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Puffinus puffinus

Bobo-pequeno


Puffinus puffinus

(Brünnich, MT, 1764)
Pardela Boreal
Manx Shearwater

Família: Procellariidae
Ordem: Procellariiformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Sinônimos: Procellaria puffinus.

Subespécies:





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Registros de Área Natural Protegida Península Valdés

Estado de conservação de acordo BirdLife International: Preocupação menor


Descrição


Apresenta-se como um procelariídeo de médio porte que se destaca por sua anatomia altamente aerodinâmica, adaptada para uma existência quase inteiramente pelágica. Mede entre 30 e 38 cm de comprimento, possui uma envergadura de asas que varia de 76 a 89 cm e seu peso oscila entre 350 e 575 gramas. Exibe um contraste de plumagem extremamente marcante e bicolora, caracterizado pelas partes superiores em tom preto-carvão ou marrom-escuro muito denso e as partes inferiores em branco-puro, com uma linha de transição bem definida que passa logo abaixo dos olhos. Suas asas longas, estreitas e rígidas permitem um voo planado dinâmico, inclinando-se de um lado para o outro rente às ondas. O bico é cinza-escuro a preto, delgado, com narinas tubulares conspícuas na base e uma ponta em forma de gancho para segurar presas escorregadias. As patas, de tons rosados e azulados, encontram-se posicionadas no extremo posterior do corpo, o que dificulta severamente a locomoção terrestre, mas atua como propulsor eficiente na natação.

Distribuição geográfica: Esta ave migratória de longa distância nidifica predominantemente nas ilhas do Atlântico Norte, com a grande maioria de sua população reprodutora concentrada na Grã-Bretanha e Irlanda, existindo também colônias menores na Islândia, nos arquipélagos dos Açores, da Madeira, das Ilhas Canárias e em ilhas costeiras no leste do Canadá. Ao término do ciclo reprodutivo, inicia uma espetacular migração transequatorial de mais de 10.000 quilômetros em direção ao hemisfério sul, passando o inverno austral nas águas altamente produtivas do Atlântico Sul, particularmente ao longo do talude continental do Brasil, Uruguai e norte da Argentina, demonstrando um nível de filopatria extraordinário ao retornar ao mesmo ninho todos os anos.

Ambiente: É uma espécie estritamente marinha e pelágica que vive em mar aberto durante a maior parte do ano, concentrando-se em áreas de plataforma continental e zonas de ressurgência rica em nutrientes. Suporta uma ampla variação de climas marinhos, navegando desde águas subpolares frias até águas tropicais e subtropicais ao longo de suas rotas migratórias. Requer ambientes terrestres unicamente para a sua reprodução, selecionando ilhas oceânicas isoladas e livres de predadores, falésias costeiras íngremes, encostas gramadas ou áreas cobertas por rochas e turfa, onde o solo macio facilita a escavação de galerias subterrâneas.

Alimentação: Possui hábitos alimentares carnívoros, baseando sua dieta fundamentalmente em pequenos peixes pelágicos formadores de cardumes, tais como a sardinha, a anchova, a cavala, o espadilha e o galeota. Complementa sua nutrição com o consumo de cefalópodes de pequeno porte, crustáceos diversos e resíduos orgânicos descartados por barcos de pesca comercial. Captura suas presas por meio de mergulhos rasos, lançando-se no mar a partir de baixas altitudes e nadando sob a água de forma extremamente ativa com o auxílio de suas asas parcialmente dobradas, conseguindo atingir profundidades significativas na perseguição dos peixes.

Comportamento: Revela um comportamento altamente gregário no mar, formando imensas concentrações flutuantes, denominadas balsas, nas proximidades das colônias de nidificação ao entardecer. Em terra firme, exibe hábitos rigorosamente noturnos, aproximando-se de seus ninhos apenas sob a proteção da escuridão total para evitar ataques de gaivotas e moleiros. Devido à posição traseira de suas pernas, sua locomoção terrestre é desajeitada e lenta, forçando a ave a arrastar-se com o peito rente ao solo. É dotada de um sistema de orientação incrivelmente preciso, que utiliza o olfato, o campo magnético terrestre e coordenadas visuais. Suas vocalizações nas colônias são de tom extremamente áspero, ruidoso e gutural, gerando uma cacofonia marcante que ecoa das profundezas das madrigueiras.

Nidificação Esta espécie estabelece relações monogâmicas de longo prazo, mantendo o mesmo parceiro e o mesmo ninho por várias estações consecutivas. O período reprodutivo tem início na primavera, quando o casal escava ou limpa uma madriguera subterrânea que pode atingir até um metro de comprimento, utilizando suas garras afiadas e bico forte. A fêmea realiza a postura de um único ovo branco, proporcionalmente grande, que é incubado por ambos os progenitores em turnos rotativos de vários dias, totalizando cerca de 50 dias de incubação. O filhote é alimentado com um óleo estomacal altamente calórico produzido pelos adultos a partir de peixes semidigeridos. Após aproximadamente 70 dias, os pais abandonam o ninho, e o jovem, após um breve período de jejum, realiza o seu primeiro voo em direção ao mar durante a noite, iniciando sua jornada migratória de forma totalmente independente.

Categoria de conservação Encontra-se classificada como Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha da IUCN, refletindo sua vasta população global e ampla área de ocorrência. Apesar disso, as populações reprodutoras locais enfrentam sérias ameaças, sendo a introdução de predadores exóticos (como ratos, gatos domésticos e visons) o fator mais devastador para o sucesso reprodutivo. Adicionalmente, a poluição luminosa de áreas urbanas costeiras causa desorientação severa nos jovens que realizam seus primeiros voos, enquanto a captura acidental em redes de pesca, a ingestão de detritos plásticos oceânicos e as alterações climáticas que afetam a abundância de presas impõem pressões contínuas à conservação do taxão.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 08/08/2026




Distribuição geográfica


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ID RegistroDataHora exataPaísProvincia / DepartamentoLugarFilmadoFotografadoVocalização gravadaObservadoOidaFerido ou mortoIndivíduos quantidadeUsuário ou BibliografiaDetalhe
17957210/01/2013ArgentinaChubutÁrea Natural Protegida Península ValdésSantiago Sainz-trápaga
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Bobo-pequeno (Puffinus puffinus) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 15/09/2026.