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Pachyptila belcheri

Faigão-de-bico-fino


Pachyptila belcheri

(Mathews, GM, 1912)
Petrel Ballena Pico Fino
Slender-billed Prion

Família: Procellariidae
Ordem: Procellariiformes
Classe: Aves
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

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Outros nomes comuns: Prión Pico Fino.

Sinônimos: Heteroprion belcheri.





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Estado de conservação de acordo BirdLife International: Preocupação menor


Descrição


Trata-se de uma ave marinha pelágica de pequeno porte pertencente à família Procellariidae, medindo entre 25 e 27 cm de comprimento total, com uma envergadura alar de 55 a 58 cm e massa corpórea que varia de 115 a 180 g. A plumagem na região dorsal apresenta uma tonalidade uniforme de cinza-azulado claro, marcada expressivamente por um desenho escuro em forma de «M» aberto que se estende pelas asas e pelo dorso médio. Em nítido contraste, a superfície ventral exibe um tom branco puro, interrompido discretamente por tênues marcas acinzentadas nos flancos superiores do peito. Na cabeça, evidencia-se uma máscara ocular escura acompanhada por uma destacada faixa superciliar branca e garganta imaculada. A morfologia cefálica tem como característica crucial seu bico estreito e esguio, colorido em cinza-azulado com o cúlmen enegrecido, cujas lamelas filtradoras internas são extremamente reduzidas se comparadas às de outros representantes do gênero Pachyptila. A cauda termina em uma ponta cuneiforme ornada por uma faixa terminal preta nas retrizes centrais.

Distribuição geográfica: Apresenta uma ampla distribuição circumpolar nas águas marinhas do Hemisfério Sul. As suas principais colônias reprodutivas situam-se em ilhas austrais, com concentrações de grande relevância nas Ilhas Malvinas, na Ilha Noir no extremo sul do Chile, bem como nas Ilhas Kerguelen e, em menor escala, no arquipélago das Ilhas Crozet. Durante o período não reprodutivo no inverno austral, as populações realizam deslocamentos migratórios em direção ao norte, alcançando regularmente a plataforma continental da Argentina, as águas costeiras do Chile, o litoral do Uruguai e a costa sul e sudeste do Brasil, além de estenderem seus voos oceânicos pelo sul do Oceano Índico, pelo sul da Austrália e pelo mar ao redor da Nova Zelândia.

Ambiente: Habita exclusivamente o domínio marinho pelágico durante quase todo o ano, apresentando forte associação com as águas subantárticas geladas e áreas delimitadas pela Convergência Antártica. Ocupa tanto a zona oceânica aberta profunda quanto os limites da plataforma continental, onde a ressurgência e os gradientes térmicos geram alta produtividade primária. Sua presença em terra firme é restrita à fase reprodutiva, quando ocupa ilhas oceânicas inóspitas, estabelecendo-se em declives recobertos por camadas espessas de turfa, gramíneas de tussok (Poa flabellata), encostas pedregosas e fendas de falésias costeiras protegidas da arrebentação marinha.

Alimentação: A base de sua dieta é essencialmente carnívora e zooplanctófaga, demonstrando especialização no consumo de anfípodes pelágicos, sobretudo a espécie Themisto gaudichaudii, além de diversas espécies de eufausiáceos (krill antártico e subantártico). Pequenos cefalópodes juvenis, copépodes e ocasionais peixes de profundidade da família Myctophidae integram seu espectro alimentar. Para obter alimento, utiliza técnicas de captura na superfície (surface-seizing) e mergulhos rasos de impulso enquanto nada ou voa rentes às ondas; ocasionalmente realiza a filtragem em hidroplanagem, embora a estrutura esguia de seu bico restrinja essa capacidade mecânica a presas individuais em comparação com as espécies de bico largo.

Comportamento: Exibe hábitos estritamente gregários no ambiente marinho, integrando bandos numerosos que frequentemente se misturam a outras aves procelariiformes sobre zonas de alimentação abundante. Seu voo é extraordinariamente veloz, sinuoso e dinâmico, executando curvas rápidas e rasantes entre as cristas das ondas com mínimo esforço de batimento alar. Nos sítios de reprodução, adota uma rotina rigorosamente noturna para entrar e sair dos ninhos, o que minimiza os riscos de ataque por predadores aéreos de grande porte, como mandriões (Stercorarius antarcticus) e gaivotas-dominicanas (Larus dominicanus). No interior das tocas subterrâneas, durante a noite, os casais realizam duetos vocais estridentes e repetitivos para consolidação de vínculo e defesa de espaço.

Nidificação: O período reprodutivo inicia-se entre outubro e novembro, com o retorno dos pares aos sítios de reprodução tradicionais. Os casais escavam galerias subterrâneas de 1 a 2 metros de comprimento no solo turfoso ou ocupam fendas rochosas profundas, revestindo a câmara interna com pequenas porções de vegetação desidratada. A fêmea realiza a postura de um único ovo branco, proporcionalmente grande em relação ao peso da ave. O período de incubação dura de 46 a 48 dias, sendo compartilhado pelos dois progenitores em turnos que podem durar vários dias consecutivos. O filhote é aquecido nos primeiros dias e posteriormente alimentado à base de óleo estomacal concentrado e alimento semidigerido, completando o empenamento e alçando o primeiro voo solitário após 48 a 55 dias.

Categoria de conservação: Encontra-se classificada como espécie de Pouco Preocupante (LC) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), em decorrência de sua população global muito volumosa, estimada em milhões de pares, e sua vasta distribuição geográfica. Contudo, suas colônias reprodutivas em ilhas sofrem riscos devido à presença histórica de mamíferos invasores, tais como gatos assilvestrados e ratos (Rattus spp., Mus musculus), predadores vorazes de ovos e filhotes indefesos. Adicionalmente, flutuações ecossistêmicas desencadeadas pelas mudanças climáticas globais podem perturbar a oferta de zooplancton austral, provocando mortandades periódicas registradas em arribadas em praias sul-americanas.



Compilação e publicação: EcoRegistros – 22/10/2026




Distribuição geográfica


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210234607/07/2024ArgentinaOcéano Atlántico - Aguas argentinasMar Argentino1Jorge La Grotteria
210234707/07/2024ArgentinaOcéano Atlántico - Aguas argentinasMar Argentino4Jorge La Grotteria
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Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Faigão-de-bico-fino (Pachyptila belcheri) – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 29/10/2026.