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Trachycephalus typhonius

Trachycephalus typhonius

Rana Lechosa

Família: Hylidae
Ordem: Anura
Classe: Amphibia
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Sinônimos: Trachycephalus venulosus.





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Descrição


Apresenta uma morfologia robusta e uma pele extremamente glandular que a diferencia claramente dentro de sua família. Os machos adultos atingem tamanhos entre 70 e 90 mm, enquanto as fêmeas, visivelmente maiores, variam de 80 a 114 mm de comprimento de focinho à cloaca. A coloração do dorso é altamente polimórfica, variando de marrom-claro, cinzento a verde-oliva, frequentemente adornada com grandes manchas irregulares de cor marrom-escura ou enegrecida com contornos bem definidos. Uma característica diagnóstica marcante é a presença de numerosas verrugas e glândulas cutâneas especializadas que secretam um líquido esbrançado, viscoso e altamente irritante quando o animal é manuseado ou ameaçado, funcionando como uma eficiente defesa química contra predadores. Os olhos são grandes e salientes, com uma íris dourada ou bronzeada e delicadas reticulações escuras. Os machos reprodutores exibem sacos vocais duplos e laterais que inflam como balões atrás do ângulo da mandíbula durante a vocalização.

Distribuição geográfica: Distribui-se amplamente pela região neotropical, apresentando uma impressionante amplitude latitudinal. Sua ocorrência estende-se desde as planícies costeiras do leste e oeste do México, passando de forma contínua por toda a América Central, até alcançar a América do Sul. No território sul-americano, está presente na Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Guianas, grande parte do Brasil, Paraguai e alcança seu limite meridional no norte da Argentina. Ocorre predominantemente desde o nível do mar até cerca de 1500 metros de altitude, demonstrando grande plasticidade para habitar variadas formações geográficas.

Ambiente: Ocupa uma ampla gama de ecossistemas, manifestando preferência por florestas tropicais úmidas, florestas estacionais decíduas, savanas arbustivas (como o Cerrado e o Chaco) e áreas florestais secundárias perturbadas. Sendo uma espécie essencialmente arborícola, é comumente encontrada no dossel das florestas, utilizando cavidades em troncos de árvores, axilas de bromélias e outras epífitas como refúgios diurnos para evitar a dessecação. Também é frequentemente registrada em ambientes antropizados, como pomares, jardins urbanos e aderida a paredes externas de edificações próximas a fontes de luz artificial, onde há abundância de presas atraídas pela luminosidade.

Alimentação: Apresenta uma dieta carnívora de caráter oportunista e generalista, alimentando-se de uma ampla variedade de invertebrados terrestres e voadores. Seus itens alimentares mais comuns incluem representantes de diversas ordens de artrópodes, com destaque para coleópteros (besouros), ortópteros (grilos e gafanhotos), lepidópteros (mariposas e borboletas), himenópteros (formigas e vespas) e diferentes tipos de aracnídeos. A captura das presas ocorre por meio da projeção rápida de sua língua pegajosa ou por botes diretos, utilizando suas fortes mandíbulas para subjugar presas relativamente grandes em proporção ao tamanho de sua cabeça.

Comportamento: Possui hábitos estritamente noturnos, permanecendo abrigada durante o dia em fendas úmidas para evitar a perda excessiva de água pela pele. Em períodos de seca severa, entra em estado de estivação, retirando-se para o interior de ocos profundos de árvores, onde reduz drasticamente seu ritmo metabólico e bloqueia a entrada do abrigo com o próprio corpo ou por meio de secreções cutâneas desidratadas. Durante a estação reprodutiva, os machos tornam-se territoriais e emitem um canto de anúncio extremamente potente, caracterizado por um coaxar rouco e rítmico que pode ser ouvido a longas distâncias, utilizando seus sacos vocais duplos para amplificar o som a partir do dossel ou próximo à água.

Reprodução: Comporta-se como um reprodutor explosivo, cujo ciclo reprodutivo é ativado imediatamente após as primeiras chuvas torrenciais da estação úmida. Os adultos realizam migrações em massa do dossel florestal em direção a corpos d´água temporários, como lagoas efêmeras, poças de inundação e pastagens alagadas. Após intensos coros de vocalização, ocorre o amplexo axilar. A fêmea realiza a postura de uma massa gelatinosa contendo de 2000 a 3000 ovos que flutuam na superfície da água. O desenvolvimento dos embriões e larvas é extremamente acelerado; os girinos eclodem em poucas horas e completam a metamorfose rapidamente antes da dessecação do ambiente aquático, alimentando-se ativamente de detritos e microalgas.

Categoria de conservação: Está classificada globalmente na categoria de Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Essa classificação deve-se à sua imensa área de distribuição geográfica, grande tolerância à modificação moderada de seus habitats naturais e populações abundantes e estáveis. Localmente, não há ameaças imediatas que ponham a espécie em risco de extinção, embora o desmatamento severo e a contaminação química de poças temporárias por defensivos agrícolas representem ameaças localizadas que podem afetar populações regionais específicas.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 21/09/2026




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Guillermo Menéndez26/11/2024ParaguaiCentralCampo cercano a la Eco-via Luque San BernardinoLuqueN/AAdultoSimNão



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220100126/11/2024ParaguaiCentralCampo cercano a la Eco-via Luque San Bernardino, LuqueGuillermo Menéndez
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Trachycephalus typhonius – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 21/09/2026.