Apresenta tamanho corporal moderado, com machos medindo entre 43 e 52 mm de comprimento focinho-cloaca, enquanto as fêmeas são discretamente maiores. O corpo é esguio, apresentando membros alongados que terminam em discos adesivos bem desenvolvidos nos dígitos, especializados para a locomoção escaladora. A coloração do dorso é extremamente variável, oscilando entre tons de marrom-claro, cinzento e verde-oliva, frequentemente ornamentada com manchas escuras irregulares. Um caráter diagnóstico marcante é a presença de uma faixa lateral escura bem definida que se inicia na ponta do focinho, passa pelo olho e tímpano, estendendo-se até os flancos. Além disso, a face posterior das coxas exibe um padrão reticulado característico de tons violáceos ou roxos sobre um fundo claro, facilitando a diferenciação de espécies simpátricas. A pele dorsal é lisa ou finamente granular, e a região ventral é esbranquiçada a creme.
Distribuição geográfica: Este anfíbio é endêmico da região central da Argentina. Sua distribuição geográfica está estritamente restrita aos sistemas serranos das províncias de Córdoba (Sierras Grandes e Sierras Chicas) e San Luis (Sierras de San Luis). Ocorre em uma faixa altitudinal que varia de 800 a 2.200 metros acima do nível do mar, configurando populações isoladas em bacias de altitude.
Ambiente: Encontra-se intimamente associado a sistemas lóticos de montanha. Ocupa predominantemente as margens de riachos de altitude com águas cristalinas e correnteza de lenta a moderada, que cortam pastagens montanas e áreas rochosas. Também pode ser observado em poças semipermanentes, nascentes e depressões rochosas inundadas, onde a vegetação ciliar composta por ciperáceas e gramíneas fornece abrigo essencial contra predadores e intempéries.
Alimentação: Possui hábitos alimentares insetívoros de caráter generalista e oportunista. Sua dieta baseia-se no consumo de uma grande diversidade de artrópodes terrestres e voadores ativos durante o período noturno. Entre suas presas mais comuns destacam-se coleópteros, dípteros, himenópteros, larvas de insetos e aranhas, que são detectados pelo movimento e capturados com agilidade através da projeção de sua língua protrátil.
Comportamento: Apresenta hábitos estritamente crepusculares e noturnos. Durante o dia, abriga-se sob rochas, em fendas profundas ou em meio à densa vegetação marginal para mitigar a perda de água por evaporação. Ao anoitecer, torna-se ativo, posicionando-se sobre as rochas úmidas das margens fluviais. Os machos manifestam forte comportamento territorial durante o período reprodutivo, emitindo um canto de anúncio grave e pulsado a partir de poleiros rochosos elevados para atrair fêmeas e repelir rivais.
Reprodução: O período reprodutivo concentra-se nas estações de primavera e verão, estendendo-se de outubro a março. Os machos formam coros vocais em trechos de correnteza lenta. Após o amplexo axilar, a fêmea realiza a postura dos ovos envoltos em massas gelatinosas, que são fixadas sob pedras submersas ou presas à vegetação aquática para evitar que sejam arrastadas pelo fluxo d´água. Os girinos possuem hábitos bentônicos e morfologia adaptada a ambientes lóticos, contando com discos orais especializados para aderirem às rochas enquanto raspam algas e detritos orgânicos.
Categoria de conservação: Enquadra-se como Ameaçada em âmbito nacional na Argentina e classificada como Vulnerável ou Em Perigo em listas vermelhas regionais e globais, dada a sua distribuição geográfica restrita e fragmentada. As principais ameaças à conservação da espécie residem na degradação de habitat pelo sobrepastoreio, expansão imobiliária e turística, poluição de mananciais hídricos e introdução de trutas exóticas, que atuam como predadores vorazes de seus girinos. Somado a isso, as populações enfrentam sérios riscos devido à quitridiomicose, infecção fúngica causada pelo patógeno Batrachochytrium dendrobatidis.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 16/08/2026