Apresenta um corpo compacto e robusto revestido por uma pelagem densa que varia entre tons cinza-acastanhados na região dorsal e matizes esbranquiçadas na zona ventral. Este lagomorfo possui um comprimento corporal que varia entre 34 e 50 centímetros, com uma massa corporal média que oscila entre 1,2 e 2,5 quilogramas. Seus membros posteriores são visivelmente mais longos que os anteriores, o que lhe confere uma locomoção altamente eficiente baseada em saltos rápidos. Difere das lebres por exibir orelhas proporcionalmente mais curtas, medindo entre 6 e 8 centímetros, as quais não apresentam a extremidade preta característica daquele grupo. Seus olhos grandes estão posicionados lateralmente, proporcionando um campo visual de quase 360 graus que ajuda na detecção precoce de predadores, e sua cauda curta possui a face inferior branca, servindo como um sinal visual de alerta.
Distribuição geográfica: Originário da Península Ibérica (atuais territórios de Espanha e Portugal) e do noroeste da África. No entanto, por meio de sucessivas introduções antropogênicas ao longo da história, espalhou-se de forma bem-sucedida por quase todos os continentes, exceto a Antártida. Destacam-se as introduções no Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, América do Sul (especialmente no Chile e no sul da Argentina) e em diversas áreas da América do Norte. Em muitos destes locais introduzidos, é classificado atualmente como uma das espécies exóticas invasoras mais prejudiciais à integridade ecológica.
Ambiente: Apresenta grande flexibilidade adaptativa, colonizando prioritariamente regiões temperadas dotadas de solos secos, arenosos e profundos que facilitem a escavação de seus sistemas subterrâneos. É encontrado com frequência em matagais mediterrâneos, pastagens, campos agrícolas, clareiras florestais, dunas costeiras e inclusive em parques urbanos e áreas periféricas. Evita florestas muito densas, terrenos com rochas expostas ou locais com lençóis freáticos muito elevados que impeçam a abertura de galerias secas e estáveis.
Alimentação: Classifica-se como um herbívoro generalista e oportunista, consumindo uma vasta gama de recursos vegetais. Sua dieta diária inclui gramíneas, leguminosas, folhas, raízes, brotos e, em períodos de seca ou inverno rigoroso, a casca de arbustos e árvores jovens. Realiza o processo de cecotrofia, uma adaptação fisiológica essencial que consiste na ingestão direta das primeiras fezes moles (cecotrofo) produzidas no ceco, permitindo ao animal reabsorver proteínas, aminoácidos e vitaminas do complexo B produzidas pela flora bacteriana intestinal.
Comportamento: Demonstra hábitos predominantemente crepusculares e noturnos para evitar o assédio de predadores diurnos. Trata-se de uma espécie social que habita em colônias organizadas hierarquicamente dentro de uma rede de túneis conhecida como luras. O território é demarcado ativamente pelos machos dominantes através de secreções de glândulas mentonianas, urina e fezes acumuladas. Quando percebe uma ameaça iminente, o indivíduo bate fortemente com as patas traseiras no solo, emitindo um sinal vibratório e sonoro que alerta os demais membros do grupo antes de correr em direção ao abrigo.
Reprodução: Destaca-se por uma capacidade reprodutiva extraordinária, podendo se reproduzir ao longo de todo o ano caso as condições climáticas e nutricionais sejam favoráveis, com pico durante a primavera e o verão. Após uma gestação de aproximadamente 30 dias, a fêmea dá à luz uma ninhada que varia de 3 a 9 filhotes (láparos). O parto ocorre em uma câmara específica no fundo da galeria, forrada com grama seca e pelos que a mãe retira do próprio peito. Os filhotes nascem altriciais, ou seja, cegos, surdos e sem pelos. Eles abrem os olhos por volta dos 10 dias de vida, são desmamados com quatro semanas e atingem a maturidade sexual entre os 3 e 4 meses.
Categoria de conservação: Varia substancialmente dependendo da região geográfica considerada. Em sua área de distribuição nativa (na Península Ibérica), a espécie está listada como Em perigo (EN) pela Lista Vermelha da UICN devido ao declínio drástico causado por patógenos como a mixomatose e a doença hemorrágica viral, além da perda de habitat. Em contrapartida, nas regiões onde foi introduzido artificialmente, é considerado uma praga agrícola e ecológica de difícil controle, sendo alvo de severas medidas de manejo populacional.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 08/09/2026