A
urundeúva (
Myracrodruon urundeuva, classificada anteriormente como
Astronium juglandifolium e
Astronium urundeuva) é também conhecida como
aroeira,
aroeira-preta,
aroeira-do-sertão,
uriunduba,
aroeira-do-campo e
aroeira-da-serra. A partir do ano de 2019 a espécie saiu da lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais a qual é citada como
Astronium urundeuva. No estado de São Paulo, no Brasil, ocorre em ecótonos com vegetação de cerrado na floresta estacional semidecidual do noroeste e na decidual de transição, estando na lista oficial das espécies ameaçadas naquele estado, na categoria VU (vulnerável). Suas flores são insignificantes, se reunindo em grandes inflorescências. Seu fruto é uma pequena noz, encimada por um cálice que se parece com um paraquedas.
É nativa da caatinga e do cerrado, desde o estado do Ceará até o estado do Paraná, no Brasil. Encontrada também na Argentina, Paraguai e Bolívia. Embora os dados sejam insuficientes, a urundeúva é superexplorada devido a sua madeira resistente e agrupamentos dessa árvore, que antigamente era dominante na caatinga, estão desaparecendo. A madeira da urundeúva contém tanino, é pardo-avermelhada, dura e imputrescível, própria para ser usada em obras externas, como dormentes de linhas férreas, postes e na construção civil. Além disso, possui propriedades anti-inflamatória e cicatrizante. Essa planta é usada tradicionalmente na região da Caatinga para o tratamento de mulheres no período pós-parto.
Etimologia: Urundeúva, urindeúva, uriunduba provêm do tupi antigo
urende´yba, pé de urendé, elemento não identificado. Todavia, em Brandão, encontramos a grafia orendeúba, iniciando com a letra "o", o que explicaria o nome do município de Orindiúva (SP).
Características gerais: - Forma de vida: árvore
- Altura: 6 a 14 metros no Cerrado e na Caatinga; 20 a 25 metros em floresta latifoliada semidecídua. Tronco de 50 a 80 centímetros de diâmetro.
- Solo: terrenos secos e rochosos (caatinga). Alta exigência por fertilidade no cultivo.
- Ciclo de vida: perene, acima de 20 anos. Velocidade de crescimento moderada, atingindo 10,5 metros de altura aos 9 anos.
- Exigência de luz: heliófita.
- Deciduidade: decídua.
- Necessidade de umidade: seletiva xerófita.
- Período de floração: Cerrado - jan-jul ; Mata Atlântica - jun -jul (jan-jul) ; Pantanal - ago a set; Caatinga - jun - set.
- Período de frutificação: Cerrado - set-out ; Mata Atlântica - jul - set (set-out) ; Pantanal - set a out; Caatinga - ago - out.
- Grupo sucessional ou grupo ecológico: pioneira.
- Estrato: alto.
Características morfológicas: - Ritodoma: Possui cor marrom acastanhado, é deiscente (há desprendimento de placas) e seu padrão é lenticelado.
- Ramos e filotaxia: possui a cor verde, sendo indeiscente (nesse caso seus ramos não apresentam desprendimento de placas), com formato canaliculado lenticelas evidentes e filotaxia alterna espiralada.
- Folha e partes da folha: tendo suas folhas compostas e imparipinadas, a Aroeira (urundeúva) possui as seguintes partes das folhas: Pecíolo, raque, peciólulo e folíolo.
- Arquitetura da folha: o seu limbo possui formato ovado, tendo o ápice agudo, base arredondada, margem (bordo) cerrado e a secção transversal do pecíolo é canaliculado.
- Nervação: o seu perfil de nervura primária central é impresso côncavo e o seu padrão de nervação é pinado, sendo tipo semi-craspedódroma e suas nervações secundárias quanto as categorias de espaçamento são irregulares, suas nervuras terciárias são reticuladas.
- Informações adicionais: cheiro de manga ao amassar a folha, látex ao destacar a folha.
Ocorrência: - Origem: nativa do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia.
- Distribuição geográfica: Norte (Acre, Rondônia, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo), Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina).
- Domínios fitogeográficos: Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal.
- Tipos de vegetação: Área Antrópica, Caatinga (stricto sensu), Campo Limpo, Campo Rupestre, Carrasco, Cerrado (lato sensu), Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual.
Plantio: - Tipos de plantio: semeadura direta ou por mudas.
- Espaçamento: 2x2m ou 4x4m.
- Obtenção e beneficiamento de sementes: colher os frutos diretamente da árvore quando iniciarem a queda espontânea. Não é possível separar as sementes dos frutos, sendo necessário semeá-los inteiros. Viabilidade em armazenamento inferior a 5 meses.
- Produção de mudas: as sementes devem ser colocadas para germinar em substrato arenoso enriquecido com matéria orgânica. Não é necessário tratamento. A emergência de plântulas ocorre em 8 a 18 dias. Taxa de germinação superior a 80%. Mudas com rápido desenvolvimento inicial.
Manejo: - Requer poda de ramos laterais para formação de fuste (pode ser minimizado com plantio misto de alta densidade).
- Idade para poda apical em sistemas agroflorestais: 10 anos.
- Não é boa produtora de biomassa.
Colheita: - Tempo para colheita da madeira: 8 a 10 anos (para mourões de cerca); 15 a 20 anos (para postes e dormentes de trilhos).
Usos e funções: - A madeira é extremamente densa e durável, podendo resistir mais de cem anos ao ar livre sem tratamento. Utilizada em construções externas, internas, móveis, cercas. Também possui boa qualidade para carvão e lenha. O valor da madeira em pé é de R$136,60 a R$570,00 o m³ (valores estimados em 2014/2015).
- A árvore é indicada para arborização em geral, apresentando, porém, o inconveniente de poder provocar reações alérgicas a pessoas sensíveis.
- Atração de fauna e polinizadores.
- Potencial medicinal.
- Outros usos: forrageiro, resina, tanífero, cultural/ritualistico.