Configura-se como um dos maiores e mais conspícuos insetos hemípteros da região neotropical, pertencente à espécie Quesada gigas. Destaca-se por uma envergadura alar impressionante que varia entre 110 e 120 milímetros, associada a um comprimento corporal que oscila de 35 a 45 milímetros. Sua coloração apresenta um padrão críptico altamente evolutivo, misturando tons de marrom, ocre, verde-oliva e preto, o que confere uma camuflagem perfeita contra o córtex dos troncos arbóreos. A cabeça é larga, provida de olhos compostos proeminentes e três ocelos dispostos de forma triangular. As asas anteriores e posteriores são totalmente membranosas e hialinas, com nervuras bem marcadas de coloração esverdeada a marrom na base. Os machos possuem órgãos produtores de som altamente especializados, chamados tímbalos, localizados na base do abdômen e protegidos por opérculos desenvolvidos.
Distribuição geográfica: Apresenta uma ampla distribuição geográfica no continente americano, ocorrendo desde o sul dos Estados Unidos (com forte presença no estado do Texas), passando por todo o território do México, pela América Central (incluindo países como Guatemala, Honduras e Costa Rica), até atingir vastas porções da América do Sul, com registros documentados na Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e com extrema abundância em diversas regiões do Brasil.
Ambiente: Ocorre em uma ampla gama de ecossistemas florestais, habitando desde florestas tropicais secas e matas úmidas densas até biomas de savana, como o Cerrado brasileiro. Além disso, demonstra uma plasticidade ecológica notável ao colonizar com facilidade parques urbanos, plantações silviculturais, pomares agrícolas e arborização urbana de grandes metrópoles, desde que existam árvores lenhosas de médio a grande porte para sustentar suas populações.
Alimentação: Demonstra um regime alimentar estritamente fitófago e sugador em todas as fases ativas do seu desenvolvimento. Os adultos utilizam seu aparelho bucal picador-sugador modificado, o rostro, para perfurar os ramos e troncos de árvores, extraindo a seiva elaborada de plantas vasculares, demonstrando preferência por hospedeiros da família Fabaceae. Por outro lado, as ninfas subterrâneas nutrem-se exclusivamente da seiva do xilema obtida das raízes profundas das plantas hospedeiras, utilizando suas patas anteriores fossoriais para escavar e acessar essas fontes de nutrientes.
Comportamento: É amplamente reconhecido pela emissão de um dos sinais acústicos mais potentes entre os insetos. Os machos produzem uma estridulação contínua e penetrante que pode ultrapassar os 100 decibéis, utilizada primariamente para atração sexual e marcação territorial. Esse canto é intensificado durante as horas crepusculares e nos dias mais quentes do final da estação seca ou início do período chuvoso. Possui hábitos essencialmente arborícolas, mantendo-se camuflado nos troncos durante o dia. Quando ameaçado, executa um voo rápido, errático e ruidoso para despistar predadores e parasitas.
Reprodução: Inicia seu ciclo de vida quando a fêmea fertilizada utiliza seu ovopositor rígido e denteado para realizar incisões na casca de galhos jovens, depositando fileiras de ovos alongados e esbranquiçados. Após a eclosão, as minúsculas ninfas despencam em direção ao solo e enterram-se imediatamente a profundidades que variam de 30 a 100 centímetros. Esta fase subterrânea estende-se por um período de dois a quatro anos, período no qual passam por diversas ecdises. Ao completarem o desenvolvimento ninfal, emergem em massa do solo com as primeiras chuvas sazonais, escalam os troncos e realizam a última muda, abandonando sua exúvia para dar origem aos adultos alados, cuja longevidade é de poucas semanas voltadas exclusivamente ao acasalamento.
Categoria de conservação: Não foi submetida a uma avaliação formal pela Lista Vermelha da UICN (Não Avaliada - NE). Contudo, em razão de sua vasta distribuição geográfica e capacidade de colonizar ambientes antropizados, não se encontra em risco iminente de extinção. As ameaças de caráter local derivam da deforestação e fragmentação florestal intensa, da conversão de terras para a agricultura mecanizada e do uso abusivo de defensivos agrícolas e inseticidas químicos em áreas urbanas e rurais, afetando as populações adultas e as ninfas subterrâneas.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 05/09/2026