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Riodina lysippoides

Riodina lysippoides

Danzarina Chica

Família: Riodinidae
Ordem: Lepidoptera
Classe: Insecta
Filo / Divisão: Arthropoda
Reino: Animalia

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Registros de Calle 63


Descrição


Apresenta uma envergadura de aproximadamente 28 a 35 milímetros, destacando-se como um lepidóptero de padrão cromático altamente contrastante e de extrema beleza. A face dorsal de suas asas exibe um fundo castanho-escuro a preto-carbono, cortado transversalmente por uma vistosa e brilhante faixa de cor laranja ou vermelho-alaranjado que percorre de forma contínua tanto as asas anteriores quanto as posteriores. Uma das características morfológicas mais singulares deste táxon é a presença de pequenas manchas e linhas prateadas com brilho metálico dispostas de forma irregular ao longo das margens e nas zonas basais das asas, que refletem intensamente sob a luz solar direta. Em contrapartida, a face ventral apresenta uma coloração muito mais clara, dominada por tons pardo-acinzentados e amarelados associados a um intrincado padrão de ocelos e linhas prateadas que garantem uma camuflagem eficiente quando o inseto pousa com as asas fechadas. Suas antenas são visivelmente delgadas, apresentando um característico anelado preto e branco e terminando em uma clava antenal bem definida de cor escura com o ápice claro. Os machos possuem o primeiro par de pernas atrofiado e desprovido de garras, um traço anatômico e evolutivo característico que partilha com os demais membros de sua família.

Distribuição geográfica: Distribui-se principalmente na porção meridional e central da América do Sul. Sua área de ocorrência conhecida abrange amplas regiões do centro e norte da Argentina, estendendo-se de maneira contínua por todo o território do Uruguai, as zonas central e oriental do Paraguai, e alcançando os estados do sul do Brasil, com registros particularmente abundantes no estado do Rio Grande do Sul. É um componente faunístico característico das ecorregiões do Chaco Úmido, das áreas de transição do Espinal e das matas ciliares que acompanham o sistema hidrográfico do Rio da Prata.

Ambiente: Ocorre preferencialmente em florestas xerófitas nativas, matagais semiáridos, matas de galeria e bosques temperados abertos de planície. Em sua área de distribuição mais austral, demonstra uma associação ecológica extremamente íntima e dependente com os denominados talares de barranca, formações florestais nativas que crescem sobre solos calcários e dunas fósseis, dominadas por árvores do gênero Celtis. Também pode ser encontrada em ambientes seminaturais e áreas alteradas pela ação humana de baixa intensidade, tais como jardins urbanos, parques públicos, margens de estradas rurais e pastagens arbustivas, desde que haja presença de remanescentes de sua planta hospedeira e fontes estáveis de água.

Alimentação: Na fase de imago ou adulto, utiliza seu aparelho bucal do tipo espiroba para sugar ativamente o néctar de uma ampla gama de plantas vasculares, demonstrando preferência por flores silvestres das famílias Asteraceae e Verbenaceae. É comum observar os adultos absorvendo sais minerais e umidade diretamente do solo úmido, frutos em decomposição, excrementos de animais e seiva exsudada de troncos de árvores. Já a fase larval é estritamente fitófaga e altamente especialista, alimentando-se quase de forma exclusiva das folhas jovens do tala (Celtis tala, também classificado como Celtis ehrenbergiana), uma espécie de árvore espinhosa essencial para que a espécie complete seu ciclo de vida.

Comportamento: Apresenta hábitos estritamente diurnos e heliófilos, concentrando suas atividades de voo durante as horas de radiação solar mais intensa, do meio da manhã ao início da tarde. Seu voo é descrito como rápido, errático e próximo ao solo, raramente ultrapassando a altura do estrato arbustivo. Os machos manifestam um comportamento territorial marcante conhecido como "perching" ou poleiro, posicionando-se estrategicamente na face inferior ou superior de folhas ensolaradas nas bordas das matas, de onde partem em voos rápidos de inspeção para afastar competidores ou interceptar fêmeas receptivas. Ao pousarem sobre a vegetação, costumam manter as asas abertas ou semiabertas para fins de termorregulação.

Reprodução: O ciclo reprodutivo tem início com o cortejo nupcial, seguido pela postura individual dos ovos pela fêmea sob as folhas ou brotos novos da planta hospedeira. Os ovos são minúsculos, hemisféricos, de coloração verde-clara e ornamentados com estrias longitudinais que os mimetizam perfeitamente com a superfície foliar. Após um curto período de incubação, emergem as pequenas lagartas, que possuem corpo achatado, coloração verde-clara com listras longitudinais amareladas e são cobertas por cerdas finas ou pelos protetores que as protegem de pequenos predadores. Ao final do desenvolvimento larval, a lagarta fixa-se por um cinturão de seda e pelo cremáster para formar uma crisálida de cor cinza-acastanhada, permanecendo mimetizada entre cascas de árvores ou folhas secas até a emergência do adulto, processo que costuma demorar entre dez e quinze dias em condições climáticas favoráveis.

Categoria de conservação: Não foi formalmente avaliada em nível global pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), carecendo de uma categoria na Lista Vermelha global. Contudo, em termos regionais, suas populações enfrentam ameaças crescentes devido à perda e fragmentação das florestas nativas de tala, à conversão de terras para a agricultura e pastagens, ao avanço da urbanização e ao uso massivo de defensivos agrícolas químicos. A preservação de remanescentes florestais nativos e o cultivo de plantas hospedeiras em áreas urbanas são medidas essenciais para garantir a conservação desta borboleta a longo prazo.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 25/08/2026




Distribuição geográfica


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225840616/02/2025ArgentinaBuenos AiresCalle 63, Hudson1Pablo Richter
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Riodina lysippoides – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 14/09/2026.