Trata-se de um hemíptero terrestre de grande porte e estrutura corporal robusta, caracterizado por uma coloração predominantemente castanho-escura ou enegrecida com matizes ferruginosos. Os indivíduos adultos apresentam um comprimento corporal que varia entre 20 e 28 milímetros. A característica morfológica mais marcante é a expansão foliácea nas tíbias posteriores, que se assemelha a uma folha seca e é típica da família Coreidae. O dimorfismo sexual é bastante evidente; os machos possuem os fêmures posteriores visivelmente espessados e munidos de tubérculos ou espinhos na face ventral, utilizados em disputas territoriais. As antenas são longas e divididas em quatro segmentos, sendo que o segmento apical frequentemente exibe uma coloração amarelada ou alaranjada contrastante. O pronoto possui margens ligeiramente denteadas e pode apresentar uma fina faixa transversal mais clara.
Distribuição geográfica: Apresenta uma ampla distribuição geográfica no Cone Sul da América do Sul, ocorrendo em abundância na Argentina (desde as províncias do norte até o norte da Patagônia), Uruguai, Paraguai, sul da Bolívia e nos estados das regiões sul e sudeste do Brasil, abrangendo domínios fitogeográficos como o Chaco Úmido, Chaco Seco, Espinal e o Pampa.
Ambiente: Ocupa prioritariamente ecossistemas de florestas xerófitas, savanas arbustivas, matagais e matas de galeria. Demonstra uma grande plasticidade ecológica, colonizando com facilidade ambientes antropizados, áreas agrícolas, praças públicas, parques urbanos e jardins residenciais onde suas plantas hospedeiras estejam presentes.
Alimentação: É um inseto estritamente fitófago, especializado na sucção de seiva de plantas lenhosas, mostrando forte preferência por espécies da família Fabaceae. Entre seus principais hospedeiros destacam-se árvores e arbustos dos gêneros Acacia (especialmente o espinilho Acacia caven), Prosopis (como as algarobas) e Parkinsonia. Utiliza seu aparelho bucal picador-sugador para perfurar brotos tenros, ramos jovens e vagens verdes em desenvolvimento, extraindo fluidos vasculares ricos em nutrientes.
Comportamento: Possui hábitos essencialmente diurnos. Durante as fases juvenis, as ninfas apresentam um forte comportamento gregário, reunindo-se em densos agrupamentos sobre os ramos das plantas hospedeiras, o que auxilia na termorregulação e na defesa coletiva. Os adultos tendem a ser mais solitários e realizam voos curtos, barulhentos e pesados. Quando perturbado, o inseto utiliza defesa química, liberando uma secreção odorífera altamente fétida produzida pelas suas glândulas metatorácicas para afugentar predadores.
Reprodução: O processo reprodutivo envolve um comportamento territorial, no qual os machos disputam locais estratégicos de alimentação e acasalamento utilizando seus fêmures espinhosos contra rivais. Após a cópula, as fêmeas depositam os ovos em fileiras lineares organizadas sobre a casca dos ramos ou nos folíolos da planta hospedeira. Os ovos têm formato cilíndrico e coloração acobreada. O desenvolvimento é do tipo paurometábolo, englobando cinco estágios ninfais que exibem uma vívida coloração aposemática em tons de vermelho e preto, sinalizando sua toxicidade a predadores antes de atingirem o estágio adulto.
Categoria de conservação: Não foi avaliado de acordo com os critérios globais da Lista Vermelha da IUCN (Não Avaliado). Em decorrência de sua ampla distribuição geográfica, densidades populacionais elevadas e grande capacidade de adaptação a paisagens modificadas pelo homem, a espécie é considerada estável e sem riscos iminentes de conservação.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 01/10/2026