Trata-se de uma ave caprimulgiforme de médio porte, medindo entre 33 e 38 centímetros de comprimento e pesando entre 145 e 202 gramas. A característica taxonômica mais evidente deste animal é a sua plumagem altamente críptica, que apresenta um intrincado padrão cinzento salpicado de tons de marrom, preto, cinza e bege, simulando com extrema precisão a textura da casca de troncos secos. Apresenta uma cabeça grande com um bico proporcionalmente muito curto, porém dotado de uma garganta com abertura bucal extraordinariamente ampla. Seus olhos grandes possuem uma íris de cor amarela ou alaranjada muito marcante; as pálpebras superiores contam com duas fendas milimétricas que funcionam como um "olho mágico", permitindo que a ave observe seus arredores em busca de ameaças sem precisar abrir os olhos ou revelar sua presença.
Distribuição geográfica: Apresenta uma ampla distribuição geográfica pela região neotropical. Sua área de ocorrência estende-se desde o sul do México e pela América Central (incluindo nações como Costa Rica, Nicarágua e Panamá) até a maior parte da América do Sul, englobando Colômbia, Venezuela, Guianas, Equador, Peru, Bolívia, quase todo o território de Brasil, Paraguai, estendendo-se até o norte da Argentina e o Uruguai.
Ambiente: Habita preferencialmente áreas de bordas de florestas, matas ciliares, cerrados, caatingas, capoeiras, savanas arborizadas, reflorestamentos e áreas verdes suburbanas que disponham de árvores maduras. É um táxon que evita o interior de florestas tropicais densas e contínuas, beneficiando-se de ambientes abertos ou semiabertos onde possa encontrar poleiros secos expostos para facilitar sua tática de caça e sua camuflagem diurna. Ocorre desde o nível do mar até altitudes de cerca de 1900 metros.
Alimentação: Sua dieta é exclusivamente insetívora, focada no consumo de macroinvertebrados voadores de atividade crepuscular e noturna. Entre os itens alimentares preferenciais destacam-se grandes besouros (Coleoptera), mariposas (Lepidoptera), cupins alados, percevejos e gafanhotos. Utiliza uma estratégia de caça do tipo "senta-e-espera", na qual permanece imóvel em um poleiro alto e limpo para detectar a passagem de presas; em seguida, realiza voos curtos, rápidos, silenciosos e acrobáticos para capturar o inseto em pleno ar com sua enorme boca, retornando logo após ao mesmo ponto de apoio para realizar a ingestão.
Comportamento: É um animal de hábitos estritamente noturnos e crepusculares, que passa o dia em repouso absoluto. Durante o período diurno, adota uma posição vertical estática, conhecida como "postura de camuflagem", mantendo o pescoço esticado e o bico apontado para cima em um ângulo de 45 graus, fundindo-se visualmente com o topo de galhos quebrados ou troncos mortos. Ao anoitecer, torna-se ativo e emite seu canto característico, uma sequência de assobios melancólicos e decrescentes de cinco a oito notas, amplamente associada a lendas do folclore regional brasileiro, onde é popularmente chamado de mãe-da-lua ou urutau.
Nidificação: Esta espécie não constrói ninhos nem transporta nenhum material para fins de procriação. A fêmea realiza a postura de um único ovo diretamente sobre uma reentrância natural, fenda ou depressão rasa localizada no topo de um galho quebrado ou tronco vertical seco, geralmente situado a uma altura entre 3 e 15 metros do solo. O ovo é branco com manchas e estrias em tons de marrom e cinza-azulado. A incubação dura de 30 a 33 dias e é compartilhada por ambos os sexos; o macho incuba predominantemente durante o dia, aplicando a camuflagem rígida, enquanto a fêmea assume durante a noite. O filhote nasce recoberto por uma penugem branca e permanece estático na mesma fenda ao lado dos pais, simulando um fungo ou pedaço de madeira até completar o desenvolvimento e voar, o que ocorre por volta dos 40 a 50 dias de vida.
Categoria de conservação: Está classificado na categoria de Pouco Preocupante (LC) de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Suas populações são consideradas globalmente estáveis devido à sua vasta distribuição geográfica e à sua relativa tolerância a ambientes alterados pelo homem. No entanto, enfrenta ameaças em nível local devido à perda de hábitat causada pelo desmatamento, à redução das populações de insetos pelo uso intensivo de defensivos agrícolas e à caça ou perseguição motivada por lendas urbanas e superstições infundadas relacionadas ao seu canto noturno.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 26/07/2026