O jacu-estalo-de-bico-verde (nome científico: Neomorphus geoffroyi), também conhecido como taiaçuíra, tajaçuíra, acanati, acanatique, acunati, aracuão, jacu-molambo, jacu-porco e mãe-de-porco, é uma ves cuculiforme, da família dos cuculídeos (Cuculidae). É encontrado em florestas primárias úmidas do sul da Nicarágua, passando pela Costa Rica e Panamá, até o noroeste da Colômbia. Outra população ocorre no oeste e sul da Bacia Amazônica do sudeste da Colômbia, leste do Equador, leste do Peru, norte da Bolívia e Brasil, enquanto uma população final ocorre na Mata Atlântica do leste do Brasil. Existe muita confusão sobre os limites exatos de sua distribuição no centro-sul da Amazônia, onde ocorre o o muito semelhante jacu-estalo-escamoso (Neomorphus squamiger; as marcas de peito normalmente usadas para separar o jacu-escalo-escamoso e o jacu-estalo-de-bico-verde são conhecidas por variar clinicamente). Consequentemente, o jacu-escalo-escamoso tem sido frequentemente considerado uma subespécie do jacu-estalo-de-bico-verde.
Etimologia: Taiaçuíra e tajaçuíra, segundo Antenor Nascentes, vêm do termo tupi taiasu´wira (que por sua vez derivou do tupi gwï´ra, "ave"), que significa "ave porco-do-mato". Foi registrado pela primeira vez em 1911 sob a forma taiassú-uirá antes de assumir a grafia atual. Diz respeito à semelhança do som produzido pelo jacu-estalo-de-bico-verde e a queixada (Tayassu pecari). Acunati, acanati e acanatique derivam do tupi akã ("cabeça") e atê ("pontudo, aguçado"), significando "ave [que] tem cocuruto". Seu primeiro registro foi em 1911 com acanatic. Aracuão ou aracuã, por sua vez, advêm do tupi ara´kwã; foram registrados como aracoá em 1587, aracoã em 1594, haracoa em 1618, acaruaãs em 1728, araquans em 1730, aracuan em 1777, araraquans em 1782 e finalmente acaruãs em 1928. Molambo, do vernáculo jacu-molambo, originou-se no quimbundo mulambo, que significa "pano atado entre as pernas". Por fim, jacu deriva do tupi ya´ku no sentido de "ave galiforme da família dos cracídeos". De acordo com Rodolfo Garcia, significa "o que come grãos" e derivou de y ("aquele, o que"), a ("fruto, grão") e cu ("comer, tragar"). Foi registrado em 1576 como jacús, em 1594 como jacu, em 1618 como jaqu e em 1648 como jacij.
O jacu-estalo-de-bico-verde mede 48 centímetros e pesa em média 350 gramas. É um grande pássaro que vive no solo com pernas robustas e uma cauda longa. Possui cabeça marrom, crista marrom-esverdeada e bico curvo. As partes superiores e a cauda são escuras com uma iridescência esverdeada, azulada ou arroxeada, e as partes inferiores são esbranquiçadas a castanho-claras. As subespécies variam principalmente nos detalhes do padrão do peito e da coroa, e na cor da cauda e das asas. A íris é marrom e o bico é verde-amarelado opaco e cinza na base. Sua pele orbital é cinza ardósia. Há grande variação na faixa escura do peito, o que dificulta a fácil separação do jacu-estalo-escamoso. Consequentemente, o último é comumente considerado como uma subespécie do primeiro.
Alimentação: O jacu-estalo-de-bico-verde alimenta-se de grandes insetos, aracnídeos, miriápodes, sapos e lagartos. Comumente segue as formigas de correição para caçar presas que fogem delas.
Conservação: Como outras espécies do gênero Neomorphus, o jacu-estalo-de-bico-verde geralmente é altamente discreto e raramente visto. Embora em geral improvável de ser ameaçada devido à sua grande variedade, uma subespécie, a nominada (da Bahia, Brasil; syn. maximiliani), pode estar extinta, e outra, dulcis (do Rio de Janeiro e Espírito Santo, Brasil), é muito rara e provavelmente ameaçada. As subespécies restantes são salvini da América Central e noroeste da Colômbia, aequatorialis do noroeste da Bacia Amazônica, australis do sudoeste da Bacia Amazônica e amazonicus do sudeste da Bacia Amazônica.
No geral, o jacu-estalo-de-bico-verde é listado na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN) como "vulnerável". Além da degradação do habitat, nenhuma ameaça específica foi identificada e a ave tem uma ampla variedade e uma população presumivelmente grande. A tendência populacional provavelmente será decrescente, mas não a um ritmo que justifique colocar esta ave em uma categoria mais ameaçada. Em 2005, foi listado como criticamente em perigo na Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo; em 2010, como em criticamente em perigo na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais; em 2014, como vulnerável na Portaria MMA N.º 444 de 17 de dezembro de 2014; e em 2018, como vulnerável no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e possivelmente extinto na Lista das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Estado do Rio de Janeiro.