Apresenta uma silhueta extremamente elegante e aerodinâmica, caracterizando-se como uma ave marinha de porte médio que mede entre 31 e 35 centímetros de comprimento total, com uma envergadura que varia de 77 a 98 centímetros. Durante o período de nidificação, os adultos exibem o dorso em tom cinza-claro, contrastando com as partes inferiores que vão do branco puro ao cinza-esbranquiçado. Sua cabeça é coroada por um característico boné preto brilhante que se estende até a nuca. O bico, forte e pontiagudo, apresenta uma coloração vermelho-alaranjada com a ponta preta, e as patas curtas são de cor vermelho-vivo. A cauda, profundamente bifurcada como a de uma andorinha, confere-lhe uma agilidade de voo impressionante. No período pós-nupcial, a testa torna-se branca e o bico fica quase totalmente preto.
Distribuição geográfica: Possui uma vasta distribuição de caráter holártico. Durante a época de nidificação, estabelece-se em regiões temperadas e subárticas da América do Norte, Europa e Ásia. Sendo uma ave migratória de longa distância, realiza voos transequatoriais para invernar em regiões tropicais e subtropicais do Hemisfério Sul, alcançando as costas da América do Sul, África, sul da Ásia e Australásia. No território brasileiro, é um visitante regular ao longo de toda a zona costeira, com registros expressivos de concentração em praias e lagoas do litoral sul e sudeste do Brasil.
Ambiente: Demonstra grande adaptabilidade ecológica, ocupando diversos ecossistemas aquáticos. Prefere áreas costeiras como praias arenosas, ilhas costeiras, estuários, lagunas e pântanos salgados. Ao contrário de outros trinta-réis, também coloniza com sucesso ambientes continentais no interior dos continentes, estabelecendo suas colônias às margens de grandes lagos de água doce, rios com bancos de areia expostos e represas artificiais, desde que haja áreas limpas e desprovidas de vegetação densa.
Alimentação: Sua dieta é essencialmente piscívora, focada no consumo de pequenos peixes que nadam próximos à superfície da água. Entre as principais presas destacam-se representantes das famílias Engraulidae (manjubas e anchovas), Clupeidae (sardinhas) e Ammodytidae. Também complementa sua nutrição com crustáceos planctônicos, moluscos de corpo mole e insetos voadores capturados no ar. Para pescar, utiliza a técnica de voo peneirado seguido de um mergulho rápido em picado, submergindo apenas parcialmente para capturar a presa com precisão.
Comportamento: É uma espécie altamente gregária, que se reúne em grandes bandos para se alimentar, migrar e realizar a nidificação. Destaca-se pelo voo leve, flutuante e extremamente ágil, com manobras rápidas. Apresenta um forte comportamento territorial e defensivo na colônia de nidificação; os adultos atacam agressivamente intrusos ou potenciais predadores por meio de voos rasantes e vocalizações ásperas e estridentes. Seus movimentos migratórios são altamente sincronizados, movendo milhares de indivíduos ao longo de rotas costeiras e oceânicas bem estabelecidas.
Nidificação: O ciclo de nidificação ocorre em colônias populosas e barulhentas estabelecidas em praias, ilhas ou dunas. O ninho é uma depressão simples escavada na areia ou cascalho, às vezes forrada com fragmentos de conchas e restos de vegetação seca. A fêmea realiza a postura de 2 a 3 ovos de coloração críptica (tons de verde ou marrom com manchas escuras). Ambos os pais revezam-se na incubação por 21 a 25 dias e colaboram ativamente na alimentação dos filhotes semiprecociais até que estes atinjam a idade de voo.
Categoria de conservação: Globalmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica a espécie Sterna hirundo como de Pouco Preocupante (LC), devido à sua ampla distribuição geográfica e grande tamanho populacional. No entanto, localmente, muitas populações enfrentam sérios declínios. As principais ameaças incluem a perda e degradação de praias devido à especulação imobiliária e ao turismo massivo, a perturbação humana direta nos sítios de nidificação, a poluição química e por plásticos, e a predação de ovos e filhotes por animais domésticos introduzidos (como gatos e cães) e ratos, que reduzem drasticamente o sucesso da nidificação.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 12/08/2026