Pertence a um grupo de dípteros braquiceros de médio a grande porte pertencentes à família Tabanidae, apresentando um comprimento corporal robusto que varia de 14 a 18 milímetros. Esta espécie distingue-se visualmente pela presença de uma marcante mancha escura ou infuscação nas áreas apical e central de suas asas hialinas, característica que inspira o seu epétito específico. O corpo exibe uma coloração predominantemente castanho-escura a enegrecida, adornada com tufos ou faixas de densa pilosidade cinzenta ou dourada nos tergitos do abdômen. A cabeça é larga, dominada por grandes olhos compostos que são holópticos nos machos e dicópticos nas fêmeas, exibindo reflexos metálicos verdes e roxos sob luz direta. Um caractere diagnóstico fundamental reside na antena, cujo primeiro flagelômero apresenta um processo dorsal ou dente antenal altamente desenvolvido e projetado para a frente de forma conspícua, uma assinatura morfológica do gênero Dicladocera. O tórax exibe listras longitudinais claras e discretas sobre um fundo escuro, enquanto as pernas são majoritariamente castanho-claras com os segmentos tarsais escurecidos.
Distribuição geográfica: Distribui-se principalmente ao longo das regiões montanhosas da cordillera dos Andes, na América do Sul. Sua ocorrência está amplamente registrada em países como Colômbia, Equador e nas porções montanhosas setentrionais do Peru e da Venezuela. Ocupa faixas de altitude bem definidas nas encostas andinas orientais e ocidentais, demonstrando uma forte preferência por florestas úmidas e vales interandinos situados em altitudes que variam de 1200 a 2800 metros acima do nível do mar, onde as condições climáticas temperadas e a alta umidade sustentam suas populações.
Ambiente: Habita essencialmente ecossistemas de floresta andina e floresta de névoa, caracterizados por uma umidade relativa do ar constantemente elevada, chuvas frequentes e uma cobertura vegetal densa e rica em epífitas. É comumente observada em zonas de transição ecotonal, bordas de matas, clareiras florestais naturais e, muito especialmente, nas proximidades de corpos de água correntes, como riachos de montanha, córregos e margens ripárias de fluxo rápido. Esses locais oferecem abrigo crucial para os adultos e substratos ideais para o desenvolvimento bem-sucedido das fases larvais.
Alimentação: Apresenta um marcante dimorfismo trófico e funcional entre os sexos. As fêmeas desta espécie possuem hábitos hematófagos obrigatórios, necessitando do sangue de vertebrados de médio e grande porte para a maturação completa de seus ovos. Elas atacam mamíferos silvestres como antas, veados e roedores, além de gado doméstico em áreas antropizadas, utilizando um aparelho bucal picador-sugador fortemente esclerosado para cortar a epiderme e sugar o sangue acumulado. Por outro lado, os machos não possuem as peças bucais adaptadas para a hematofagia e são estritamente glicívoros, alimentando-se de néctar floral, seiva de plantas e frutos maduros, desempenhando um papel incidental, mas ativo, na polinização de plantas do sub-bosque.
Comportamento: Demonstra uma atividade estritamente diurna e heliófila, concentrando seus períodos de voo e busca por hospedeiros nas horas de maior radiação solar e calor, tipicamente do meio da manhã ao início da tarde. As fêmeas são voadoras extremamente rápidas, ágeis e persistentes, capazes de perseguir alvos em movimento guiando-se por estímulos visuais, gradientes de calor e emissões de dióxido de carbono (CO2). Os machos adotam uma estratégia territorial conhecida como voo pairado ou "hovering", mantendo-se suspensos no ar em pequenas clareiras ensolaradas sob a copa das árvores para interceptar fêmeas receptivas e realizar a cópula em pleno voo.
Reprodução: Apresenta um ciclo de vida ovíparo intimamente associado a ambientes aquáticos ou de extrema umidade. Após a cópula e a subsequente digestão do repasto sanguíneo, a fêmea procura locais propícios para a postura, selecionando folhas de plantas pendentes, ramos ou rochas posicionadas diretamente sobre a superfície da água ou em margens lodosas de córregos. Ali, deposita massas compactas de ovos que escurecem gradualmente para se camuflarem com o ambiente. Ao eclodirem, as larvas caem diretamente na água ou no lodo úmido. As larvas são de vida livre, fusiformes e comportam-se como predadoras vorazes, utilizando mandíbulas retráteis em forma de foice para capturar outros invertebrados aquáticos, larvas de insetos e vermes antes de puparem no solo úmido adjacente.
Categoria de conservação: Não está incluída atualmente na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), sendo tecnicamente classificada como Não Avaliada (NE). Contudo, as populações locais desta espécie são altamente sensíveis à perda de qualidade ambiental nas florestas andinas. A rápida desflorestação, a fragmentação do habitat promovida pela expansão agropecuária e a contaminação química de mananciais de água por resíduos agrícolas representam pressões severas que limitam seus microhabitats reprodutivos e reduzem a abundância de hospedeiros silvestres.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 23/08/2026