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Taxonomia

ECOREGISTROS SE JUNTA AO AVILIST, A NOVA FONTE TAXONÔMICA UNIFICADA A NÍVEL MUNDIAL

Por: Jorge La Grotteria

Publicado em 26 de junho de 2025

Comunicação #4, visitas #1034

O EcoRegistros adotou a taxonomia global AviList, para unificar listas de aves, melhorar a interoperabilidade entre plataformas e permitir atualizações taxonômicas mais rápidas e precisas.

Comunicação #4

No mundo da observação de aves e da ciência cidadã, a taxonomia —ou seja, o sistema que classifica e organiza as espécies— tem sido historicamente um motivo de desafios. Existem várias fontes taxonômicas reconhecidas internacionalmente, entre elas a lista de Clements (atualmente usada pelo eBird), a IOC World Bird List e a HBW & BirdLife International Taxonomic Checklist, esta última adotada pelo EcoRegistros há muitos anos.

Recentemente nasceu um projeto ambicioso chamado AviList, que busca unificar todas essas fontes taxonômicas em uma única lista global. A magnitude desse esforço é tamanha que conquistou o apoio direto de instituições-chave como o Cornell Lab of Ornithology e a BirdLife International, que hoje estão entre os principais membros do grupo de trabalho responsável pela produção da lista unificada. Tudo indica que o AviList será o novo padrão para a classificação de aves em nível global, e os principais sistemas tenderão a adotar essa fonte taxonômica.

Até agora, o EcoRegistros, uma plataforma de ciência cidadã dedicada ao registro e à conservação da biodiversidade, utilizava a versão 9.0 (2024) da checklist da HBW & BirdLife International, com a qual sempre manteve afinidade. No entanto, o contexto atual impõe novos desafios: com a crescente facilidade de exportar e importar dados entre diferentes plataformas, muitos usuários participam ativamente de vários sistemas simultaneamente. A diferença nas taxonomias entre as diversas plataformas é uma das principais fontes de conflito, gerando erros, bloqueios e até perda de dados, além de um enorme investimento de tempo na gestão desses problemas. Por isso, o EcoRegistros decidiu aderir oficialmente ao AviList.

Adotar o AviList implica para o EcoRegistros ter uma taxonomia quase idêntica às plataformas globais mais importantes, e uma atualização mais ágil e direta. Em vez de esperar que a BirdLife implemente as mudanças derivadas do AviList para depois incorporá-las, o novo esquema permitirá sincronizar diretamente as atualizações taxonômicas da fonte base, ganhando em precisão e velocidade. Cabe destacar que essa decisão não implica a perda de referências existentes, e os perfis das espécies no EcoRegistros continuarão incluindo o estado de conservação e o link direto para as descrições oficiais da BirdLife International, informação fundamental para pesquisadores, conservacionistas e observadores.

Com essa decisão, o EcoRegistros reafirma seu compromisso com a qualidade e organização dos dados, a interoperabilidade entre sistemas e a melhoria contínua em favor de uma ciência cidadã cada vez mais integrada, moderna e global. E finalmente, a maioria das plataformas trabalhará sobre a mesma base taxonômica, maximizando a compatibilidade.

A última atualização taxonômica na base de dados do EcoRegistros, ou seja, a mudança da taxonomia da BirdLife International para o AviList, traz uma verdadeira reconfiguração. Centenas de novas espécies foram incorporadas, muitas outras deixaram de ser consideradas válidas, e muitas mais mudaram seu gênero ou epíteto específico. Além disso, foram registradas modificações na classificação familiar de numerosas espécies.

Paralelamente, todos os nomes em inglês foram atualizados conforme uma lista padronizada. Em contraste, para os nomes em espanhol, optou-se por respeitar a diversidade cultural e regional, evitando estabelecer uma lista única. Por isso, nas fichas de espécies do EcoRegistros, cada espécie apresenta um nome principal e vários secundários, que também são válidos para buscas e para o envio de registros.

No caso da Argentina, embora o número total de espécies tenha mudado pouco, muitos nomes científicos foram atualizados. As mudanças na quantidade e nos nomes das espécies se devem, em sua maioria, a processos conhecidos como splits (separações de uma espécie em duas ou mais) e merges (fusão de várias espécies em uma só), embora outros fatores também estejam envolvidos.

Uma nova espécie para a Argentina

Entre as atualizações do AviList, uma nova espécie foi oficialmente incluída: o Pinguim-de-penacho-amarelo-oriental (Eudyptes filholi), uma espécie que habita a Nova Zelândia e que anteriormente era considerada uma subespécie do Pinguim-de-penacho-amarelo (Eudyptes chrysocome). Como esse táxon, anteriormente tratado como subespécie, possui registros na Argentina, passa agora a ser considerado uma nova espécie na avifauna do país. A inclusão se baseia em registros feitos na Área Natural Protegida Baía de San Antonio, em Río Negro, publicados em 2019 na revista Nótulas Faunísticas por Mariano Costa e Helena Amira Mandado. O trabalho documenta pela primeira vez a presença dessa espécie na Argentina continental, especificamente em Las Grutas, Río Negro.

O AviList (2025) a reconhece como espécie com base em estudos genéticos, embora ressalte que ainda falta uma análise detalhada de suas vocalizações, o que poderá levar a futuras revisões. Enquanto isso, bem-vindo o Pinguim-de-Penacho-Amarelo-do-Leste (Eudyptes filholi) à lista de aves da Argentina e do EcoRegistros!


Mudanças em espécies já conhecidas

Também há fusões de espécies (merges), nas quais duas ou mais espécies anteriormente separadas passam a ser consideradas uma só, com diferentes subespécies. Em muitos casos, apenas uma dessas subespécies ocorre na Argentina, de modo que, para os observadores locais, a mudança se traduz basicamente em uma modificação do nome científico. No entanto, em alguns casos específicos, onde ambas as espécies fundidas ocorrem no país, o número efetivo de espécies reconhecidas é de fato reduzido.

Detalhes dessas modificações…

1) Lugensa brevirostris para Aphrodroma brevirostris.
2) Bubulcus ibis para Ardea ibis.
3) Ixobrychus involucris para Botaurus involucris.
4) Ixobrychus exilis para Botaurus exilis.
5) Oxyura ferruginea para Oxyura jamaicensis.
6) Accipiter bicolor para Astur bicolor.
7) Accipiter superciliosus para Microspizias superciliosus.
8) Accipiter chilensis para Astur chilensis.
9) Laterallus leucopyrrhus para Rufirallus leucopyrrhus.
10) Neocrex erythrops para Mustelirallus erythrops.
11) Porphyrio martinicus para Porphyrio martinica.
12) Laterallus spilopterus para Laterallus spiloptera.
13) Porzana albicollis para Mustelirallus albicollis.
14) Coturnicops notatus para Laterallus notatus.
15) Micropygia schomburgkii para Rufirallus schomburgkii.
16) Larus maculipennis para Chroicocephalus maculipennis.
17) Larus cirrocephalus para Chroicocephalus cirrocephalus.
18) Larus scoresbii para Leucophaeus scoresbii.
19) Larus pipixcan para Leucophaeus pipixcan.
20) Larus serranus para Chroicocephalus serranus.
21) Larus atricilla para Leucophaeus atricilla.
22) Larus modestus para Leucophaeus modestus.
23) Charadrius falklandicus para Anarhynchus falklandicus.
24) Charadrius collaris para Anarhynchus collaris.
25) Charadrius modestus para Zonibyx modestus.
26) Charadrius alticola para Anarhynchus alticola.
27) Charadrius mongolus para Anarhynchus mongolus.
28) Catharacta chilensis para Stercorarius chilensis.
29) Catharacta antarctica para Stercorarius antarcticus.
30) Catharacta maccormicki para Stercorarius maccormicki.
31) Patagioenas albilinea para Patagioenas fasciata.
32) Psittacara acuticaudatus para Thectocercus acuticaudatus.
33) Alexandrinus krameri para Psittacula krameri.
34) Ciccaba huhula para Strix huhula.
35) Ciccaba virgata para Strix virgata.
36) Macropsalis forcipata para Hydropsalis forcipata.
37) Hydropsalis maculicaudus para Antiurus maculicaudus.
38) Hylatomus schulzii para Dryocopus schulzii.
39) Hylatomus lineatus para Dryocopus lineatus.
40) Xenops rutilus para Xenops rutilans.
41) Antilophia galeata para Chiroxiphia galeata.
42) Myiodynastes solitarius para Myiodynastes maculatus.
43) Griseotyrannus aurantioatrocristatus para Empidonomus aurantioatrocristatus.
44) Xolmis coronatus para Neoxolmis coronatus.
45) Xolmis cinereus para Nengetus cinereus.
46) Xolmis dominicanus para Heteroxolmis dominicana.
47) Xolmis pyrope para Pyrope pyrope.
48) Phaeomyias murina para Nesotriccus murinus.
49) Phyllomyias burmeisteri para Acrochordopus burmeisteri.
50) Xolmis rubetra para Neoxolmis rubetra.
51) Hirundinea bellicosa para Hirundinea ferruginea.
52) Xolmis salinarum para Neoxolmis salinarum.
53) Polioxolmis rufipennis para Cnemarchus rufipennis.
54) Phylloscartes paulista para Pogonotriccus lanyoni.
55) Phyllomyias uropygialis para Tyranniscus uropygialis.
56) Tachycineta meyeni para Tachycineta leucopyga.
57) Turdus anthracinus para Turdus chiguanco.
58) Catharus swainsoni para Catharus ustulatus.
59) Basileuterus auricapilla para Basileuterus culicivorus.
60) Tangara sayaca para Thraupis sayaca.
61) Pipraeidea bonariensis para Rauenia bonariensis.
62) Tangara palmarum para Thraupis palmarum.
63) Corydospiza alaudina para Rhopospina alaudina.
64) Corydospiza carbonaria para Rhopospina carbonaria.
65) Microspingus pectoralis para Microspingus torquatus.
66) Saltator multicolor para Saltatricula multicolor.
67) Tangara preciosa para Stilpnia preciosa.
68) Sicalis uropigyalis para Sicalis uropygialis.
69) Ramphocelus bresilius para Ramphocelus bresilia.
70) Tangara flava para Stilpnia cayana.
71) Chionodacryon speculiferum para Idiopsar speculifer.
72) Ephippiospingus dorsalis para Idiopsar dorsalis.
73) Euphonia cyanocephala para Chlorophonia cyanocephala.
74) Tityra braziliensis para Tityra cayana.
75) Phalcoboenus chimango para Daptrius chimango.
76) Milvago chimachima para Daptrius chimachima.
77) Phalcoboenus albogularis para Daptrius albogularis.
78) Phalcoboenus megalopterus para Daptrius megalopterus.
79) Phalcoboenus australis para Daptrius australis.

Redução de espécies reconhecidas na Argentina: unificação sob novas classificações

Em alguns casos específicos, a atualização taxonômica resultou em uma redução no número de espécies reconhecidas na Argentina. Isso ocorre quando duas espécies anteriormente consideradas distintas passam a ser classificadas como subespécies de uma mesma espécie. A seguir, os casos mais relevantes:


É importante destacar que o grande volume de mudanças não se deve a estudos científicos recentes, mas sim à mudança da fonte taxonômica adotada pelo EcoRegistros, ou seja, da HBW and BirdLife Taxonomic Checklist v9.0 (2024) para a AviList (2025). Esse processo de ajuste não é exclusivo do EcoRegistros—muitos sistemas terão que se adaptar progressivamente à AviList, com impactos que variarão conforme o grau de compatibilidade com suas fontes anteriores. No nosso caso, a mudança foi significativa devido às diferenças entre os critérios atuais da BirdLife e da AviList.


Exceções e visão de futuro: o compromisso do EcoRegistros com uma taxonomia integradora

Embora o EcoRegistros adote a AviList como fonte taxonômica principal, reserva-se o direito de avaliar casos específicos e aplicar exceções fundamentadas, com base em evidências científicas ou critérios de coerência com a realidade regional e a experiência dos observadores. Essas decisões buscam manter um equilíbrio entre o rigor científico e a praticidade para os usuários do sistema. Embora o EcoRegistros sempre tenha implementado um sistema de exceções à sua fonte taxonômica primária, com a migração para a taxonomia da AviList, o número de exceções foi consideravelmente reduzido para apenas quatro.

Exceções taxonômicas adotadas pelo EcoRegistros:



Um passo decisivo rumo à unificação global

Com essa implementação, o EcoRegistros dá um passo firme em direção à padronização dos nomes das espécies em nível global, facilitando a interoperabilidade com outras plataformas de observação e ciência cidadã. Afinal, de que adianta uma lista unificada se ninguém a aplica? Adotar a AviList antecipadamente, mesmo antes de instituições tradicionais como a BirdLife International, demonstra o compromisso do EcoRegistros em contribuir ativamente para a organização taxonômica internacional e o compartilhamento de informações com a nossa comunidade.

Se esse caminho for mantido, é possível que as próximas gerações de naturalistas e observadores não cheguem a conhecer as dificuldades que enfrentamos para conciliar dados entre plataformas. Claro que, quem se aprofundar na literatura científica, sempre encontrará vestígios da complexa história de nomes múltiplos que acompanharam cada espécie ao longo do tempo.



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