Trata-se de uma das maiores e mais robustas aves da família Procellariidae, distinguindo-se por apresentar uma plumagem uniforme marrom-escura a preto-esfumaçado que recobre todo o seu corpo. A característica diagnóstica que lhe dá o nome é uma mancha branca no queixo, cuja extensão é extremamente variável entre os indivíduos, podendo em alguns casos ser quase imperceptível. O bico é forte, grande e de coloração amarelo-pálida ou esverdeada, com sulcos pretos marcados entre as placas córneas e narinas tubulares conspícuas no topo. As pernas e as membranas interdigitais dos pés são totalmente pretas. Apresenta uma envergadura que varia de 134 a 147 centímetros, comprimento total de 51 a 58 centímetros e peso corporal entre 1000 e 1400 gramas, conferindo-lhe uma aparência imponente e asas perfeitamente adaptadas ao voo oceânico contínuo sob condições meteorológicas extremas.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída pelas águas frias e temperadas do Oceano Antártico. Suas colônias de reprodução estão localizadas em ilhas subantárticas isoladas, tais como as Ilhas Geórgia do Sul, Kerguelen, Crozet, Príncipe Eduardo, Marion, Campbell, Auckland, Antípodas e o arquipélago das Ilhas Malvinas. Fora do período reprodutivo, realiza vastos movimentos migratórios circumpolares, alcançando águas temperadas e subtropicais associadas a correntes frias de ressurgência, como a Corrente de Humboldt na América do Sul (costas do Chile e Peru), a Corrente de Benguela na África austral e áreas pelágicas ao sul da Austrália e Nova Zelândia.
Ambiente: É uma espécie essencialmente pelágica, habitando oceanos abertos de alta produtividade biológica, margens da plataforma continental e zonas de ressurgência marinha. O contato com o ambiente terrestre ocorre de forma exclusiva para fins reprodutivos, quando os indivíduos buscam encostas costeiras íngremes e vales úmidos em ilhas oceânicas, preferindo áreas cobertas por vegetação densa de capim-tussok (Poa flabellata), cujo solo macio facilita o trabalho de escavação profunda das galerias de nidificação.
Alimentação: Possui uma dieta carnívora oportunista baseada no consumo de cefalópodes (especialmente lulas das famílias Histioteuthidae e Ommastrephidae), peces mesopelágicos e crustáceos (como o krill antártico, Euphausia superba). Captura suas presas por meio de capturas na superfície ou realizando mergulhos ativos que podem atingir profundidades superiores a dez metros. É amplamente conhecida pela associação frequente com frotas de pesca industrial, seguindo barcos de arrasto e espinheleiros para alimentar-se ativamente de descarte de pesca e restos de processamento.
Comportamento: Demonstra hábitos gregários quando no mar, reunindo-se em bandos numerosos em locais de alimentação abundante. É excelente planadora, dominando as correntes de vento oceânicas com esforço mínimo. Nas colônias reprodutivas, adota hábitos estritamente noturnos para evitar o ataque de predadores aéreos, como as skuas. No interior de suas tocas subterrâneas, exibe intensa atividade vocal, emitindo chamados roucos, estalidos e vocalizações ásperas usados na comunicação entre parceiros e na defesa territorial de seus ninhos.
Nidificação: É um animal monógamo, estabelecendo vínculos duradouros com o parceiro e demonstrando forte fidelidade ao local de postura. O ciclo inicia-se em outubro com a escavação ou reparo de uma toca subterrânea, que pode medir de um a três metros de extensão, terminando em uma câmara revestida com capim seco. Entre novembro e dezembro, a fêmea deposita um único ovo branco. A incubação dura de 57 a 62 dias e é realizada por ambos os pais em turnos alternados. O filhote é alimentado com óleo estomacal calórico e restos de presas semidigeridas, atingindo o desenvolvimento completo e realizando o voo de dispersão entre abril e maio, após 90 a 100 dias do nascimento.
Categoria de conservação: Atualmente é classificada como Vulnerável (VU) na Lista Vermelha da UICN. A principal ameaça à sobrevivência da espécie é a captura incidental em pescarias com espinhel e arrasto, onde milhares de indivíduos morrem afogados ao serem fisgados pelos anzóis ou presos nas redes de pesca durante a operação dos barcos. Outro fator crítico é o impacto de espécies exóticas invasoras introduzidas nas ilhas de nidificação, como ratos (Rattus spp.) e gatos ferais, que atacam ovos e filhotes, além de alterações na cadeia trófica decorrentes das mudanças climáticas globais.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 23/08/2026