Apresenta um aspecto robusto e arredondado, caracterizado por uma cabeça larga e curta com um focinho acentuadamente arredondado. Este anfíbio de porte médio atinge comprimentos corporais que variam entre 45 e 75 milímetros nos adultos, apresentando fêmeas geralmente maiores do que os machos. Sua pele é bastante rugosa e coberta por glândulas verrugosas proeminentes que secretam substâncias de defesa química contra predadores. O padrão de coloração dorsal é amplamente variável, exibindo tons de marrom, cinza ou pardo-amarelado com manchas escuras simétricas e de contornos irregulares, frequentemente divididas por uma linha vertebral clara de cor creme ou amarelada. Os olhos são salientes, com pupilas horizontais e íris de coloração acobreada. Nas patas traseiras, exibe um tubérculo metatarsal interno muito desenvolvido, queratinizado e de coloração escura, que funciona como uma pá altamente eficiente para escavação. Uma característica evolutiva notável desta espécie é a sua condição de tetraploide ($4n = 44$ cromosomas), sendo um dos poucos vertebrados que compartilham essa particularidade genética.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuído no Cone Sul da América do Sul. Sua ocorrência está registrada em grande parte da Argentina (desde as províncias do norte até o norte da Patagônia), no sul do Brasil (estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), além de todo o território do Uruguai e nas regiões central e sul do Paraguai. Sua distribuição altitudinal estende-se desde o nível do mar até aproximadamente 2000 metros de altitude nas serras centrais argentinas.
Ambiente: Habita principalmente biomas abertos, tais como campos sulinos, savanas semiáridas, estepes arbustivas, áreas de cultivo agrícola e pastagens alteradas pela atividade pecuária. Demonstra uma grande plasticidade ecológica, adaptando-se bem a ambientes antropizados, desde que existam solos arenosos ou de textura solta que possibilitem seu comportamento de escavação, além de corpos de água temporários para a sua reprodução.
Alimentação: Sua dieta é essencialmente carnívora e insetívora, comportando-se como um predador oportunista do tipo "senta e espera". Alimenta-se de uma ampla gama de invertebrados terrestres, com destaque para coleópteros (besouros), himenópteros (formigas), aracnídeos, miriápodes, ortópteros e larvas de diversos insetos, além de minhocas. Sua língua bifurcada e pegajosa permite a captura rápida de presas em movimento.
Comportamento: Apresenta hábitos predominantemente fossoriais e noturnos. Durante os períodos de estiagem ou frio intenso, permanece enterrado a vários centímetros sob o solo, utilizando seu tubérculo metatarsal especializado para cavar de costas. Emerge à superfície principalmente durante o crepúsculo e a noite, especialmente após fortes chuvas sazonais que encharcam a terra. Sua locomoção é lenta, baseada em saltos curtos, confiando fortemente em sua camuflagem críptica para evitar o ataque de predadores.
Reprodução: É um reprodutor do tipo explosivo que sincroniza sua atividade reprodutiva com o início das primeiras chuvas volumosas da primavera e do verão. Os machos reúnem-se em poças temporárias, campos alagados ou valas de drenagem para emitir um canto de anúncio grave e persistente que atrai as fêmeas. O acasalamento ocorre por meio de amplexo axilar. A fêmea realiza a postura de milhares de ovos pequenos e pigmentados em massas gelatinosas aderidas à vegetação submersa ou depositadas diretamente no fundo lodoso. O desenvolvimento embrionário e larval é extremamente rápido, uma adaptação vital para garantir a metamorfose dos girinos antes que os corpos de água temporários sequem.
Categoria de conservação: Está classificada globalmente como Pouco Preocupante (LC) de acordo com a Lista Vermelha da UICN, devido à sua ampla área de distribuição e à estabilidade demográfica de suas populações. No entanto, em âmbito local, enfrenta ameaças crescentes decorrentes da perda de habitat provocada pela expansão agrícola intensiva, contaminação de mananciais por pesticidas e fragmentação das paisagens naturais.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 29/08/2026