Apresenta um corpo robusto, de formato ovalado e compacto, com comprimento variando entre 12 e 22 milímetros. Seu tegumento é fortemente esclerosado, exibindo uma coloração preto brilhante ou preto-retinto, que às vezes revela reflexos purpúreos discretos sob iluminação direta. A cabeça é larga, achatada e altamente especializada para a escavação, demonstrando um marcante dimorfismo sexual. Os machos desenvolvidos ostentam um corno cefálico curvado no clípeo e um proeminente declive na região anterior do pronoto, ladeado por tubérculos rombos, enquanto as fêmeas possuem apenas um tubérculo bidentado curto e um pronoto uniformemente convexo. O pronoto é densamente pontuado e os élitros apresentam estrias profundas e bem marcadas, com interestrias finamente micropontuadas. Suas pernas são do tipo fossorial, com tíbias anteriores fortemente dentadas na margem externa, facilitando a movimentação em solos compactados.
Distribuição geográfica: Esta espécie ocorre amplamente na porção meridional da América do Sul. Sua presença é amplamente registrada nas regiões temperadas e subtropicais da Argentina (principalmente nas províncias de Buenos Aires, Córdoba, Santa Fe, Entre Ríos e La Pampa), no sul do Brasil (abrangendo os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), em todo o território do Uruguai e em diversas áreas do Paraguai.
Ambiente: Habita preferencialmente ecossistemas abertos como pastagens nativas, savanas, estepes arbustivas e, com grande frequência, pastos pecuários e áreas agrícolas antropizadas. Mostra clara preferência por solos de textura franco-arenosa ou franco-argilosa que permitam a escavação profunda, evitando áreas excessivamente pedregosas ou sujeitas a alagamentos constantes.
Alimentação: É um inseto estritamente coprófago em todas as suas fases de desenvolvimento ativo (larva e adulto). Demonstra preferência trófica por excrementos de grandes herbívoros introduzidos, especialmente de gado bovino e equino, embora também possa utilizar fezes de mamíferos nativos. Os adultos alimentam-se da fração líquida e de partículas bacterianas suspensas no esterco fresco.
Comportamento: Apresenta hábitos majoritariamente noturnos e crepusculares, voando intensamente nesses períodos guiado por compostos voláteis liberados pela matéria fecal fresca. É classificado funcionalmente como um escaravelho escavador ou paracóprido. Suas atividades de escavação desempenham serviços ecológicos vitais, promovendo a aeração do solo, aumentando a infiltração de água e incorporando matéria orgânica em profundidade, o que acelera a reciclagem de nutrientes e reduz populações de moscas nocivas.
Reprodução: O ciclo reprodutivo tem início com a colonização de uma massa fresca de esterco, onde frequentemente se formam casais cooperativos. O macho e a fêmea escavam galerias verticais que atingem profundidades de 20 a 50 centímetros abaixo ou nas margens da massa fecal. No fundo dos túneis, constroem câmaras onde moldam porções compactadas de esterco em formato esférico, conhecidas como bolas de cria. A fêmea deposita um único ovo em uma pequena cavidade interna de cada esfera. As larvas passam por desenvolvimento holometábolo dentro da bola, consumindo o recurso até realizarem a pupação e emergirem como novos adultos durante a primavera e o verão.
Categoria de conservação: Atualmente não se encontra listado em nenhuma categoria de ameaça global pela UICN, sendo considerado um táxon comum e abundante em sua área de distribuição. Contudo, suas populações locais são fortemente impactadas pelo uso indiscriminado de antiparasitários veterinários, como a ivermectina, cujos resíduos excretados nas fezes possuem alta toxicidade, elevando a mortalidade larval e reduzindo o vigor reprodutivo dos adultos.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 20/09/2026