Parides anchises (denominada popularmente, em inglês,
Anchises cattleheart) é uma espécie de inseto da ordem Lepidoptera; uma borboleta neotropical da família Papilionidae, suas cerca de vinte subespécies distribuídas da América do Sul, no norte da Argentina, onde ocorre
P. anchises nephalion (ex
Parides nephalion), até o México, onde as subespécies
P. anchises marthilia e
P. anchises lagartero foram descritas, em Chiapas; geralmente esta espécie ocorrendo até Colômbia e Panamá; no Rio de Janeiro sendo uma espécie simpátrica com a borboleta-da-restinga (
Parides ascanius) e considerada pouco preocupante (LC) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) devido à ampla extensão territorial de seu habitat. Suas lagartas se alimentam de diversas espécies de plantas do gênero
Aristolochia, conhecidas como "papo-de-peru" ou "jarrinha" e que contém compostos secundários de alcaloides tóxicos para seus predadores.
Classificação: Parides anchises foi descrita em 1758 por Lineu na obra
Systema Naturae, classificada com o nome
Papilio anchises e com seu espécime-tipo registrado "In Citro Americes" (Suriname).
Dimorfismo sexual e descrição: Ambos os sexos desta borboleta são típicos do gênero
Parides, dotados de asas anteriores e posteriores pretas e possuindo manchas cor-de-rosa nas asas posteriores, sempre mais extensas nas fêmeas, também dotadas de uma mancha branca e difusa no centro das asas anteriores; enquanto os machos possuem uma grande mancha de escamas verde-metálicas brilhantes em suas asas anteriores, sendo uma bela visão quando vistos voando suavemente ao redor de arbustos floridos. As lagartas são pardo-escurecidas e dotadas de faixas amareladas, providas de osmetério para a defesa.
Nomenclatura vernácula: Embora o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) dê a nomenclatura vernácula
borboleta-da-restinga para esta espécie, o
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e o livro de Haroldo Palo Jr.,
Borboletas do Brasil (
Butterflies of Brazil, volume 1. Papilionidae, Pieridae, Lycaenidae, Riodinidae), apontam a borboleta-da-restinga sendo a espécie em extinção
Parides ascanius, que só é encontrada em restingas pantanosas, ao contrário de
Parides anchises.
Subespécies de P. anchises; sua distribuição geográfica: Com asterisco (*) estão as espécies registradas para o Brasil (fonteː SiBBr - Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira; entre parênteses os cientistas que tiveram os nomes originais de seus gêneros modificados para Parides).- P. a. anchises (Linnaeus, 1758) (Guiana, Suriname e Guiana Francesa, na margem norte do baixo Amazonas e ao longo do rio Maroni)*
- P. a. alyattes (C. Felder & R. Felder, 1865) (Colômbia Central, vale do rio Magdalena, a cerca de 1.000 metros de altitude)
- P. a. bukuti Brévignon, 1998 (Guiana Francesa, Região Norte do Brasil)*
- P. a. cymochles (Doubleday, 1844) (Trinidad, Sucre e Bolívar, no leste da Venezuela)
- P. a. drucei (Butler, 1874) (do alto Amazonas, no sul da Colômbia, até o sul do Peru e a leste até Rondônia, Brasil, podendo ser encontrada em altitudes de até 1.000 metros)*
- P. a. etias (Rothchild & Jordan, 1906) (do norte da Bolívia até o oeste do Mato Grosso, no Brasil, de 300 a 1.000 metros de altitude)
- P. a. farfan K. S. Brown, 1994 (Panamá, principalmente na costa seca do Pacífico)
- P. a. foetterlei (Rothchild & Jordan, 1906) (no planalto central brasileiro, do sul do Piauí ao norte de São Paulo)*
- P. a. humaita D´Abrera, 1981 (Brasil, a oeste do rio Tapajós até os rios Madeira e Purus)*
- P. a. koenigi T. Racheli, 1989 (Peru Central, no alto Vale do rio Hualhaga, entre 700 a 1.100 metros de altitude)
- P. a. lagartero de la Maza & de la Maza, 2019 (México, Chiapas, La Trinitaria)
- P. a. marinae T. Racheli, 1981 (Peru, região de Chanchamayo, em altitudes de 300 a 1.000 metros)
- P. a. marthilia R. G. Maza, 1999 (México, em Chiapas)
- P. a. nephalion (Godart, 1819) (do sudeste do Brasil ao norte, até a Paraíba e o Distrito Federal, e a sudoeste até o Paraguai e o norte da Argentina)*
- P. a. nielseni Bollino & Salazar, 2001 (Colômbia)
- P. a. orbignyanus (Lucas, 1852) (do Paraguai e do centro do Mato Grosso a nordeste, até o Tocantins, no Brasil, entre 150 e 1.250 metros de altitude)*
- P. a. orinocensis (Rousseau-Decelle, 1960) (nordeste da Venezuela, Delta Amacuro, na foz do rio Orinoco)
- P. a. osyris (C. Felder & R. Felder, 1861) (Venezuela Central)
- P. a. serapis (Boisduval, 1836) (em Sierra Nevada de Santa Marta, no norte da Colômbia, até a Sierra de Perijá, no noroeste da Venezuela, em altitudes em torno de 100 metros)
- P. a. stilbon (Kollar, 1839) (registrada em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, no sul do Brasil, misturando-se com P. a. nephalion no norte de sua distribuição)*
- P. a. thelios (Gray, [1853]) (Brasil, no leste do Pará e Maranhão e sudoeste até Tocantins e Xingu)*
- P. a. zygma Lamas, 2001 (Colômbia)
A ampla distribuição continental dessa espécie evita o seu risco de extinção e inclui Bolívia; Brasil (Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe); Colômbia; Guiana Francesa; Guiana; México; Panamá; Paraguai; Peru; Suriname; Trinidad e Tobago; Venezuela; descartando quase toda a América Central, entre o Panamá e o México.
Paridesː grupo anchises: A espécie
Parides anchises nomeia um grupo de sete espécies de borboletas, suas congêneres, da América tropical e subtropical, entre o México e Argentina, denominado "grupo
anchises"; antes, durante o século XX, no "grupo
aeneas".