Destaca-se dentro de sua família pela sua plumagem singular de tons predominantemente amarelo-azafrão e oliva-escuro. Apresenta um comprimento total de aproximadamente 35 a 40 centímetros e peso variando entre 156 e 174 gramas. A cabeça, o pescoço e as partes inferiores exibem uma coloração amarelo-dourada brilhante, enquanto o dorso, as asas e a cauda apresentam coloração verde-oliva. Uma característica diagnóstica marcante é o seu uropígio vermelho-vivo, bastante visível quando a ave está em voo. O bico é robusto, mas proporcionalmente menor que o de outros tucanos, exibindo uma tonalidade verde-oliva na ponta que se degrada para um tom avermelhado ou rosado na base. Ao redor dos olhos com íris amarela, há uma área de pele nua de cor vermelho-carmim intensa. Apresenta um leve dimorfismo sexual, sendo que a fêmea possui a plumagem da cabeça e do peito com tons mais oliváceos e discretos, além de apresentar o bico ligeiramente mais curto que o do macho.
Distribuição geográfica: É um táxon endêmico do bioma da Mata Atlântica na América do Sul. Sua área de ocorrência estende-se pelo leste e sul do Brasil (do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul), alcançando o extremo nordeste da Argentina (província de Misiones) e a região leste do Paraguai (nos departamentos de Alto Paraná e Caazapá).
Ambiente: Habita primariamente florestas úmidas tropicais e subtropicais de encosta e matas montanas, alcançando altitudes de até 1500 metros acima do nível do mar. É uma espécie típica do docel e do subdocel de florestas primárias bem preservadas, embora também utilize florestas secundárias maduras que possuam uma alta densidade de árvores frutíferas e palmeiras nativas.
Alimentação: Apresenta uma dieta majoritariamente frutívora, atuando como um dos principais dispersores de sementes de grande porte em seu habitat. Consome uma vasta gama de frutos carnosos, com predileção extrema pelos frutos do palmito-juçara (Euterpe edulis), além de frutos de plantas das famílias Myrtaceae, Lauraceae e do gênero Cecropia. Complementa sua dieta de forma oportunista ingerindo proteínas animais, que incluem insetos, aranhas, pequenos lagartos, além de ovos e filhotes de outras aves capturados diretamente nos ninhos.
Comportamento: É uma ave bastante social, frequentemente avistada em casais ou em pequenos grupos familiares de 3 a 10 indivíduos que se deslocam de forma coordenada e ágil pela copa das árvores. Suas vocalizações consistem em notas agudas, metálicas e rápidas, utilizadas para manter a coesão do grupo ou como sinal de alerta. Mantêm a estrutura social por meio do fazer mútuo de penas (allopreening) e de exibições que envolvem o toque e entrelaçamento de bicos entre os membros da mesma bandada, comportamento essencial para a regulação de conflitos hierárquicos.
Nidificação: O período reprodutivo ocorre principalmente entre os meses de outubro e fevereiro. Utiliza cavidades em troncos de árvores para instalar seu ninho, aproveitando ocos naturais resultantes do apodrecimento da madeira ou cavidades escavadas anteriormente por pica-paus de grande porte (família Picidae). A fêmea realiza a postura de 2 a 3 ovos brancos. Ambos os sexos revezam-se na incubação, que dura cerca de 16 dias, e no cuidado subsequente da prole. Os filhotes nascem sem penas e cegos, possuindo almofadas calcâneas nos calcanhares para proteção contra o fundo áspero do ninho. Eles permanecem no interior do oco por cerca de 6 a 7 semanas, sendo alimentados constantemente com frutos e pequenos invertebrados antes de estarem prontos para o primeiro voo.
Categoria de conservação: Atualmente é classificado como Quase Ameaçado (NT) na Lista Vermelha da IUCN. A principal ameaça à sobrevivência da espécie é a perda e fragmentação de seu habitat causadas pelo desmatamento histórico e contínuo da Mata Atlântica para expansão agropecuária. Outros fatores de risco incluem o tráfico de animais silvestres e a exploração predatória do palmito-juçara, o que priva a espécie de sua principal fonte alimentar durante a época de nidificação.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 09/09/2026