Pertence a uma família de crustáceos decápodes exclusivamente dulceaquícolas, caracterizando-se por apresentar uma carapaça de formato subquadrangular a ligeiramente subcircular, achatada dorsalmente e com margens anterolaterais munidas de três a cinco dentes afiados e bem definidos. A coloração geral do seu exoesqueleto varia entre o marrom-oliváceo, o cinza-acastanhado e tons amarelados, proporcionando uma camuflagem extremamente eficiente em substratos lodosos. Exibe um nítido dimorfismo sexual; os machos adultos possuem quelípedos (pinças) bastante assimétricos, sendo uma das pinças significativamente maior e mais robusta, utilizada para exibições de corte e disputas territoriais, enquanto as fêmeas têm um abdômen visivelmente mais largo, adaptado para carregar a prole. A largura da carapaça em adultos maduros varia geralmente entre 30 e 45 milímetros, com apêndices locomotores longos e dotados de cerdas abundantes que facilitam a movimentação em fundos lodosos escorregadios.
Distribuição geográfica: Distribui-se de forma endêmica pelas bacias hidrográficas dos rios Paraná e Paraguai, abrangendo amplas regiões de áreas úmidas na Argentina, Paraguai, sudoeste do Brasil e leste da Bolívia. Sua presença é altamente densa nas planícies de inundação próximas à localidade de Colastiné, na província de Santa Fé, Argentina (origem do seu nome específico), bem como em todo o complexo de banhados do Delta do Paraná.
Ambiente: Ocorre preferencialmente em corpos d´água lênticos e semilênticos, tais como lagoas marginais, pântanos, canais de drenagem e planícies temporariamente inundadas associadas a grandes bacias fluviais. Está estritamente associado a fundos de lama, silte e argila com acúmulo substancial de detritos orgânicos, além de áreas com densa vegetação aquática flutuante ou submersa, que servem tanto de abrigo contra predadores quanto de sítio para alimentação.
Alimentação: Apresenta hábitos alimentares onívoros e oportunistas, atuando de forma expressiva como um organismo detritívoro e carniceiro no ecossistema bentônico. Sua dieta consiste em matéria orgânica em decomposição, pedaços de macrófitas aquáticas, algas filamentosas, além de pequenos invertebrados de fundo, como oligoquetos, larvas de insetos, microcrustáceos e pequenos moluscos, os quais são triturados meticulosamente por suas peças bucais especializadas.
Comportamento: Demonstra um padrão de atividade predominantemente noturno ou crepuscular, mantendo-se escondido durante o dia sob troncos submersos, rochas ou abrigado em galerias profundas cavadas na lama úmida das margens. Apresenta uma notável resistência à dessecação, capacidade que lhe permite realizar migrações terrestres curtas sob alta umidade do ar para colonizar novos habitats ou escapar de condições extremas de anoxia nos corpos d´água principais.
Reprodução: Apresenta um modo de desenvolvimento direto, uma adaptação reprodutiva marcante dos caranguejos de água doce que elimina totalmente os estágios de larvas planctônicas livres. O acasalamento ocorre principalmente nos meses de temperatura mais elevada, após o qual a fêmea carrega os ovos fertilizados fixados aos seus pleópodes sob o abdômen dobrado; após a eclosão, os filhotes nascem como miniaturas dos adultos e permanecem sob a proteção do abdômen materno durante as primeiras semanas antes de se dispensarem.
Categoria de conservação: Atualmente é classificado sob o status de Pouco Preocupante ou como Dados Insuficientes em avaliações regionais, devido à escassez de dados populacionais sistemáticos e de longo prazo. Contudo, suas populações locais enfrentam impactos crescentes decorrentes da poluição da água por pesticidas agrícolas e efluentes urbanos, perda de habitats por drenagem de áreas úmidas e alterações drásticas no regime hidrológico natural de suas bacias hidrográficas.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 17/08/2026