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Scytodes globula

Scytodes globula

Araña Escupidora

Família: Scytodidae
Ordem: Araneae
Classe: Arachnida
Filo / Divisão: Arthropoda
Reino: Animalia

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Sinônimos: Scytodes maculata.





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Registros de El Pinar


Descrição


Trata-se de um táxon de aracnídeo altamente característico, facilmente distinguível pelo seu prosoma ou cefalotórax globoso e visivelmente volumoso, que se projeta acima do opistosoma. Essa conformação anatômica peculiar é uma adaptação para acomodar glândulas extremamente desenvolvidas, responsáveis pela produção de uma substância híbrida de seda adesiva e peçonha. Apresenta um padrão cromático conspícuo e ornamentado, exibindo um fundo que varia do amarelo-pálido ao laranja-ocre, interrompido por um arranjo simétrico de manchas e listras marrom-escuras ou pretas que assemelham-se ao padrão de um felino. Suas pernas são excepcionalmente longas, finas e delicadas, exibindo anéis concêntricos claros e escuros alternados. Ao contrário da maioria dos aracnídeos, possui apenas seis olhos organizados em três grupos de dois (díades). Os machos adultos apresentam um comprimento corporal de 3 a 7 milímetros, enquanto as fêmeas, maiores, variam entre 7 e 12 milímetros, sem considerar a amplitude das pernas, que podem multiplicar consideravelmente o seu tamanho aparente.

Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída na porção ocidental e meridional da América do Sul. Sua presença é extremamente comum em todo o território do Chile, estendendo-se desde as áreas áridas setentrionais de Arica e Parinacota até os ambientes mais frios e úmidos da Patagônia, na região de Aisén. Adicionalmente, existem registros consistentes de populações estabelecidas em diversas províncias da Argentina, nos vales costeiros e interandinos do Peru, em vales de altitude na Bolívia, bem como nas regiões meridionais do Uruguai e do Brasil, evidenciando sua grande capacidade de colonização no continente sul-americano.

Ambiente: Demonstra uma forte predileção por hábitos sinantrópicos, ajustando-se perfeitamente aos ambientes construídos pelo ser humano. É encontrada com grande frequência no interior de residências, depósitos, escritórios e galpões agrícolas, onde prefere colonizar cantos escuros, fendas em paredes, frestas atrás de quadros e móveis pouco manipulados. Em ambientes naturais e silvestres, habita sob cascas de árvores em decomposição, fendas de rochas, folhedo acumulado e áreas de matagal esclerófilo ou semiárido, buscando sempre refúgio contra a dessecação e predadores de maior porte.

Alimentação: Atua como um predador carnívoro especializado, exercendo um papel de extrema relevância no controle biológico de pragas domésticas. Sua dieta consiste em uma grande variedade de pequenos artrópodes, incluindo moscas, mosquitos, traças-de-livro, mariposas e outras aranhas. Destaca-se significativamente por ser o principal predador natural de Loxosceles laeta, conhecida popularmente como a aranha-marrom ou aranha-de-canto. Para capturar suas presas, não utiliza teias de captura estáticas; em vez disso, rastreia ativamente suas vítimas e as imobiliza por meio de sua secreção adesiva projetável.

Comportamento: Apresenta hábitos majoritariamente noturnos e um padrão de locomoção extremamente lento, cauteloso e silencioso, o que minimiza a detecção por parte de presas e potenciais ameaças. Para compensar sua falta de velocidade física, desenvolveu um método de caça balístico singular: ao se aproximar de sua presa a uma distância de 1 a 2 centímetros, comprime o cefalotórax para expelir pelos quelíceros dois jatos de líquido viscoso e peçonhento em formato de zigue-zague. Essa ejeção ocorre em apenas 1/700 de segundo, solidificando-se no ar e fixando a presa contra a superfície de forma instantânea. Após neutralizar a locomoção da presa, aproxima-se com segurança para desferir a picada letal, injetando enzimas digestivas para dissolver e sugar o conteúdo interno do alvo.

Reprodução: O ciclo reprodutivo desta espécie é caracterizado por rituais de cortejo refinados e cautelosos, indispensáveis para evitar o canibalismo por parte da fêmea. O macho aproxima-se com movimentos milimetricamente pausados, realizando vibrações rítmicas com os apêndices no substrato para indicar suas intenções de acasalamento. Consumada a cópula, a fêmea produz um casulo esférico de seda frouxa e esbranquiçada onde deposita seus ovos. De forma singular, a fêmea carrega esse saco de ovos firmemente preso aos seus quelíceros e pedipalpos, demonstrando um cuidado maternal intenso que limita sua própria capacidade de alimentação durante todo o período embrionário. Ao eclodirem, os filhotes permanecem sob a proteção da mãe por um curto período antes da dispersão definitiva.

Categoria de conservação: Atualmente, esta espécie não foi avaliada formalmente de acordo com os critérios estabelecidos pela Lista Vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), sendo classificada de forma preliminar como de Pouco preocupante ou Não avaliada nos inventários nacionais de biodiversidade. Sua estreita associação com habitações urbanas e sua distribuição geográfica contínua asseguram a estabilidade de suas populações, sem que haja ameaças evidentes que coloquem em risco sua sobrevivência no ecossistema.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 21/08/2026




Distribuição geográfica


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ID de Fotografia: 153160
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Canelones
Uruguai
22/05/2016
Mauricio Silvera



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44214422/05/2016UruguaiCanelonesEl PinarMauricio Silvera
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Scytodes globula – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 14/09/2026.