Apresenta um corpo robusto, alongado e totalmente desprovido de escamas, revestido por uma pele lisa e mucosa de coloração que varia entre o cinza-prateado, o azul-acinzentado e tons amarelados no dorso, tornando-se uniformemente branca na região ventral. Este siluriforme é facilmente reconhecido por seus três pares de barbilhões táteis extremamente longos, sendo o par maxilar o mais proeminente, estendendo-se frequentemente além do início da nadadeira caudal. A cabeça é grande e achatada, com olhos de tamanho moderado em posição lateral-superior. Suas nadadeiras dorsal e peitorais são munidas de espelhos fortes, rígidos e serrilhados, associados a glândulas secretoras de toxinas que podem causar ferimentos dolorosos quando manuseados ou sob ameaça de predadores. O comprimento médio dos adultos varia entre 30 e 50 centímetros, podendo atingir marcas máximas próximas a 60 centímetros de comprimento padrão e peso superior a 2 a 3 quilogramas em indivíduos plenamente desenvolvidos.
Distribuição geográfica: É uma espécie nativa e amplamente distribuída na Bacia do Rio da Prata, na porção meridional da América do Sul. Sua ocorrência estende-se por grandes sistemas de rios no Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. É um táxon abundante ao longo do rio Paraná, rio Paraguai, rio Uruguai e no estuário do Rio da Prata, demonstrando considerável tolerância a ambientes estuarinos com variações de salinidade.
Ambiente: Ocorre predominantemente em ambientes de águas doces lóticas, ocupando calhas principais de grandes rios, canais profundos e poços fluviais de correnteza moderada a lenta. Demonstra forte preferência por zonas bentônicas com substratos lodosos, arenosos ou argilosos, onde a turbidez da água limita a penetração luminosa. Adicionalmente, habita lagoas marginais conectadas ao sistema fluvial e reservatórios de grande porte, demonstrando expressiva plasticidade para tolerar oscilações nos parâmetros de oxigênio e temperatura da água.
Alimentação: Classifica-se como um peixe onívoro com acentuada tendência carnívora, exibindo comportamento alimentar generalista e oportunista de alta plasticidade. Sua dieta varia conforme a disponibilidade de recursos sazonais e inclui uma ampla variedade de invertebrados bentônicos, como moluscos bivalves (sendo um importante predador do invasor Limnoperna fortunei), larvas de insetos aquáticos, crustáceos como caranguejos e camarões, detritos orgânicos e macrófitas. Os espécimes adultos de maior porte exercem piscivoria ativa, consumindo pequenos peixes e atuando como reguladores ecológicos de relevância no fundo dos corpos d´água.
Comportamento: Demonstra atividade preferencialmente crepuscular e noturna, período no qual utiliza ativamente seus barbilhões sensoriais, dotados de quimiorreceptores, para farejar e capturar presas ocultas no substrato ou em águas escuras. Durante o dia, costuma abrigar-se em depressões profundas no leito do rio ou sob troncos e rochas submersas. Trata-se de uma espécie gregária que forma cardumes significativos, especialmente em períodos de deslocamento espacial. Seus potentes espinhos peitorais e dorsais funcionam como estruturas de defesa mecânica altamente eficientes contra a ação de grandes predadores.
Reprodução: É uma espécie de reprodução externa e fecundação livre, que não realiza qualquer forma de cuidado parental. Realiza migrações reprodutivas de caráter potamódromo, deslocando-se rio acima em direção às cabeceiras durante os meses de primavera e verão (de outubro a março) para efetuar a desova em trechos de correnteza rápida. As fêmeas liberam grandes quantidades de ovócitos pequenos e flutuantes na coluna d´água, os quais são fertilizados externamente pelos machos; a deriva subsequente conduz os ovos e as larvas em desenvolvimento para as planícies de inundação e lagoas marginais, áreas ideais para o crescimento e alimentação juvenil.
Categoria de conservação: Encontra-se catalogado sob o status de Pouco Preocupante (LC) na maior parte das avaliações ambientais regionais e internacionais, reflexo de sua vasta área de ocorrência e estabilidade populacional global. Contudo, as populações locais enfrentam impactos antrópicos cumulativos, decorrentes da pesca comercial e artesanal, da perda de conectividade fluvial provocada pela construção de barragens para usinas hidrelétricas e da degradação da qualidade da água devido ao aporte contínuo de poluição agrícola, urbana e industrial.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 26/09/2026