Apresenta um ciclo de vida extraordinário caracterizado por uma das mais notáveis adaptações evolutivas entre os insetos: a construção de abrigos móveis individuais. Esta espécie exibe um dimorfismo sexual extremo e uma morfologia única adaptada à sobrevivência em ambientes diversos. As fêmeas adultas são ápteras, ápodes e desprovidas de órgãos sensoriais complexos, mantendo um aspecto neotênico e vermiforme, passando a totalidade de suas vidas reclusas no interior do seu casulo. Já os machos são mariposas de voo rápido e hábitos crepusculares, com asas translúcidas de coloração escura, corpo robusto recoberto por cerdas densas e envergadura alar que varia entre 35 e 45 milímetros. O elemento mais característico e diagnóstico deste táxon é o estojo larval, uma estrutura fusiforme extremamente resistente tecida com seda e camuflada externamente com fragmentos de folhas, pequenos gravetos e cascas de plantas, que pode medir de 5 a 10 centímetros de comprimento.
Caracteriza-se por uma morfologia especializada voltada para a defesa contra intempéries e predadores. A fêmea adulta assemelha-se a uma lagarta esbranquiçada e macia, sem apêndices locomotores. O macho possui asas desprovidas de escamas na maior parte de sua extensão, o que lhe confere um aspecto vítreo, e um abdômen altamente móvel. O casulo, vulgarmente conhecido como "bicho-do-cesto", é uma estrutura robusta de seda densa que oferece excelente isolamento térmico e físico à lagarta e à pupa durante o seu desenvolvimento.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuído pela porção meridional da América do Sul. É um inseto nativo e abundante em áreas temperadas e subtropical de países como a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e as regiões sul e sudeste do Brasil.
Ambiente: Ocupa uma enorme variedade de habitats terrestres devido à sua impressionante plasticidade ecológica. É comumente avistado tanto em florestas nativas e matas ciliares quanto em ecossistemas severamente modificados pela atividade humana, tais como reflorestamentos comerciais, pomares de árvores frutíferas, parques urbanos e jardins residenciais.
Alimentação: Apresenta hábitos alimentares marcadamente polífagos durante o seu estágio larval, sendo capaz de consumir o tecido foliar de mais de uma centena de famílias de plantas hospedeiras. Dentre suas plantas preferidas, destacam-se espécies de coníferas do gênero Cupressus, salgueiros do gênero Salix, álamos do gênero Populus, eucaliptos do gênero Eucalyptus, além de plantas frutíferas como citros e pessegueiros, o que o torna uma praga agrícola de considerável impacto econômico. Os adultos apresentam aparelho bucal atrofiado e não se alimentam.
Comportamento: Destaca-se pelo seu comportamento sedentário e pela constante manutenção e transporte de seu casulo protetor. A lagarta realiza todas as suas atividades de locomoção e alimentação projetando apenas a cabeça esclerosada e as pernas torácicas para fora da abertura superior do estojo. Ao atingir a maturidade para a pupação, a lagarta fixa a extremidade superior do casulo a um ramo firme da planta hospedeira utilizando um anel de seda extremamente resistente. Os machos são voadores ágeis e de vida curta, emergindo do casulo com a única função de encontrar fêmeas para o acasalamento.
Reprodução: O processo reprodutivo ocorre sob condições de restrição física severa para a fêmea. Como ela nunca abandona o seu estojo protetor, atrai os machos por meio da liberação de potentes feromônios sexuais. O macho pousa sobre o casulo e introduz seu abdômen telescópico e flexível pela abertura inferior para realizar a cópula. Após a fertilização, a fêmea realiza a postura de centenas de ovos amarelados dentro do próprio casulo, misturados com escamas do seu corpo, e morre logo em seguida. As lagartas recém-eclodidas emergem e dispersam-se rapidamente produzindo longos fios de seda que são levados pelo vento, um processo de dispersão aérea passiva denominado ballooning.
Categoria de conservação: Não foi formalmente avaliado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Tratando-se de uma espécie generalista, com ampla distribuição geográfica, alta capacidade de colonização de áreas antropizadas e frequentemente abundante a ponto de ser classificada como praga, suas populações permanecem estáveis e sem ameaças de conservação.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 10/08/2026