Apresenta um corpo extremamente esguio e alongado, com a cabeça claramente distinta do pescoço, focinho arredondado e olhos proporcionalmente grandes de pupila redonda. A coloração do dorso é caracterizada por um verde brilhante uniforme, que pode variar para tons mais amarelados ou oliváceos, enquanto o ventre exibe uma coloração contrastante que varia de branco-creme a amarelo-claro ou verde muito pálido, sem manchas escuras. Suas escamas dorsais são lisas ou levemente quiladas, tipicamente dispostas em 19 fileiras no meio do corpo. Os indivíduos adultos alcançam comprimentos médios de 80 a 110 centímetros, embora exemplares excepcionais possam atingir até 140 centímetros de comprimento total, sendo as fêmeas geralmente mais robustas e pesadas que os machos. Possui dentição opistóglifa, com presas sulcadas localizadas na parte posterior do maxilar superior associadas à glândula de Duvernoy.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída na porção centro-sul da América do Sul. Sua ocorrência geográfica abrange vastas regiões do Brasil (especialmente nos biomas do Cerrado, Mata Atlântica e nos Campos Sulinos do Rio Grande do Sul), todo o Uruguai, a maior parte do Paraguai, o leste da Bolívia e as porções norte e central da Argentina, estendendo-se ao sul até as províncias de La Pampa e Buenos Aires.
Ambiente: Demonstra grande plasticidade ecológica, ocupando preferencialmente áreas abertas e ecótonos. É comum em campos úmidos, savanas, bordas de florestas, banhados, matagais xerófitos, áreas agrícolas e ambientes antropizados periurbanos. Sua natureza semiarborícola permite que explore de forma eficiente tanto o solo quanto a vegetação arbustiva e herbácea baixa, adaptando-se satisfatoriamente a paisagens modificadas pelo homem, desde que haja alguma cobertura vegetal de refúgio.
Alimentação: Possui hábitos alimentares generalistas e oportunistas, com uma dieta que se altera conforme o tamanho do indivíduo e a sazonalidade das presas. Alimenta-se ativamente de anfíbios (principalmente pererecas e pequenos sapos), lagartos, pequenos mamíferos roedores, filhotes de aves passeriformes e seus ovos, além de grandes invertebrados durante sua fase juvenil. Utiliza uma combinação de perseguição visual ágil, constrição moderada e a inoculação de secreções tóxicas para subjugar rapidamente suas presas.
Comportamento: É uma espécie de atividade estritamente diurna, extremamente ágil e veloz ao se deslocar tanto no chão quanto ao escalar a vegetação arbustiva. Nas primeiras horas do dia, costuma termorregular exposta ao sol sobre galhos de arbustos. Apresenta comportamento geralmente esquivo, preferindo a fuga rápida diante de qualquer ameaça; no entanto, se encurralada, pode inflar lateralmente a região do pescoço, vibrar a cauda e realizar botes defensivos, podendo infligir mordidas que inoculam veneno fraco, o qual causa dor e inchaço local em humanos, sem representar maior gravidade médica.
Reprodução: Trata-se de um réptil de reprodução ovípara, com ciclo reprodutivo fortemente sazonal. O acasalamento ocorre no início da primavera austral, impulsionado pelo aumento da temperatura e das chuvas. As fêmeas grávidas realizam posturas que variam de 5 a 18 ovos alongados e de casca flexível, depositando-os em abrigos úmidos como serapilheira em decomposição, sob troncos caídos ou fendas de rochas. O período de incubação dura de 60 a 90 dias, nascendo filhotes totalmente independentes que medem entre 18 e 24 centímetros de comprimento.
Categoria de conservação: Atualmente é classificada como Pouco Preocupante (LC) na maioria das avaliações devido à sua ampla distribuição, populações relativamente estáveis e capacidade de persistir em ambientes modificados. Contudo, as populações sofrem com a perda e fragmentação do habitat devido à expansão agrícola e urbana, além da frequente eliminação deliberada por parte de humanos decorrente de mitos e medo irracional de serpentes.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 01/08/2026