É um molusco gastrópode dulcícola de grande porte, caracterizado por apresentar uma concha globosa, espessa e com espiras separadas por suturas profundamente canalizadas. A coloração da concha é extremamente variável, exibindo tons que vão do amarelo-brilhante e dourado ao marrom-esverdeado, frequentemente decorada com faixas espirais escuras. Os adultos medem geralmente entre 40 e 75 milímetros de diâmetro, embora indivíduos excepcionais possam ultrapassar os 120 milímetros. Possui um opérculo córneo de formato concêntrico que veda hermeticamente a abertura da concha. Sua anatomia destaca-se por um sifão respiratório altamente flexível e longo, tentáculos cefálicos conspícuos e um sistema respiratório duplo composto por brânquias e um pulmão funcional.
Distribuição geográfica: Esta espécie é originária das regiões temperadas e tropicais da América do Sul, ocorrendo de forma nativa nas bacias hidrográficas do Rio Amazonas e do Rio da Prata, englobando territórios do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Contudo, devido a introduções acidentais e de cultivo, estabeleceu-se como espécie invasora no sudeste asiático, sul dos Estados Unidos, em ilhas do Pacífico e no sul da Europa, gerando graves desequilíbrios ecológicos.
Ambiente: Ocorre em uma ampla gama de ambientes límnicos lênticos ou de correnteza lenta, tais como pântanos, várzeas, represas, canais de drenagem e campos irrigados de cultivo de arroz. Demonstra grande tolerância a águas com baixos teores de oxigênio dissolvido e flutuações térmicas severas. Diante da seca temporária de seu habitat, sobrevive enterrando-se no substrato úmido, entrando em um estado de estivação metabólica por meses.
Alimentação: Atua como um herbívoro generalista extremamente voraz, alimentando-se principalmente de macrófitas aquáticas, algas e detritos orgânicos. Utiliza uma rádula robusta para raspar e triturar tecidos vegetais tenros. Em áreas onde foi introduzido, seu consumo descontrolado reduz drasticamente a biomassa vegetal, prejudicando a qualidade da água e competindo de forma desleal com a fauna malacológica nativa.
Comportamento: Apresenta hábitos majoritariamente crepusculares e noturnos, permanecendo menos ativo ou semi-enterrado durante o período diurno para evitar a predação. Graças à sua natureza anfíbia, consegue estender seu sifão respiratório até a superfície da água para captar oxigênio atmosférico sem expor o corpo. Quando perturbado ou ameaçado, retrai-se rapidamente para o interior da concha, obstruindo a entrada com o opérculo.
Reprodução: É uma espécie dioica, apresentando sexos separados e fertilização interna. Após o acasalamento na água, as fêmeas migram para fora do ambiente aquático durante a noite para realizar a postura. Os ovos são depositados em massas compactas de coloração rosa-choque ou vermelho-coral, contendo de 200 a 600 ovos aderidos firmemente à vegetação emergente, estacas ou superfícies verticais secas, protegendo-os de predadores aquáticos. O período de incubação varia entre 10 e 15 dias, culminando no nascimento de jovens caracóis que caem diretamente na água.
Categoria de conservação: Em sua área de ocorrência nativa na América do Sul, a espécie possui populações estáveis e abundantes, sendo classificada como Pouco Preocupante (LC). No cenário global, entretanto, está classificada na lista das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo da UICN, devido ao seu imenso potencial de degradação ambiental e impacto negativo na agricultura comercial.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 21/08/2026