Apresenta um evidente dimorfismo sexual e mede cerca de 19 a 21 centímetros de comprimento total. Os machos adultos ostentam uma plumagem predominantemente branco-neve muito contrastante, que se destaca fortemente contra as penas das asas e da cauda, que são de coloração preto-carvão. Por outro lado, as fêmeas exibem uma coloração mais discreta e críptica, com o dorso de tom cinza-escuro ou pardo-acinzentado, ventre esbranquiçado e o peito levemente estriado de cinza, o que lhes confere uma camuflagem eficiente na vegetação nativa. O bico é curto, forte e inteiramente preto, adaptado para capturar presas ágeis, e os olhos escuros destacam-se de forma marcante na face clara da ave.
Distribuição geográfica: Restringe-se exclusivamente ao sudeste da América do Sul. Sua ocorrência estende-se pelo sul do Brasil (especialmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), por todo o território do Uruguai e pelo nordeste da Argentina (encontrando-se de forma localizada nas províncias de Entre Ríos, Corrientes, Misiones e no extremo nordeste de Buenos Aires). Sua distribuição histórica encolheu consideravelmente devido à perda de áreas contínuas de campo nativo.
Ambiente: Ocorre principalmente em campos limpos e úmidos, banhados, savanas de altitude e áreas úmidas temporárias. Esta espécie demonstra uma forte dependência ecológica de formações vegetais dominadas por plantas do gênero Eryngium (conhecidas popularmente como gravatás ou caraguatás), que fornecem a estrutura física necessária para o seu abrigo, locais de reprodução e poleiros estratégicos. É uma espécie especialista que evita florestas densas e áreas agrícolas homogeneizadas.
Alimentação: Possui hábitos alimentares estritamente insetívoros. Alimenta-se de uma ampla variedade de invertebrados, incluindo gafanhotos, besouros, lagartas, libélulas e moscas. Sua tática de forrageamento consiste no pouso e observação a partir de poleiros expostos, tais como cercas, arbustos ou hastes secas de gravatás, de onde realiza voos rápidos em direção ao solo ou capturas aéreas acrobáticas para interceptar suas presas em movimento.
Comportamento: É uma ave territorialista que costuma ser avistada solitária, em casais monogâmicos ou em pequenos grupos familiares logo após o período reprodutivo. Devido ao seu padrão de cores contrastantes, torna-se um elemento muito visível na paisagem aberta dos pampas. Frequentemente associa-se a outras aves ameaçadas de extinção, como o veste-amarela (Xanthopsar flavus), formando bandos mistos que facilitam a detecção precoce de potenciais predadores.
Nidificação: O ciclo reprodutivo ocorre principalmente entre os meses de setembro e janeiro. O casal constrói um ninho em formato de taça aberta, utilizando ramos finos, fibras vegetais secas, raízes e teias de aranha, forrando o interior com materiais macios como pelos e penas. O ninho é instalado a baixa altura, perfeitamente camuflado no interior de arbustos espinhosos ou no centro de touceiras densas de Eryngium. A fêmea realiza a postura de 3 a 4 ovos brancos com pequenas manchas marrons e avermelhadas. Ambos os sexos cooperam ativamente na alimentação dos filhotes e na defesa do território.
Categoria de conservação: Está classificada globalmente como Vulnerável (VU) na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. A principal ameaça à sua sobrevivência a longo prazo é a perda, degradação e fragmentação severa de seu habitat natural, causadas pela conversão dos campos nativos para monoculturas agrícolas (como a soja), silvicultura com espécies exóticas de pinus e eucaliptos, e práticas de sobrepastoreio que destroem a vegetação de refúgio.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 18/08/2026