Pertence à família Araneidae e destaca-se por apresentar um nítido dimorfismo sexual. As fêmeas adultas possuem um comprimento corporal que varia entre 12 e 18 milímetros, ao passo que os machos são substancialmente menores, medindo de 8 a 11 milímetros. O prossoma apresenta uma coloração que vai do marrom-escuro ao cinzento, sendo recoberto por uma pubescência densa e esbranquiçada. O opistossoma possui formato subtriangular, caracterizado por exibir tubérculos umerais proeminentes na porção anterior e pequenas protuberâncias na extremidade posterior. A coloração do dorso é extremamente variável e críptica, composta por padrões de tons cinzas, pardos e esverdeados que imitam perfeitamente a textura de cascas de árvores e liquens. Na região ventral, exibe uma mancha negra conspícua contornada por tons amarelados ou claros. As pernas são robustas, dotadas de espinhos fortes e ornamentadas com anéis alternados de cores claras e escuras.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída na porção meridional da América do Sul. Sua ocorrência está registrada de forma abundante nas regiões central e norte da Argentina, em todo o território do Uruguai, no sul e leste do Paraguai, e nas regiões sul e sudeste do Brasil. Trata-se de uma espécie altamente adaptada às faixas climáticas temperadas e subtropicais desses países.
Ambiente: Habita uma ampla variedade de biomas, demonstrando forte preferência por áreas florestais, matas de galeria, matagais arbustivos e zonas de transição. Demonstra também uma extraordinária capacidade de colonizar ambientes antropizados, sendo frequentemente observada em jardins urbanos, parques públicos, pomares e bordas de plantações agrícolas. Utiliza a vegetação lenhosa como suporte físico para a ancoragem de suas teias e como abrigo diurno.
Alimentação: Apresenta uma dieta estritamente insetívora, atuando como uma predadora oportunista e generalista. Alimenta-se de uma vasta gama de insetos voadores, tais como mariposas, moscas, vespas, besouros e pequenos gafanhotos que colidem com sua teia. Utiliza uma grande teia orbicular vertical como principal mecanismo de captura. Ao detectar as vibrações produzidas pela presa retida nos fios adesivos, a aranha aproxima-se rapidamente, injeta seu veneno paralisante e envolve o inseto em seda para posterior digestão extracorporal.
Comportamento: É uma espécie com hábitos majoritariamente noturnos. Durante o dia, permanece completamente estática em seu refúgio, que pode ser uma folha dobrada unida por fios de seda ou diretamente sobre o tronco de uma árvore, onde sua camuflagem a protege contra predadores visuais. Com o declínio da luz solar, inicia a construção ou reconstrução de sua teia geométrica, que costuma ser consumida na manhã seguinte para reaproveitamento das proteínas da seda. Seu comportamento é inofensivo e não agressivo; diante de perturbações severas, adota a tanatose, deixando-se cair no solo e simulando estar morta.
Reprodução: Ocorre de forma concentrada entre o final do verão e o início do outono. O processo de cortejo exige cautela extrema por parte do macho para evitar o canibalismo sexual; ele se posiciona na periferia da teia da fêmea e realiza vibrações ritmadas nos fios de ancoragem para anunciar sua presença como parceiro reprodutivo. Após a cópula, a fêmea deposita seus ovos em uma ooteca densa e lanosa de cor amarelada ou parda, fixando-a sob cascas soltas de árvores ou no interior de folhagens densas. Essa estrutura protege os ovos durante os meses frios de inverno até a eclosão das ninfas na primavera.
Categoria de conservação: Não foi submetida a uma avaliação formal pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). No entanto, devido à sua expressiva área de ocorrência, resiliência frente a perturbações de habitat causadas pelo ser humano e estabilidade populacional, supõe-se que a espécie não esteja sob risco de extinção na atualidade.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 22/08/2026