Bico-aguçado ou
araponga-do-horto (
Oxyruncus cristatus) é uma espécie de ave passeriforme, e a única pertencente à família
Oxyruncidae. Está distribuída de forma muito irregular, desde as áreas montanhosas do leste da América do Sul até o centro da América Central.
Distribuição e habitat: Distribui-se de forma muito desarticulada, talvez residual, na Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Equador, Brasil, Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina.
Pode ser incomum a bastante comum, mas sempre local, no dossel florestal e nas bordas de florestas úmidas de montanha, até 1600 m de altitude, especialmente entre 500 e 1000 m. Mais numerosos nos tepuis e na Mata Atlântica do sudeste do Brasil.
Mede 17 cm de comprimento. Seu bico é pontudo e a íris varia de avermelhada a laranja. Na parte superior, é majoritariamente verde-oliva, com uma coroa preta que esconde uma crista laranja a vermelha, cabeça e pescoço esbranquiçados, mosqueada de preto. A garganta é branca mosqueada de negro, e abaixo amarelo-pálida ou esbranquiçada, pontilhada de preto; no sudeste da América do Sul, o tom é mais amarelo.
Comportamento: Exceto pela vocalização, é uma ave muito discreta, passando muito tempo empoleirada, imóvel ou vagando pelos galhos e folhagens em busca de insetos; pode ficar pendurada de cabeça para baixo e examinar epífitas e folhas mortas. Sozinha ou aos pares, junta-se a bandos mistos quando é mais fácil de ser avistada.
Alimentação: Sua dieta é composta por insetos e também frutas, que costuma consumir acompanhado de traupídeos.
Reprodução: Seus hábitos de nidificação e ninho são semelhantes aos de
Phibalura flavirostris: durante o verão constroem um pequeno ninho em forma de xícara, decorado com líquenes como camuflagem e preso a forquilhas em galhos horizontais.
Vocalização: O canto do macho é inconfundível e pode ser ouvido à distância, é um trinado muito agudo que cai de tom e vai desaparecendo, "siiiiiiu-u-u-u-u-u", que dura cerca de 5 segundos, em algumas áreas mais nasal e atenuado, principalmente no sudeste do Brasil, onde parece uma bomba caindo; no sudeste do Equador emite um som semelhante a "siiiiiiu, dzzzzz".
Sistemática: Descrição original: A espécie
O. cristatus foi descrita pela primeira vez pelo naturalista britânico William Swainson em 1821 sob o nome científico
Oxyrhyncus [erro] cristatus; Localidade tipo "Brasil".
O gênero
Oxyruncus foi proposto pelo naturalista holandês Coenraad Jacob Temminck em 1820 e a família Oxyruncidae pelo ornitólogo estadunidense Robert Ridgway em 1906.
Etimologia: O nome genérico masculino
Oxyruncus deriva do grego
oxus: afiado, e
rhunkhos: bico; significando "de bico afiado"; e o nome da espécie
cristatus provém do latim: com crista ou topete.
Subespécie: De acordo com a classificação da Clements Checklist v.2017, são reconhecidas seis subespécies, com sua correspondente distribuição geográfica:
- Oxyruncus cristatus frater (P. L. Sclater & Salvin, 1868) - Costa Rica e oeste do Panamá (leste até Veráguas).
- Oxyruncus cristatus brooksi (Bangs & Barbour, 1922) – leste do Panamá.
- Oxyruncus cristatus phelpsi (Chapman, 1939) - montanhas do sul e sudeste da Venezuela (exceto Monte Roraima) e adjacências do Brasil e Guiana.
- Oxyruncus cristatus hypoglaucus (Salvin & Godman, 1883) - sudeste da Venezuela (Monte Roraima), Guianas e nordeste do Brasil (Amapá).
- Oxyruncus cristatus tocantinsi (Chapman, 1939) - sul do Pará (do lado leste do baixo rio Tocantins, no sudoeste, até a Serra dos Carajás, no lado oeste), no Brasil.
- Oxyruncus cristatus cristatus (Swainson, 1821) - sudeste do Brasil (sul de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo ao sul de Santa Catarina), leste do Paraguai e extremo nordeste da Argentina (norte de Misiones).
Também ocorre em (subespécies indeterminadas) no noroeste da Colômbia (Serranía de San Lucas, Antioquia), sudeste do Equador (cordilheira Cutucú, cordilheira Cóndor), Peru (San Martín/Amazonas, cordilheira Azul, Junín, Cusco, Puno), noroeste da Bolívia (La Paz, rio Tuichi) e sul e nordeste do Brasil (sul de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Alagoas, sul da Bahia).
As subespécies
phelpsi e
tocantinsi, ambas não listadas pelo Congresso Ornitológico Internacional (COI), possivelmente não podem ser distinguidas do
hipoglaucus. Os indivíduos observados no noroeste da Colômbia, sudeste do Equador, Peru, noroeste da Bolívia e sul e nordeste do Brasil são de identidade racial incerta, talvez representando uma ou mais subespécies não descritas.
Taxonomia: As evidências sugeriam que esta espécie, tradicionalmente colocada em Cotingidae, apesar de ter sido anteriormente colocada em sua própria família monotípica
Oxyruncidae, pertenceria à família
Tityridae. No entanto, trabalhos recentes não encontraram nenhum suporte consistente para essas relações, portanto, o Comitê Sul-Americano de Classificação (SACC), ao aprovar a Proposta nº 134, ressuscitou a família
Oxyruncidae para colocar exclusivamente esta única espécie. Isto foi posteriormente corroborado por estudos de Ohlson et al (2007).
Clements Checklist v.2017 e a própria lista SACC seguem esta recomendação, enquanto o IOC ainda a mantém em
Tityridae.
Cladograma proposto para a família Oxyruncidae: Segundo Ohlson et al., 2013, a posição da família é a seguinte: