Trata-se de uma ave marinha de grande porte que impressiona por sua envergadura e silhueta inconfundível, apresentando um comprimento corporal de 1,1 a 1,5 metros e uma envergadura que ultrapassa facilmente os 2,28 metros. Exibe uma plumagem predominantemente pardo-escura no dorso e nas partes inferiores, contrastando de forma marcante com uma faixa branca que corre pelas laterais do pescoço e se estende até a nuca. Durante o período reprodutivo, o topo da cabeça exibe uma coloração amarelo-claro e a nuca desenvolve uma tonalidade castanho-escura. Sua característica mais notável é o bico enorme, de 34 a 41 centímetros, equipado com uma bolsa gular expansível que assume tons vibrantes de azul, cobalto e violeta durante a corte, enquanto a ponta do bico adquire uma coloração alaranjada ou avermelhada. Os juvenis de Pelecanus thagus são uniformemente marrom-acinzentados com o abdômen esbrançiçado, desprovidos das cores faciais vivas dos adultos.
Distribuição geográfica: Distribui-se ao longo da costa do Pacífico da América do Sul, intimamente associada ao sistema de ressurgência da Corrente de Humboldt. Sua área de distribuição principal estende-se desde o norte do Peru até o sul do Chile, alcançando regularmente a Ilha de Chiloé e, ocasionalmente, o extremo sul chileno. Registros acidentais ou erráticos ocorrem no sudoeste do Equador e na costa atlântica do sul da Argentina, geralmente associados a anomalias climáticas severas ou escassez crítica de recursos alimentares em suas áreas tradicionais de ocorrência.
Ambiente: Ocorre quase exclusivamente em ecossistemas marinhos costeiros de águas frias e temperadas. Frequenta baías protegidas, praias arenosas, costões rochosos e, principalmente, as ilhas guaneiras, que servem de refúgio seguro contra predadores terrestres. É extremamente raro encontrá-lo em ambientes continentais, limitando-se a estuários e lagunas costeiras salobras adjacentes ao oceano. Utiliza plataformas rochosas, falésias e infraestruturas portuárias como locais de repouso e secagem das asas.
Alimentação: Apresenta uma dieta estritamente piscívora, demonstrando uma dependência extrema da anchoveta-peruana (Engraulis ringens), embora também consuma outros pequenos peixes pelágicos como o peixe-rei, a sardinha e ocasionalmente pequenos invertebrados marinhos. Para capturar suas presas, utiliza uma técnica espetacular de mergulho vertical a partir de alturas de 10 a 15 metros, chocando-se contra a água para capturar cardumes com sua bolsa gular expansível, que funciona como uma rede de arrasto. Ao emergir, elimina a água acumulada pelas laterais do bico antes de engolir as presas inteiras, sendo frequentemente alvo de cleptoparasitismo por gaivotas.
Comportamento: É uma espécie altamente gregária que voa e se alimenta em bandos organizados, adotando frequentemente formações em "V" ou longas linhas coordenadas a poucos centímetros da superfície da água, aproveitando o efeito solo para reduzir o gasto energético. É um planador elegante e eficiente no ar, porém desajeitado em terra firme devido às suas pernas curtas e pés totipalmados. É geralmente silencioso longe das colônias de nidificação, onde emite grasnidos ásperos, sopros e sons guturais graves durante disputas territoriais e exibições de corte, que incluem movimentos rítmicos de cabeça e expansão da bolsa gular.
Nidificação: O ciclo reprodutivo ocorre de forma colonial, reunindo milhares de casais em ilhas áridas e costões rochosos isolados. O ninho é uma depressão rasa escavada no solo arenoso ou pedregoso, delimitada por uma borda de guano, penas, algas e detritos marinhos secos. A fêmea realiza a postura de dois a três ovos de coloração branco-calcária, que são incubados por ambos os pais por meio de suas membranas digitais altamente vascularizadas durante um período de 32 a 35 dias. Os filhotes nascem sem penas e completamente dependentes do alimento pré-digerido que os adultos regurgitam diretamente em seus bicos, atingindo a maturidade para o voo por volta dos três meses de idade.
Categoria de conservação: Atualmente está classificada como Quase Ameaçada (NT) na Lista Vermelha da IUCN. Suas populações sofrem flutuações severas devido aos efeitos do fenômeno climático El Niño, que eleva a temperatura da água e afasta as populações de anchoveta, provocando alta mortalidade e abandono maciço de ninhos. Outras ameaças relevantes incluem a sobrepesca comercial de seus recursos alimentares, a perturbação antrópica nas colônias, a extração de guano e o impacto devastador de surtos recentes de influenza aviária altamente patogênica.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 12/08/2026