Taxonomia: Forma muito debatida pela ciência. Berlioz (1959) descreveu Serpophaga griseiceps com base em quatro espécimes provenientes de Cochabamba, Bolívia. Traylor (1979, 1982) considera S. griseiceps como juvenis de S. munda, e Remsen e Traylor (1989) ratificam isso. Straneck (1993) revalida S. griseiceps para um táxon encontrado na Argentina que não vocaliza como S. "munda" nem como S. subcristata. Herzog e Mazar Barnett (2004) mencionam que o trabalho de Straneck (1993) possui problemas metodológicos, afirmando que os espécimes S. griseiceps de Berlioz (1959) representam juvenis de S. munda e os espécimes S. griseiceps de Straneck são aparentemente uma espécie críptica ainda não descrita de Serpophaga. Straneck (2007) descreve uma nova espécie chamada Serpophaga griseicapilla para os exemplares “ S. griseiceps de Straneck” e detalha que o erro dos autores que insistem que S. griseiceps são juvenis de S. munda vem do fato de seus estudos serem baseados apenas em peles e não realizarem análises acústicas das espécies, esclarecendo que são necessários estudos desse tipo nas populações da Bolívia para esclarecer S. griseiceps de Berlioz (1959). Além disso, acrescenta que no norte e oeste da Argentina foram observados exemplares de S. griseicapilla com muito pouco amarelo ventral ou simplesmente brancos na região ventral e subcaudal, o que coincide com o que acontece com as subespécies de S. subcristata, quanto mais árida for a região, menos coloração elas possuem.
Comparação com o Piojito Comum (Serpophaga subcristata): Espécies gêmeas muito difíceis de diferenciar em fotografias. O Piojito Trinador possui uma coroa cinza-marrom uniforme, quase sem branco. Os adultos possuem algumas penas pretas com base branca na coroa, embora o branco esteja geralmente coberto e não visível, nunca possuindo tanto branco na coroa quanto o Piojito Comum. O tamanho é menor que o do Piojito Comum.
Vocalização: É diferenciável do Piojito Comum por seu repertório acústico, que eles repetem ao longo do ano, embora com maior frequência durante o período reprodutivo. Vale ressaltar que algumas vocalizações do Piojito Comum poderiam ser consideradas trilos, o que poderia confundir pessoas que não conhecem detalhadamente a vocalização característica do Piojito Trinador, ou seja, não apenas o Piojito Trinador "trila".
Distribuição geográfica: Reproduz-se em simpatria com S. s. munda (a subespécie do oeste do Piojito Comum) de Chubut a Salta na região árida do centro e oeste da Argentina, do norte da província de Chubut, região andina de Mendoza, San Juan, Catamarca, La Rioja, Tucumán, Salta e Jujuy; centro e leste de Río Negro, centro e oeste de La Pampa, centro e oeste de Córdoba e Santiago del Estero, oeste de Chaco e Formosa.
Migração: Coexiste com S. s. subcristata (a subespécie do leste da Argentina do Piojito Comum) apenas durante o período outono-inverno, quando migra longitudinalmente para o leste de Formosa, leste de Córdoba e leste de Santiago del Estero, Buenos Aires, Entre Ríos, Santa Fe, Corrientes, Chaco, Misiones. E eventualmente chega ao Paraguai, Brasil e Uruguai.
Comportamento: O comportamento do Piojito Trinador e Piojito Comum é semelhante, saltando e batendo asas em curtas distâncias nas ramas das árvores para capturar pequenos artrópodes, por isso as diferenças de comportamento não são consideradas válidas até que mais estudos sobre este gênero sejam publicados.
Autor desta compilação: Jorge La Grotteria - 04/05/2016
Ver literatura relacionada