É uma ave de rapina noturna de médio porte que se destaca por sua estrutura física robusta, apresentando um comprimento médio de 33 a 38 centímetros e um peso corporal que varia entre 300 e 415 gramas. Possui uma cabeça arredondada e completamente desprovida de penachos auriculares, caracterizada por um proeminente disco facial de coloração laranja-ferrugem ou rufo, emoldurado por finas linhas escuras e destacado por grandes olhos de íris castanho-escura a preta. O padrão de sua plumagem dorsal exibe uma intrincada sobreposição de barras em tons de marrom-escuro, canela e branco, enquanto o peito e o ventre são densamente marcados por listras transversais alternadas de branco e marrom-enegrecido. Sua característica mais marcante e diagnóstica é a densa plumagem de tom rufo-alaranjado brilhante que recobre inteiramente suas pernas e dedos.
Distribuição geográfica: Trata-se de uma espécie endêmica da porção meridional da América do Sul, ocorrendo em uma faixa geográfica que abrange o sudoeste da Argentina e grande parte do território do Chile. No Chile, sua distribuição geográfica estende-se desde a região semiárida de Coquimbo até as florestas frias da Terra do Fogo. No lado argentino, habita principalmente as encostas arborizadas da cordilheira dos Andes na região patagônica, englobando as províncias de Neuquén, Río Negro, Chubut, Santa Cruz e a porção argentina da Ilha Grande da Terra do Fogo.
Ambiente: Habita preferencialmente as florestas temperadas úmidas de tipo valdiviano e ecossistemas florestais primários. Demonstra uma forte associação ecológica com florestas maduras dominadas por árvores do gênero Nothofagus, tais como o coihue, a lenga e o roble-pellín, além de áreas com denso sub-bosque composto por bambus do gênero Chusquea. A presença de árvores antigas, senescentes e com cavidades estruturais profundas é um requisito ecológico vital para o fornecimento de abrigo, proteção contra predadores e locais seguros para sua nidificação.
Alimentação: Apresenta uma dieta carnívora de hábitos generalistas, porém altamente focada no consumo de pequenos mamíferos. Suas presas mais frequentes são roedores florestais nativos, como o rato-de-pelo-longo (Abrothrix olivaceus) e o rato-colilargo (Oligoryzomys longicaudatus). O cardápio é complementado com a captura ocasional de pequenos pássaros passeriformes surpreendidos enquanto dormem no dossel, grandes insetos noturnos (como coleópteros e mariposas) e anfíbios que vivem na serapilheira úmida do solo florestal.
Comportamento: Manifesta hábitos estritamente noturnos e crepusculares, passando o período diurno camuflado e imóvel nos galhos mais densos do dossel florestal, próximo aos troncos principais das árvores. É uma espécie altamente territorial e solitária fora da estação reprodutiva. A comunicação intraespecífica e a delimitação de seus territórios ocorrem por meio de vocalizações complexas, caracterizadas por uma sequência de piados ásperos e pios graves de caráter gutural que ecoam facilmente através do denso sub-bosque.
Nidificação: O ciclo reprodutivo ocorre durante a primavera austral, estendendo-se principalmente entre os meses de setembro e novembro. Por não possuir a capacidade de construir ninhos estruturados com gravetos, depende inteiramente da disponibilidade de cavidades naturais em troncos de árvores velhas e em processo de decomposição, ou da reutilização de ninhos abandonados por outras aves de rapina de maior porte. A postura consiste tipicamente em dois a três ovos brancos, que são incubados exclusivamente pela fêmea por um período de 28 a 30 dias, enquanto o macho assume a responsabilidade de caçar e alimentar a parceira durante todo o processo.
Categoria de conservação: Está classificada globalmente como Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Contudo, suas populações locais enfrentam um declínio contínuo devido à perda, fragmentação e degradação de florestas nativas decorrentes da exploração madeireira, dos incêndios florestais e da conversão de terras para a agricultura e silvicultura de espécies exóticas, o que reduz drasticamente os sítios adequados de nidificação.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 07/08/2026