Saíra-dourada (
Tangara arthus) é uma espécie de ave pertencente à família Thraupidae. É amplamente distribuída e frequentemente comum em florestas de altitude dos Andes (a partir da Bolívia em direção ao norte) e na Cordilheira Costeira Venezuelana, no noroeste da América do Sul.
Sua plumagem é predominantemente amarelo-dourada, com preto nas costas, asas, cauda e coberturas auriculares. Algumas subespécies apresentam coloração parcial ou predominantemente marrom na parte inferior.
Taxonomia e sistemática: A saíra-dourada foi descrita pela primeira vez como
Tangara Arthus por René Primevère Lesson em 1840, com base em um espécime coletado em Caracas, Venezuela. O nome genérico
Tangara deriva da palavra tupi
tangara, que significa dançarino. O nome específico
arthus homenageia Arthus Bertrand, um livreiro francês.
Golden tanager é o nome comum oficial em inglês designado pela International Ornithologists´ Union. Outros nomes em inglês para a espécie incluem "
chestnut-breasted tanager".
A saíra-dourada é uma das 27 espécies do gênero
Tangara. Dentro do gênero, integra um grupo de espécies com a , saíra-ouro, saíra-esmeralda, saíra-de-papo-prateado, saíra-de-cabeça-dourada, e saíra-cara-de-fogo. Nesse grupo, é táxon-irmão de um clado formado pela saíra-esmeralda e pela saíra-de-papo-prateado. Essa posição é apoiada por evidências de DNA mitocondrial. O seguinte cladograma mostra as relações filogenéticas dentro do grupo de espécies com base no estudo citado:
Subespécies: Existem nove subespécies reconhecidas da saíra-dourada. As subespécies são diferenciadas por variações em sua aparência e distribuição geográfica. Todas as subespécies, exceto
arthus, são por vezes consideradas uma espécie distinta,
Tangara aurulenta, com base nas diferenças de plumagem.
- T. a. arthus (Lesson, 1832): A subespécie nominada. Ocorre nas montanhas do norte e oeste da Venezuela.
- T. a. palmitae (, 1947): Encontrada na encosta ocidental dos Andes em La Palmita, Santander, Colômbia.
- T. a. sclateri (Lafresnaye, 1854): Ocorre nos Andes do leste da Colômbia e, provavelmente, também no sul de Táchira, Venezuela.
- T. a. aurulenta (Lafresnaye, 1843): Encontrada na Sierra de Perijá, Venezuela, e na encosta ocidental dos Andes no leste da Colômbia.
- T. a. occidentalis Chapman, 1914: Ocorre na encosta ocidental dos Andes no centro da Colômbia e em ambas as encostas no oeste da Colômbia.
- T. a. goodsoni Hartert, 1913: Encontrada na encosta ocidental dos Andes no Equador, e provavelmente também no noroeste do Peru.
- T. a. aequatorialis (Taczanowski & Berlepsch, 1885): Ocorre na encosta oriental dos Andes no Equador e áreas adjacentes no norte do Peru.
- T. a. pulchra (Tschudi, 1844): Encontrada na encosta oriental dos Andes, do Amazonas ao Junim, no Peru.
- T. a. sophiae (Berlepsch, 1901): Ocorre na encosta oriental dos Andes, do sudeste do Peru até La Paz e Cochabamba, na Bolívia.
Distribuição e habitat: A saíra-dourada é encontrada na Cordilheira Costeira Venezuelana, na Venezuela, e nos Andes da Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, em altitudes de 700 a 2500 metros, sendo mais comum entre 1000 e 1500 metros. Habita florestas montanas úmidas e perenes, além de bordas de florestas e áreas próximas de crescimento secundário.
Estado de conservação: A subespécie nominada da saíra-dourada é classificada como uma espécie pouco preocupante pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) na Lista Vermelha da IUCN, devido à sua ampla distribuição, relativa abundância e ausência de um declínio populacional suficientemente rápido. As demais subespécies, consideradas uma espécie distinta pela IUCN, também são classificadas como espécies pouco preocupantes pelos mesmos motivos. No entanto, a população da saíra-dourada está em declínio, ameaçada pela destruição de habitat.