Senecio brasiliensis, popularmente conhecida como
maria-mole, é uma espécie de planta da família Asteraceae, nativa da América do Sul. No Brasil, ocorre com frequência na região Sul, sendo comum em áreas de campo, como os Pampas.
A espécie é amplamente reconhecida por sua importância em medicina veterinária devido à sua alta toxicidade, especialmente para o gado bovino. Representa uma importante causa de morte em bovinos, e estima-se ser responsável por mais de 50% das mortes por plantas tóxicas no Rio Grande do Sul.
Variedades: Esta espécie tem três variedades.
- Senecio brasiliensis var. brasiliensis - Variedade com folhas pinatissectas de 3 a 4 pares de segmentos.
- Senecio brasiliensis var. tripartitus - Variedade com folhas pinatissectas tripartidas com segmentos serreados, seu epíteto se refere a característica das folhas.
- Senecio brasiliensis var. incanus - Variedade que ocorre na argentina e uruguai
Toxicidade: A intoxicação causada pelas plantas
Senecio brasiliensis e
Senecio madagascariensis é denominada seneciose e está associada à presença de alcaloides pirrolizidínicos. Essas substâncias tornam-se tóxicas após biotransformação hepática, formando metabólitos reativos que se ligam ao DNA e inibem a mitose dos hepatócitos, promovendo dano hepatocelular progressivo e irreversível.
A doença geralmente resulta da ingestão repetida de pequenas quantidades da planta ao longo do tempo, o que leva a lesões hepáticas cumulativas. A ingestão ocorre com maior frequência em períodos de escassez de forragem, especialmente durante o inverno, quando a planta se encontra em brotação e apresenta maior concentração de compostos tóxicos.
Entre os principais sinais clínicos, destacam-se a encefalopatia hepática, caracterizada por alterações neurológicas como desorientação e pressão da cabeça contra objetos, e a fotossensibilização hepatógena, que resulta em lesões cutâneas, sobretudo em áreas despigmentadas. Emagrecimento progressivo também é frequentemente observado. As alterações patológicas incluem, macroscopicamente, fígado com consistência aumentada e aspecto compatível com fibrose ou cirrose. Microscopicamente, observa-se megalocitose hepatocelular, considerada uma lesão característica da doença, além de fibrose e desorganização da arquitetura hepática.
O diagnóstico baseia-se na associação entre sinais clínicos, histórico de ingestão e presença da planta na pastagem. Exames complementares, como a biópsia hepática com avaliação histopatológica, podem ser utilizados para confirmação. Não há tratamento específico eficaz para os casos avançados, em razão da irreversibilidade das lesões hepáticas.