É um dos mamíferos semiaquáticos mais característicos das áreas úmidas da América do Sul e um habitante frequente de lagoas, banhados, brejos, rios de corrente lenta e outros ambientes de água doce. Myocastor coypus é um roedor de porte médio a grande, com corpo robusto e alongado, especialmente adaptado para a locomoção tanto em terra quanto na água. Sua pelagem é densa e formada por pelos externos longos e ásperos que protegem um abundante subpelo macio e impermeável, adaptação fundamental para a manutenção da temperatura corporal em ambientes aquáticos. A coloração geral varia entre castanho-escuro, castanho-avermelhado e castanho-acinzentado, sendo geralmente mais clara na região ventral. A cabeça é relativamente grande, com olhos pequenos, orelhas curtas e focinho dotado de numerosas vibrissas sensoriais. Uma de suas características mais marcantes é a presença de grandes incisivos de coloração alaranjada intensa, cuja tonalidade resulta da presença de compostos de ferro no esmalte dentário. As patas traseiras são longas e possuem membranas interdigitais bem desenvolvidas, proporcionando excelente capacidade de natação. A cauda é cilíndrica, relativamente longa e pouco coberta por pelos. Machos e fêmeas apresentam aparência semelhante, embora os machos geralmente atinjam tamanhos ligeiramente maiores. Uma adaptação notável das fêmeas é a posição elevada das mamas ao longo dos flancos, permitindo que os filhotes mamem mesmo quando a mãe permanece parcialmente submersa.
Distribuição geográfica: A espécie é nativa do centro e sul da América do Sul. Sua distribuição natural abrange grande parte da Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, sul do Brasil e áreas da Bolívia. Dentro dessa ampla área ocupa diversos sistemas de áreas úmidas, desde regiões temperadas até ambientes subtropicais. Em razão do valor comercial histórico de sua pele, foi introduzida em várias regiões da América do Norte, Europa, Ásia e África, onde estabeleceu populações silvestres em muitos locais. Em alguns desses países tornou-se uma espécie invasora capaz de causar impactos ecológicos significativos. Em sua área de ocorrência natural, entretanto, continua sendo um componente importante e relativamente comum dos ecossistemas aquáticos.
Ambiente: Habita principalmente lagoas, banhados, brejos, pântanos, riachos, canais, reservatórios e rios de corrente lenta, especialmente aqueles com abundante vegetação aquática e marginal. Demonstra preferência por ambientes dominados por juncos, taboas e outras formações vegetais densas que oferecem alimento, abrigo e locais adequados para reprodução. Também pode ocupar corpos d’água artificiais criados por atividades humanas, desde que exista cobertura vegetal suficiente. O acesso permanente à água constitui um dos fatores mais importantes para sua sobrevivência e distribuição.
Alimentação: É um mamífero predominantemente herbívoro, especializado no consumo de vegetação aquática e ribeirinha. Sua dieta inclui folhas, caules, raízes, brotos, rizomas e outras partes tenras de diversas espécies vegetais. Juncos, taboas, gramíneas e numerosas plantas emergentes de áreas úmidas são consumidos com frequência. Em determinadas regiões também pode alimentar-se de cultivos agrícolas próximos a corpos d’água. Embora existam registros ocasionais de ingestão de pequenos invertebrados, a matéria animal representa apenas uma parcela insignificante da alimentação. A atividade alimentar ocorre principalmente ao entardecer e durante a noite, embora indivíduos possam permanecer ativos ao longo do dia em áreas pouco perturbadas.
Comportamento: Apresenta hábitos principalmente semiaquáticos, crepusculares e sociais. É excelente nadador e mergulhador, capaz de permanecer submerso por vários minutos quando ameaçado. Normalmente vive em grupos familiares compostos por um casal reprodutor e filhotes de diferentes idades. Costuma utilizar trilhas bem definidas entre áreas de alimentação e corpos d’água, formando passagens visíveis na vegetação. Pode construir plataformas de alimentação e descanso utilizando plantas aquáticas, além de utilizar tocas escavadas em barrancos e margens. A comunicação envolve vocalizações, marcações olfativas e posturas corporais utilizadas para manter a coesão social e alertar sobre possíveis perigos.
Reprodução: Possui elevada capacidade reprodutiva e pode reproduzir-se durante grande parte do ano, especialmente em regiões com condições ambientais favoráveis. O período de gestação dura aproximadamente entre 125 e 140 dias, sendo um dos mais longos entre os roedores. As ninhadas geralmente são compostas por quatro a seis filhotes, embora possam ocorrer números maiores ou menores dependendo das condições locais. Os recém-nascidos apresentam elevado grau de desenvolvimento, nascendo com pelagem completa, olhos abertos e capacidade de locomoção e natação pouco tempo após o nascimento. As fêmeas fornecem cuidados intensivos durante as primeiras semanas de vida, enquanto os jovens aprendem gradualmente a alimentar-se sozinhos e a utilizar os ambientes aquáticos. Em condições favoráveis, mais de uma ninhada pode ser produzida por ano.
Categoria de conservação: Em nível global encontra-se classificada como Pouco Preocupante (LC) devido à ampla distribuição geográfica, capacidade de adaptação e abundância em grande parte de sua área de ocorrência natural. Entretanto, algumas populações locais podem ser afetadas pela degradação de áreas úmidas, poluição da água, alterações hidrológicas e pressão de caça. A conservação de lagoas, banhados, brejos e outros ambientes úmidos é fundamental para garantir a manutenção da espécie e das diversas comunidades biológicas associadas a esses ecossistemas. Curiosamente, enquanto faz parte natural da biodiversidade em sua área nativa, é considerada uma espécie invasora que requer medidas de controle em diversos países onde foi introduzida.
Autor desta compilação: EcoRegistros – 21/06/2026