevadas, consome folhas e ramos tenros de arbustos tolerantes à inundação. Seu trato digestório é adaptado para processar tecidos vegetais com alto teor de água e fibras solúveis de fácil digestão.
Comportamento: Apresenta hábitos majoritariamente crepusculares e noturnos, permanecendo oculto sob a vegetação palustre densa durante as horas mais quentes do dia. Trata-se de um animal essencialmente solitário, embora seja comum observar fêmeas acompanhadas por seus filhotes ou pequenos grupos de dois a cinco indivíduos, que não chegam a formar bandos estruturados. Revela-se um nadador excepcional, cruzando rios largos e profundos com extrema facilidade para escapar de ameaças ou colonizar novas áreas de pastagem. Não estabelece territórios estritos, mas possui áreas de vida bem definidas que se sobrepõem às de outros indivíduos.
Reprodução: O processo reprodutivo deste mamífero não apresenta uma estacionalidade rígida ao longo de sua distribuição, embora ocorra uma concentração de nascimentos durante a estação seca, de outubro a novembro. Após um período de gestação que dura cerca de 270 dias, a fêmea dá à luz a um único filhote. Diferente de outros cervídeos, o recém-nascido possui uma pelagem uniforme, sem manchas brancas. O filhote permanece camuflado entre os juncais e capins altos nos primeiros dias de vida, recebendo visitas periódicas da mãe para a amamentação até o desmame completo, que ocorre por volta dos seis meses de idade.
Categoria de conservação: Encontra-se listado globalmente como Vulnerável (VU) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). As principais ameaças à sobrevivência desta espécie incluem a perda e fragmentação do habitat causadas pela drenagem de áreas úmidas para a agricultura e pecuária intensiva, instalação de usinas hidrelétricas que alteram o pulso de inundação natural, caça ilegal e transmissão de patógenos por ungulados domésticos.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 19/08/2026