Caracterizada por sua coloração vibrante e adaptações anatômicas singulares, esta ave de rapina de médio a grande porte, cientificamente denominada Busarellus nigricollis, apresenta um comprimento de 46 a 53 centímetros e uma envergadura que varia entre 115 e 135 centímetros. O corpo exibe um tom canela-avermelhado brilhante, que contrasta de forma marcante com a cabeça esbranquiçada ou cinza-clara, levemente estriada de escuro. No peito, destaca-se uma meia-lua ou colar negro bem definido. Suas asas largas e arredondadas possuem as pontas das primárias pretas, enquanto a cauda curta é escura na base, com barras pretas e extremidade clara. Os olhos são castanho-avermelhados, o bico é robusto e preto, e os tarsos desprovidos de penas são cinza-esbranquiçados ou azulados. Na sola das garras, apresenta pequenas espículas ou escamas ásperas, uma especialização morfológica essencial para segurar presas aquáticas extremamente escorregadias.
Distribuição geográfica: Distribui-se amplamente pela região neotropical, ocorrendo desde as planícies costeiras do México e América Central até grande parte da América do Sul, englobando o norte da Argentina, Paraguai, Bolívia e quase todo o território brasileiro, com forte presença na Bacia Amazônica e no Pantanal. É uma espécie tipicamente residente que habita regiões de baixa altitude, raramente ultrapassando os 500 metros de altitude.
Ambiente: Está estritamente associada a ecossistemas aquáticos continentais e costeiros de águas calmas. Seus habitats preferenciais incluem pântanos, manguezais, matas de galeria, margens de rios lentos, lagoas e áreas periodicamente inundadas, como as planícies do Pantanal e os Llanos. Necessita de árvores altas, galhos secos ou postes próximos à água, que utiliza como poleiros estratégicos para avistar suas presas.
Alimentação: Trata-se de uma espécie predominantemente piscívora, cuja dieta consiste principalmente em peces de pequeno e médio porte. O método de caça consiste em observar a superfície da água a partir de um poleiro elevado e, ao detectar o movimento, realizar um voo rasante para capturar a presa com as garras, sem mergulhar o corpo. Ocasionalmente, complementa sua alimentação com anfíbios, caranguejos, caracóis aquáticos, pequenos répteis e grandes insetos aquáticos, adaptando suas preferências conforme as oscilações sazonais do nível da água.
Comportamento: Possui hábitos predominantemente solitários, embora possa ser vista em casais durante o período reprodutivo. Passa longos períodos do dia pousada de forma ereta em galhos expostos sobre a água, mantendo uma postura de observação atenta. Seu voo é pesado e direto, com batidas de asas lentas e planeios curtos. Suas vocalizações são compostas por chamados graves, roucos e anasalados, frequentemente emitidos para delimitar o território ou durante exibições de cortejo.
Nidificação: A época reprodutiva varia de acordo com a região, iniciando-se geralmente com o começo das chuvas. O casal constrói um ninho volumoso em forma de plataforma, utilizando ramos secos e forrando o interior com folhas verdes que ajudam a manter a umidade. O ninho é instalado em árvores altas, a uma altura de 10 a 25 metros, muitas vezes sobre a água ou na copa de mangues. A postura é composta por 1 a 2 ovos de coloração branco-suja com manchas marrons. Ambos os sexos revezam-se na incubação, que dura entre 35 e 40 dias, e cuidam ativamente da alimentação dos filhotes até que estejam prontos para o voo.
Categoria de conservação: É classificada globalmente como Pouco preocupante (LC) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Contudo, populações locais enfrentam sérias ameaças causadas pela degradação e drenagem de áreas úmidas, desmatamento das florestas ciliares, uso excessivo de pesticidas agrícolas e contaminação hídrica por mercúrio proveniente de atividades de garimpo, que se bioacumula nos peixes.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 04/08/2026