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Grazina-de-trindade


Pterodroma arminjoniana

(Giglioli & Salvadori, 1869)
Petrel De Trindade
Trindade Petrel

Família: Procellariidae
Ordem: Procellariiformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Outros nomes comuns: Fardela Heráldica.

Sinônimos: Aestrelata arminjoniana.





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Estado de conservação de acordo BirdLife International: Vulnerável


Descrição


Apresenta-se como uma ave marinha pelágica de porte médio, pertencente à família Procellariidae, exibindo um comprimento total que varia entre 35 e 40 cm, envergadura de asas entre 88 e 102 cm e peso corporal compreendido entre 300 e 450 g. Revela um acentuado polimorfismo em sua plumagem, com indivíduos divididos classicamente em três fases distintas: escura, intermediária e clara. Na fase escura, o padrão cromático é predominantemente marrom-ardósia uniforme em todo o corpo; na fase clara, a face inferior, englobando garganta, peito e ventre, é de um tom branco luminoso, que contrasta com o dorso escurecido e com um colar peitoral mesclado. Indivíduos da fase intermediária exibem gradações cinzentas entre ambos os padrões. A parte inferior das asas evidencia uma área esbranquiçada muito característica na base das rêmiges primárias. O bico é curto, forte, de coloração preta reluzente, exibindo um gancho curvo bem desenvolvido na ponta e narinas tubulares unidas sobre a base do cúlmen. As pernas são curtas, com tarsos variando de rosa claro a cinza e membranas interdigitais com extremidades enegrecidas.

Distribuição geográfica: Encontra-se restrita fundamentalmente à bacia tropical e subtropical do Oceano Atlântico Sul, tendo como principal e quase exclusivo reduto de reprodução global o Arquipélago de Trindade e Martim Vaz, localizado a cerca de 1.150 km a leste da costa do estado do Espírito Santo, no Brasil. Fora da época de reprodução, dispersa-se amplamente sobre o oceano aberto, alcançando águas equatoriais e deslocando-se em direção ao norte ao longo da Corrente do Golfo, chegando regularmente à costa leste dos Estados Unidos e registrando incursões raras até o arquipélago dos Açores.

Ambiente: Habita exclusivamente o domínio oceânico pelágico, passando a grande maioria do ano em mar aberto sobre águas tropicais e subtropicais profundas, afastadas da plataforma continental. O vínculo com o meio terrestre ocorre apenas para fins reprodutivos, restringindo-se a ilhas oceânicas desoladas de origem vulcânica. Nesses ambientes, ocupa penhascos alcantilados, paredões rochosos verticais, encostas de cascalho e fendas de difícil acesso, situadas desde áreas próximas ao nível do mar até os cumes mais elevados e batidos pelo vento.

Alimentação: Concentra a sua dieta na captura de presas marinhas associadas às camadas superficiais da coluna d´água, com nítido predomínio de cefalópodes, especialmente lulas da família Ommastrephidae, peixes pelágicos das famílias Exocoetidae (peixes-voadores) e Myctophidae (peixes-lanterna), além de pequenos crustáceos marinhos. Seu método de forrageamento fundamenta-se na captura por contato superficial e mergulhos rasos durante voos baixos e ágeis sobre as cristas das ondas. Alimenta-se com notável frequência no crepúsculo e à noite, tirando proveito dos movimentos migratórios verticais de organismos bioluminescentes.

Comportamento: É uma exímia voadora dinâmica, empregando correntes de vento oceânicas ascendentes para planar a velocidades elevadas com mínimo esforço muscular. Em mar aberto apresenta costumes solitários, reunindo-se episodicamente em pequenos grupos apenas quando há grande concentração de alimento. Durante o período reprodutivo, suas visitas à terra firme tornam-se intensamente crepusculares e noturnas; nesses momentos, grupos de aves executam perseguições aéreas acrobáticas em torno das escarpas, emitindo vocalizações anasaladas e repetitivas que se assemelham a latidos curtos e assobios penetrantes para a defesa de sítios de ninho e o cortejo sexual.

Nidificação: Ocorre em colônias dispersas em encostas rochosas de topografia acidentada, aproveitando a proteção física natural contra intempéries. Não há elaboração de um ninho complexo; a postura ocorre diretamente sobre o chão pedregoso, em cavidades ou fendas profundas de basalto. A fêmea realiza a postura de um único ovo, de casca esbranquiçada e formato ovalado, que é incubado tanto pelo macho quanto pela fêmea em turnos alternados e prolongados durante um período de 50 a 55 dias. O ninhego nasce semialtricial e recebe cuidados parentais contínuos nos primeiros dias, passando a ser alimentado periodicamente com regurgito de óleo estomacal altamente nutritivo. O desenvolvimento do filhote perdura entre 90 e 100 dias, momento em que o jovem alcança a plumagem definitiva e parte diretamente rumo ao oceano aberto, sem assistência posterior dos progenitores.

Categoria de conservação: Encontra-se categorizada globalmente como Vulnerável (VU) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e listada como criticamente ameaçada em avaliações nacionais brasileiras devido ao número diminuto de sítios reprodutivos. Historicamente, as populações sofreram severas perdas decorrentes da introdução de mamíferos exóticos na Ilha de Trindade, como cabras, porcos e gatos domésticos, que causaram perda drástica da cobertura vegetal nativa e exerceram forte predação sobre ovos e filhotes. O programa exaustivo de erradicação de fauna invasora conduzido com sucesso pela Marinha do Brasil permitiu a recuperação paulatina dos ecossistemas da ilha, favorecendo a estabilização gradual das colônias nidificantes.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 27/10/2026




Distribuição geográfica


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ID RegistroDataHora exataPaísProvincia / DepartamentoLugarFilmadoFotografadoVocalização gravadaObservadoOidaFerido ou mortoIndivíduos quantidadeUsuário ou BibliografiaDetalhe
193524813/03/2018Oceano AtlânticoAguas internacionales - international waters - águas internacionaisFrente a Bahía Blanca - 300 millas de la costa (dentro de límite milla 350)., Cuenca Argentina1Christian Savigny
57310321/07/2003ArgentinaRío NegroGolfo San Matías1Artículo Savigny, C., G. Caille, R. González, G. Harris. 2005. El petrel de Trinidae (Pterodroma arminjoniana) en el Golfo de San Matìas: una nueva especie para Argentina. Hornero, 20(2): 183-186. 
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Grazina-de-trindade (Pterodroma arminjoniana) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 03/11/2026.