Apresenta uma concha bivalve sólida, de contorno subovalado a triangular e marcadamente inequiláteral, na qual a extremidade anterior é consideravelmente mais longa e arredondada que a posterior, que se mostra curta e truncada de forma abrupta. O comprimento máximo da concha atinge limites entre 70 e 80 milímetros, embora os indivíduos médios meçam geralmente entre 40 e 50 milímetros. Sua superfície externa é lisa, exibindo apenas finas linhas concêntricas de crescimento sob um perióstraco delgado de coloração amarelada brilhante, creme ou marrom-claro, que ocasionalmente apresenta tons arroxeados perto do umbo. Internamente, as valvas têm cor branca nacarada e contam com uma dobradiça provida de um condróforo triangular profundo onde se aloja o ligamento interno ou resilio, ladeado por dentes laterais alongados e estriados que garantem um fechamento hermético das valvas de Amarilladesma mactroides.
Distribuição geográfica: Encontra-se de maneira exclusiva na porção ocidental do Oceano Atlântico Sul. Sua área de ocorrência estende-se desde o estado do Rio de Janeiro no Brasil, abrangendo toda a costa marítima do Uruguai, até atingir o Golfo San Matías, na província de Río Negro, na Patagônia argentina. Essa distribuição costeira contínua abrange milhares de quilômetros de praias temperadas e temperadas-quentes expostas a regimes de maré altamente dinâmicos.
Ambiente: Habita estritamente a zona entremarés e o infralitoral raso de praias arenosas expostas a ondas de alta energia. Demonstra preferência por sedimentos constituídos por areias finas a médias bem selecionadas, onde a agitação contínua da água assegura excelente oxigenação e fluxo constante de nutrientes. Distribui-se verticalmente desde a linha de maré baixa até poucos metros de profundidade, adaptando-se com sucesso às severas forças hidrodinâmicas das zonas de arrebentação.
Alimentação: Trata-se de um organismo predominantemente filtrador suspensívoro. Utiliza seus sifões especializados, que se projetam acima da superfície do sedimento, para aspirar a água repleta de partículas. Sua dieta é composta principalmente de microalgas unicelulares, com forte dominância de diatomáceas bentônicas e planctônicas, além de matéria orgânica particulada e bactérias em suspensão na coluna de água, capturando as partículas por meio dos cílios de suas brânquias antes de direcioná-las ao trato digestivo.
Comportamento: Destaca-se por sua capacidade extraordinária de enterramento rápido, utilizando um pé musculoso extremamente desenvolvido que permite ao animal fixar-se firmemente no substrato arenoso em poucos segundos, evitando ser arrastado pelas fortes correntes litorâneas ou ondas que arrebentam. Exibe um padrão de migração vertical ativa sincronizado com as marés, movendo-se para cima e para baixo na coluna de areia para manter uma posição ideal em relação à linha da água, minimizando os riscos de dessecação e a predação por aves costeiras, caranguejos e peixes demersais.
Reprodução: É uma espécie dióica com fecundação externa, desprovida de dimorfismo sexual externo visível. O ciclo reprodutivo apresenta tipicamente dois picos de desova anuais, sendo um principal durante a primavera e outro de menor intensidade no final do verão ou início do outono. A liberação sincronizada de gametas masculinos e femininos na água origina uma larva trocófora de vida livre, que se desenvolve em larva velígera planctônica; após um período de dispersão planctônica, esta sofre metamorfose e realiza o assentamento bentônico definitivo no substrato arenoso.
Categoria de conservação: Não está avaliada globalmente pela UICN, porém é classificada regionalmente como uma espécie altamente vulnerável ou ameaçada devido a mortandades em massa recorrentes causadas por anomalias de temperatura da água, florações de algas nocivas e patógenos. No passado recente, as populações da Argentina e do Uruguai sofreram colapsos severos devido à superexploração comercial e à pressão turística, o que motivou o estabelecimento de moratórias rígidas e planos de manejo locais para possibilitar sua lenta recuperação biológica.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 07/09/2026