É uma espécie de pato de médio porte que exibe um acentuado dimorfismo sexual durante o período reprodutivo. Os machos adultos em plumagem nupcial são facilmente reconhecidos por apresentarem uma coloração vermelho-canela intensa na cabeça, pescoço, peito e flancos, que contrasta com o dorso escuro e com os olhos de um marcante tom de vermelho-vivo. As fêmeas, por outro lado, exibem uma plumagem críptica de cor marrom-carijó, excelente para camuflagem na vegetação palustre, apresentando uma coroa escura na cabeça e um bico longo e ligeiramente espatulado. Em voo, ambos os sexos revelam uma grande mancha de cor azul-celeste nas coberteiras anteriores das asas, delimitada por uma faixa branca e por um espéculo de tom verde-iridescente. O comprimento total do corpo varia entre 38 e 48 centímetros, com uma envergadura que alcança de 60 a 70 centímetros e peso médio que oscila entre 350 e 450 gramas.
Distribuição geográfica: Apresenta uma ampla distribuição geográfica no continente americano, com populações fragmentadas que se estendem desde a América do Norte até o extremo sul da América do Sul. No hemisfério norte, nidifica desde o sudoeste do Canadá e oeste dos Estados Unidos até o norte do México, migrando para a América Central durante o inverno. No hemisfério sul, ocorre de forma residente ou migratória na região andina da Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, bem como nas planícias do Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e no extremo sul do Brasil (principalmente no estado do Rio Grande do Sul), estendendo seu limite austral até a Patagônia.
Ambiente: Habita preferencialmente zonas úmidas rasas de águas calmas, sejam elas doces ou salobras, que disponham de abundante vegetação emergente. Seus habitats típicos incluem pântanos de água doce, lagoas temporárias, banhados, estuários, represas e canais de irrigação agrícola. Evita rios de correnteza rápida e corpos de água profundos que não ofereçam margens vegetadas, uma vez que depende estreitamente de macrófitas aquáticas, como juncos (Scirpus spp.) e taboas (Typha spp.), para abrigo, nidificação e proteção contra predadores.
Alimentação: Apresenta hábitos alimentares onívoros, adaptando sua dieta conforme a disponibilidade de recursos em seu habitat ao longo das estações. Alimenta-se filtrando a camada superficial da água com o bico ou mergulhando a cabeça para alcançar o fundo de corpos hídricos rasos. Consome uma quantidade significativa de material vegetal, incluindo sementes de plantas aquáticas, gramíneas, algas e brotos tenros. Essa nutrição herbívora é complementada com uma diversidade de invertebrados aquáticos, tais como larvas de insetos, pequenos crustáceos, moluscos e besouros d´água, essenciais para o aporte de proteínas das fêmeas reprodutoras.
Comportamento: Trata-se de uma ave com atividade predominantemente diurna, geralmente observada em casais ou em pequenos grupos familiares, demonstrando hábitos menos gregários do que outros marrecos fora do período de migração estacional. Durante a época de acasalamento, os machos realizam exibições de cortejo elaboradas, caracterizadas por movimentos verticais da cabeça, nados rápidos ao redor da fêmea e abertura parcial das asas para exibir as brilhantes manchas azuis. É uma voadora ágil, com capacidade de decolar quase verticalmente a partir da superfície da água quando assustada.
Nidificação: A formação dos casais monógamos ocorre antes da chegada às áreas de reprodução. O ninho é construído exclusivamente pela fêmea em solo seco, estrategicamente ocultado sob vegetação herbácea densa nas proximidades da água. A estrutura consiste em uma depressão rasa forrada com folhas secas, caules finos e uma generosa quantidade de plumas de penugem que a própria fêmea retira de seu peito. A postura é composta por 4 a 11 ovos de coloração creme ou amarelada. A incubação dura entre 21 e 25 dias e é realizada apenas pela fêmea, enquanto o macho se afasta para realizar a muda de plumagem. Os filhotes são nidífugos, abandonando o ninho poucas horas após o nascimento para seguir a mãe, e tornam-se aptos a voar entre 7 e 8 semanas de vida.
Categoria de conservação: Está classificada como Pouco preocupante (LC) pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Embora sua população global seja considerada grande e estável, as populações em escala regional enfrentam constantes ameaças devido à perda de habitat provocada pela drenagem de áreas úmidas para a expansão agropecuária, pela poluição hídrica por pesticidas e por secas prolongadas decorrentes das mudanças climáticas.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 26/07/2026