Trata-se de um troquilídeo de médio porte que se destaca pela exuberância de sua plumagem e por apresentar um nítido dimorfismo sexual. Os machos adultos medem entre 9,5 a 11 centímetros de comprimento e pesam em torno de 4 a 6 gramas, caracterizando-se por possuírem uma brilhante testa e coroa azul-violeta, dorso verde-metálico, garganta e peito em tom verde-esmeralda cintilante, abdômen azulado e uma cauda nitidamente bifurcada de coloração azul-escura quase negra. Em contrapartida, as fêmeas são ligeiramente menores, com comprimento de 8 a 9 centímetros, não possuem a mancha violeta na cabeça, apresentam as partes superiores verde-acobreadas, as partes inferiores de coloração cinza-esbranquiçada uniforme e as retrizes externas com pontas brancas. Ambos os sexos compartilham um bico reto, preto e forte, de aproximadamente 20 milímetros de comprimento, perfeitamente adaptado para acessar o néctar em flores de diversas morfologias.
Distribuição geográfica: Distribui-se amplamente pela porção oriental da América do Sul, ocorrendo com grande frequência no sudeste e sul do Brasil (do estado da Bahia até o Rio Grande do Sul), no leste do Paraguai e no nordeste da Argentina, com registros abundantes na província de Misiones. Sua área de ocorrência coincide significativamente com o bioma da Mata Atlântica, onde atua predominantemente como uma espécie residente, realizando pequenos deslocamentos locais ou migrações altitudinais temporárias de acordo com a fenologia de floração das plantas nativas da região.
Ambiente: Ocupa preferencialmente o sub-bosque e o estrato médio de florestas ombrófilas densas, florestas de galeria, capoeiras em estágio avançado de regeneração, bordas de mata e clareiras arbóreas. Apresenta uma notável flexibilidade ecológica, o que viabiliza sua sobrevivência em habitats antrópicos e semiurbanos, tais como parques urbanos, pomares, plantações sombreadas e jardins residenciais arborizados, necessitando apenas de uma estrutura vegetal arbustiva mínima que forneça abrigo e fontes contínuas de alimento.
Alimentação: Alimenta-se essencialmente de néctar floral, associado à ingestão de pequenos invertebrados para a obtenção de proteínas. Demonstra preferência por flores com características ornitófilas pertenecentes a famílias como Bromeliaceae, Fabaceae, Myrtaceae, Malvaceae e Rubiaceae. Captura insetos em pleno voo utilizando acrobacias aéreas rápidas, técnica denominada "hawking", além de realizar a coleta ativa de pequenos artrópodes, lagartas e aranhas diretamente sobre a superfície de folhas e galhos da vegetação.
Comportamento: Revela um temperamento bastante territorialista e combativo, manifestando agressividade na defesa de fontes ricas em néctar contra outros colibris e insetos polinizadores de grande porte. Seu voo é extremamente veloz e manobrável, sendo capaz de pairar de forma estática no ar e retroceder rapidamente graças à sua alta frequência de batimento de asas. Costuma vigiar sua área de alimentação a partir de galhos expostos, emitindo chamados curtos e estalados como sinal de advertência territorial, intercalando táticas de defesa de recursos com rotas sistemáticas de visitação floral conhecidas como "trap-lining".
Nidificação: O período reprodutivo ocorre predominantemente entre os meses de setembro e fevereiro, cabendo exclusivamente à fêmea a construção do ninho, incubação e cuidado da prole. O ninho consiste em uma pequena taça compacta e profunda, fixada em bifurcações ou ramos horizontais finos a uma altura de 1 a 3 metros do solo. É confeccionado com fibras vegetais macias, musgos e líquens, firmemente unidos por teias de aranha, estrutura que confere flexibilidade para se expandir conforme os filhotes crescem. A postura é composta por dois ovos brancos, incubados pela fêmea por cerca de 15 a 17 dias, permanecendo os jovens sob cuidado materno no ninho por um período de 20 a 22 dias até estarem aptos para o voo e a vida independente.
Categoria de conservação: Encontra-se avaliado na categoria de Pouco preocupante (LC) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Embora a fragmentação contínua da Mata Atlântica represente um desafio para a conservação da biodiversidade regional, a alta capacidade de adaptação desta espécie a ambientes secundários e áreas verdes urbanas garante que suas populações permaneçam estáveis e amplamente distribuídas ao longo de sua área de ocorrência original.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 10/08/2026