Apresenta uma morfologia robusta e atarracada, com comprimento que varia entre 60 e 120 milímetros, demonstrando um claro dimorfismo sexual no qual as fêmeas adultas são consideravelmente maiores que os machos. Sua pele é extremamente glandular e áspera, coberta por tubérculos espinhosos queratinizados que dão nome à espécie. A coloração do dorso é altamente variável, exibindo tons de marrom-amarelado, cinza-claro ou verde-oliva escuro, frequentemente adornados com manchas escuras irregulares, enquanto o ventre apresenta um tom mais claro de branco-creme com pontilhados acinzentados. Destacam-se as glândulas parotoides elípticas e bem desenvolvidas localizadas atrás dos olhos, os quais possuem pupilas horizontais e íris de cor dourada.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuído ao longo da cordilheira dos Andes na América do Sul. Sua ocorrência se estende desde o centro e sul do Peru, passando pelo oeste da Bolívia, até as regiões andinas e subandinas da Argentina (atingindo as províncias de Mendoza e Neuquén) e o norte e centro do Chile (até a região de Coquimbo). Habita uma faixa altitudinal extraordinária, que varia de 1.000 a mais de 4.500 metros acima do nível do mar, figurando entre os anfíbios que conseguem sobreviver em algumas das maiores altitudes do planeta.
Ambiente: Ocorre em ecossistemas de alta montanha submetidos a condições climáticas severas e de extrema aridez. É uma espécie intimamente associada à puna, ao páramo, a estepes arbustivas andinas e a pastagens de altitude. Embora viva em áreas predominantemente secas, sua sobrevivência depende da proximidade com corpos de água como bofedais (turfeiras de altitude), riachos de fluxo lento, lagoas andinas, canais de irrigação e áreas agrícolas úmidas, onde busca abrigo sob rochas ou em fendas profundas no solo para se proteger da radiação solar intensa e do congelamento noturno.
Alimentação: Classifica-se como um predador insetívoro generalista e oportunista, que se alimenta de uma grande variedade de invertebrados terrestres. Sua dieta é composta principalmente por coleópteros (besouros), himênopteros (formigas e vespas), hemípteros, dípteros, aranhas e, ocasionalmente, pequenos gastrópodes. Utiliza uma estratégia de caça baseada na espreita passiva, detectando os movimentos das presas através de sua visão aguçada e capturando-as rapidamente por meio de sua língua protrátil e altamente aderente.
Comportamento: Demonstra uma flexibilidade ecológica notável para lidar com as extremas flutuações de temperatura do ambiente andino. Enquanto as populações que habitam altitudes mais baixas apresentam atividade predominantemente noturna, as populações de áreas extremamente elevadas mostram comportamento diurno ativo, aproveitando a radiação solar direta para realizar a termorregulação. Durante os meses rigorosos do inverno austral, o animal entra em um estado de brumação, abrigando-se em profundas tocas subterrâneas ou sob grandes pedras planas que ajudam a manter a temperatura estável.
Reprodução: Ocorre de forma sazonal, coincidindo tipicamente com o período de chuvas da primavera e do verão ou com o degelo das montanhas entre os meses de outubro e março. Os machos se reúnem em corpos de água rasos e calmos, emitindo cantos de anúncio de baixa frequência para atrair as fêmeas. O acasalamento ocorre por meio de um amplexo axilar, após o qual a fêmea deposita longos cordões gelatinosos contendo de 2.000 a 10.000 ovos escuros, que são fixados à vegetação submersa ou depositados diretamente sobre o substrato lodoso. O desenvolvimento dos girinos e a metamorfose ocorrem de maneira muito rápida para evitar a dessecação em poças temporárias.
Categoria de conservação: Está classificado como Pouco Preocupante (LC) pela União Internacional para a Conservação de la Natureza (UICN), em razão de sua ampla distribuição geográfica e da capacidade de tolerar certas alterações em seu habitat. Contudo, populações locais enfrentam ameaças crescentes devido à degradação do habitat causada pelo sobrepastoreio, contaminação de recursos hídricos por atividades mineradoras e agrícolas, escassez de água decorrente do recuo de geleiras por mudanças climáticas, e a ameaça potencial da quitridiomicose provocada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 23/08/2026