Não quer ver anúncios? Cadastre-se...




Oxymycterus rufus

Oxymycterus rufus

(Fischer, 1814)
Hocicudo Rojizo
Red Hocicudo

Família: Cricetidae
Ordem: Rodentia
Classe: Mammalia
Filo / Divisão: Chordata
Reino: Animalia

 Solicitar mudança



Filtros




Descrição


O gênero Oxymycterus Waterhouse, 1837: Compreende cerca de 25 espécies exclusivas da América do Sul, distribuídas principalmente pelo Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Argentina. Habitam uma ampla variedade de ambientes com abundante cobertura vegetal, incluindo campos, campos de gramíneas altas, áreas úmidas, savanas e florestas abertas. O nome do gênero deriva do grego oxys = agudo e mykter = focinho, fazendo referência à sua característica mais marcante: um focinho longo e pontiagudo, adaptado para explorar o solo em busca de alimento.

Descrição morfológica: O hocicudo-ruivo Oxymycterus rufus Fisher, 1814 é um dos maiores representantes dos pequenos roedores sigmodontíneos presentes na Argentina. Apresenta corpo robusto e compacto; o comprimento da cabeça e do corpo varia entre 13 e 16 cm, enquanto a cauda mede entre 7 e 12 cm, sendo sempre mais curta que o corpo.

Sua característica mais marcante é o focinho longo, estreito e muito móvel, lembrando o de um musaranho. Possui longas vibrissas altamente sensíveis, que lhe permitem explorar a vegetação e o solo durante a busca por alimento. Os membros anteriores apresentam unhas fortes, adaptadas para revolver terra, serrapilheira e restos vegetais.

A pelagem é relativamente densa e um tanto áspera. A região dorsal apresenta tonalidades que variam entre marrom-canela, castanho-avermelhado e canela, geralmente atravessadas por uma faixa mediana mais escura que se estende da cabeça até a garupa. Os flancos apresentam tonalidades ocres, enquanto a região ventral é acinzentada ou amarelada. As orelhas são pequenas e parcialmente ocultas pela pelagem, e os olhos são relativamente pequenos.

Seu aspecto robusto, a cauda curta e o característico focinho alongado permitem diferenciá-lo facilmente da maioria dos demais ratos-do-campo presentes em nosso país.

História natural: Trata-se de uma espécie predominantemente solitária e de hábitos semifossoriais. Embora desenvolva grande parte de sua atividade na superfície, utiliza abrigos naturais entre a vegetação, pequenas cavidades no solo e escavações rasas, onde descansa e se protege dos predadores.

Apresenta atividade tanto diurna quanto noturna, deslocando-se principalmente por campos densos e outros ambientes com abundante cobertura herbácea. Raramente permanece exposto em áreas abertas, razão pela qual é pouco frequente observá-lo diretamente na natureza.

Seu focinho alongado, juntamente com as unhas bem desenvolvidas dos membros anteriores, constitui uma notável adaptação para localizar pequenos invertebrados ocultos entre a serrapilheira e nos primeiros centímetros do solo. Durante essa atividade, revolve continuamente restos vegetais e pequenas porções do substrato utilizando rápidos movimentos das patas dianteiras.

As populações podem apresentar importantes flutuações de abundância entre diferentes anos, associadas principalmente às variações na precipitação, à produtividade da vegetação e à disponibilidade de alimento.

Distribuição e habitat: A espécie distribui-se amplamente pelo leste e centro da Argentina, Uruguai, sul do Brasil e partes do Paraguai.

Na Argentina, ocorre principalmente na região Pampeana e no Espinal, alcançando também setores do Chaco e diversas áreas serranas do centro do país. Habita preferencialmente campos naturais, campos de gramíneas altas, áreas úmidas, margens de riachos, baixadas sujeitas a inundações e outros ambientes com abundante cobertura herbácea. Também utiliza as bordas de fragmentos florestais e áreas serranas com campos naturais.

Nas últimas décadas, diversos estudos documentaram um aumento de sua abundância em paisagens agrícolas da região Pampeana. Atualmente, é frequente em acostamentos de estradas, aterros ferroviários, margens de estradas, canais e bordas de lavouras, ambientes que funcionam como importantes corredores de dispersão e refúgio dentro das matrizes agrícolas.

Alimentação: Diferentemente da maioria dos pequenos roedores sul-americanos, cuja dieta é dominada por sementes e outros recursos vegetais, o hocicudo-ruivo apresenta uma marcada especialização no consumo de invertebrados.

Estima-se que pelo menos 70% de sua alimentação seja composta por insetos e outros pequenos invertebrados do solo, como besouros, larvas, formigas, aranhas e minhocas, que localiza utilizando seu focinho alongado e suas sensíveis vibrissas. O restante da dieta é composto por folhas, sementes, frutos e outros recursos vegetais, cuja importância pode variar de acordo com a disponibilidade sazonal.

Reprodução: A reprodução ocorre principalmente durante a primavera e o verão, coincidindo com o período de maior disponibilidade de alimento. Como ocorre com a maioria dos pequenos roedores, as fêmeas podem produzir várias ninhadas durante a estação reprodutiva, favorecendo uma rápida recuperação das populações quando as condições ambientais são favoráveis.

Predadores: O hocicudo-ruivo constitui uma presa frequente de numerosas aves de rapina e mamíferos carnívoros. Foi registrado na dieta de espécies noturnas como o mocho-grande (Bubo virginianus) e a suindara (Tyto furcata), bem como de aves de rapina diurnas, entre elas o gavião-peneira (Elanus leucurus), o gavião-variable (Geranoaetus polyosoma) e outras espécies de falcões e águias.

Entre os mamíferos carnívoros, há registros de predação pela raposa-dos-pampas (Lycalopex gymnocercus), enquanto nos campos serranos também faz parte da dieta da raposa-vermelha-de-Córdoba (Lycalopex culpaeus smithersi).

Importância e ameaças: O hocicudo-ruivo desempenha um importante papel ecológico como consumidor de invertebrados terrestres, contribuindo para o controle natural de numerosas populações de insetos e outros artrópodes. Ao mesmo tempo, constitui um recurso alimentar para uma grande diversidade de aves de rapina, mamíferos carnívoros e serpentes, integrando as redes tróficas de campos, áreas úmidas e agroecossistemas.

Na Argentina, encontra-se classificado como uma espécie de Pouco Preocupante (LC), devido à sua ampla distribuição e ao fato de que muitas de suas populações parecem permanecer estáveis ou até mesmo terem aumentado nas últimas décadas.

Entretanto, a perda e a fragmentação dos campos naturais, a drenagem de áreas úmidas, a intensificação agrícola e o uso de agroquímicos continuam representando ameaças potenciais para algumas populações. Apesar disso, a espécie demonstrou notável capacidade de persistir em paisagens modificadas quando existem corredores de vegetação natural, como acostamentos de estradas, aterros ferroviários e margens de cursos d´água, que lhe proporcionam alimento, abrigo e rotas de dispersão.

Bibliografia:

Calfayan, L. M., Cavia, R., Fraschina, J., Guidobono, J. S., Gorosito, I. & Busch, M. (2023). Environmental drivers of long-term variations in the abundance of the red hocicudo mouse (Oxymycterus rufus) in Pampas agroecosystems. Integrative Zoology, 18:330–343.

De Oliveira, J. A. & Gonçalves, P. R. (2015). Genus Oxymycterus. En: Patton, J. L., Pardiñas, U. F. J. & D´Elía, G. (Eds.). Mammals of South America. Volume 2. Rodents. University of Chicago Press.

Fraschina, J., León, V. & Busch, M. (2014). Role of landscape scale in rodent distribution and abundance in Pampean agroecosystems. Journal of Agricultural Science, 6:22–33.

Gómez, M. D., Coda, J., Simone, I., Martínez, J., Bonatto, F., Steinmann, A. & Priotto, J. (2015). Agricultural land-use intensity effects on small mammal communities in the Central Pampas of Argentina. Mammal Research, 60:415–423.

Gómez Villafañe, I. E. et al. (2005). Guía de roedores de la provincia de Buenos Aires. LOLA.

Gómez Villafañe, I. et al. (2019). Oxymycterus rufus. En: Categorización 2019 de los mamíferos de Argentina según su riesgo de extinción. SAyDS–SAREM.

Torres, R. 2018. Orden Rodentia. Pp. 44–75, in: Mamíferos de Córdoba. R. Torres & D. Tamburini, eds. Universidad Nacional de Córdoba, Córdoba.


Autor desta compilação: Enzo Rossi – 07/12/2025





Distribuição geográfica


Carregando mapa...


Últimos registros de alimentação

É consumida, predada ou capturada por...




Fotografias da espécie

Quantidade: 10



 Adicionar uma imagem desta espécie






Vocalizações da espécie

Últimas vocalizações publicadas



 Adicionar um áudio desta espécie





Vídeos da espécie

Últimas filmagens publicadas




 Adicionar um filme desta espécie





Relatórios da espécie



 Detalhe de lugares ordenada pelo número de registros






Registros da espécie

Quantidade: 8



Página 1 de 1
ID RegistroDataHora exataPaísProvincia / DepartamentoLugarFilmadoFotografadoVocalização gravadaObservadoOidaFerido ou mortoIndivíduos quantidadeUsuário ou BibliografiaDetalhe
248993930/06/2026ArgentinaBuenos AiresCerro de los Nogales, TandilLiliana Rubilar Puerta
246390126/02/2026ArgentinaBuenos AiresLaguna El Chifle, Benito JuárezLiliana Rubilar Puerta
158749628/05/2022ArgentinaBuenos AiresTandil1Santiago Juan Torres
137201501/02/2021ArgentinaCórdobaCamino al cerro Pan de Azúcar, CosquínAdrian Braidotti
123086924/02/2020ArgentinaEntre RíosParque Nacional Pre-Delta1Gustavo Fernando Durán
13445112/04/2014ArgentinaEntre RíosParque General San Martín - Parque Escolar-Rural Enrique BerducPablo Capovilla
13445211/04/2014ArgentinaEntre RíosParque General San Martín - Parque Escolar-Rural Enrique BerducPablo Capovilla
5876731/03/2013ArgentinaEntre RíosParque Nacional Pre-DeltaSergio Gabriel Borrillo
Página 1 de 1

 Adicionar um registro desta espécie

📖
Citação recomendada
Utilize a referência abaixo para citar esta ficha da espécie.
EcoRegistros. 2026. Oxymycterus rufus – Ficha da espécie. Acessado em www.ecoregistros.org em 15/09/2026.