Caracteriza-se como uma ave limícola de porte médio e morfologia inconfundível, apresentando um comprimento corporal de 22 a 25 cm, envergadura de asas entre 57 a 59 cm e massa variando entre 60 e 95 g. A sua característica morfológica mais diagnóstica reside no bico longo, fino e acentuadamente recurvado para cima, o qual exibe uma tonalidade laranja-amarelada opaca na base que se funde com a porção distal negra. As pernas são proporcionalmente curtas e ostentam uma vibrante cor amarelo-alaranjada brilhante. Durante a estação reprodutiva, a plumagem dorsal assume um padrão cinza-acinzentado salpicado por estrias escuras com duas marcadas linhas escapulares pretas paralelas; no período não reprodutivo, o dorso torna-se mais uniforme e desbotado. O ventre é branco puro, revelando estrias cinzentas discretas apenas nas laterais do peito.
Distribuição geográfica: Apresenta uma ampla área de ocorrência no Paleártico, nidificando ao longo da zona boreal desde o leste da Finlândia, os países bálticos e a Bielorrússia, atravessando toda a Rússia e a imensa estepe da Sibéria até a foz do rio Anadyr. Como ave migratória de longas distâncias, desloca-se para o sul durante o inverno boreal, estabelecendo territórios não reprodutivos nas faixas costeiras da África Oriental e Austral, no mar Vermelho, nas enseadas do golfo Pérsico, nas margens da Índia, no Sudeste Asiático e em toda a Australásia, sendo comum na Indonésia e nas praias do norte da Austrália.
Ambiente: Durante a fase reprodutiva habita vales de rios de curso lento no interior da taiga e da estepe arborizada, escolhendo bancos de areia, praias de cascalho, margens lodosas, clareiras alagadas e turfeiras com vegetação rasteira de salgueiros e bétulas. Nos períodos de invernada e paradas migratórias, adota um modo de vida estritamente costeiro e estuarino, ocupando planícies de vasa intermarés, esteiros abrigados, deltas arenosos e os bordos lamacentos de bosques de manguezais, raramente sendo visualizada em costas rochosas íngremes ou praias oceânicas de arrebentação severa.
Alimentação: A sua dieta é predominantemente carnívora e insetívora, concentrando-se na captura de invertebrados em substratos inconsolidados. Consome com grande apetite pequenos caranguejos, gastrópodes, anelídeos poliquetas, anfípodes marinhos, além de larvas de insetos aquáticos e besouros nos corpos de água doce. Caça tanto por meio de sondagem tátil no lodo, deslizando o bico curvado lateralmente na vasa, quanto pela perseguição visual ativa, correndo velozmente atrás de pequenos crustáceos; tem por hábito transportar as presas cobertas de silte até poças ou à linha d´água para lavá-las antes da deglutição.
Comportamento: Destaca-se por uma conduta irrequieta, viva e altamente dinâmica ao longo das marés baixas. Ao se deslocar, caminha em passos curtos e frenéticos, interrompidos por paradas súbitas onde balança e arqueia a porção posterior do corpo de forma convulsiva e ritmada. Alimenta-se com frequência de modo solitário ou em pequenos grupos frouxos, mas busca dormitórios coletivos durante a maré cheia, descansando agrupada em bandos densos com outras aves limícolas. Apresenta voo potente, rápido e rente à lâmina d´água, exibindo uma nítida faixa branca na borda posterior das asas secundárias.
Nidificação: A estação reprodutiva principia entre o final de maio e os primeiros dias de junho, logo após o degelo dos rios boreais. O ninho é uma depressão rudimentar e rasa escavada no solo arenoso ou entre o cascalho fino, posicionada próxima às margens e disfarçada entre detritos lenhosos carreados pelas cheias e tufos de capim seco. A postura compõe-se regularmente de quatro ovos em formato piriforme, de tonalidade oliva-clara ou camurça, densamente ornamentados por máculas marrom-escuras. Ambos os progenitores revezam-se na incubação por um intervalo de 22 a 24 dias. Os filhotes são precociais, abandonando a cavidade do ninho pouco tempo após a eclosão, adquirindo independência e capacidade de voo em torno do primeiro mês.
Categoria de conservação: Encontra-se avaliada globalmente na categoria de Pouco Preocupante (LC) pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Não obstante a sua vasta distribuição e elevado efetivo populacional total, várias populações migratórias enfrentam declínios preocupantes em decorrência do aterro sistemático e da perda drástica de áreas de descanso intermarés essenciais na bacia do mar Amarelo, intensificadas pela expansão industrial costeira.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 24/10/2026