O termo
buriti é a designação comum das plantas dos gêneros
Mauritia,
Mauritiella,
Trithrinax e
Astrocaryum, da família das arecáceas (antigas palmáceas). No Rio Grande do Sul o buriti nomina especificamente Trithrinax brasiliensis, uma espécie de palmeira raríssima que só existe neste estado da federação. No entanto, em outros lugares, o termo buriti costuma se referir a
Mauritia flexuosa (
Mauritia vinifera Mart.), uma palmeira muito alta, nativa de Trinidad e Tobago e das Regiões Central e Norte da América do Sul, especialmente de Venezuela e Brasil. Neste país, predomina nos estados do Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Amazonas, Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí, mas também encontra-se nos estados do Ceará, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. É também conhecida como
coqueiro-buriti,
buritizeiro,
miriti,
muriti,
muritim,
muruti,
palmeira-dos-brejos,
carandá-guaçu e
carandaí-guaçu.
Etimologia: "Buriti", "miriti", "muriti", "muritim" e "muruti" provêm do tupi
moretĩ. "Carandá" provém do tupi
karaná.
Utilização: Seu fruto, além de rico em vitamina A, B e C, ainda fornece cálcio, ferro e proteínas. Consumido tradicionalmente ao natural, o fruto do buriti também pode ser transformado em doces, sucos, picolé, licor, vinho, sobremesas de paladar peculiar e ração de animais. O óleo extraído da fruta é rico em caroteno e tem valor medicinal para os povos tradicionais do Cerrado que o utilizam como vermífugo, cicatrizante e energético natural. Também é utilizado para amaciar e envernizar couro, colorir e aromatizar diversos produtos de beleza, como cremes, xampus, filtro solar e sabonetes.
Bioindicador: O buriti também é um bioindicador de dois tipos de fitofisionomias que se chamam veredas e buritizal.
Outros usos: O buriti fornece, ainda, palmito saboroso, fécula, seiva e madeira. As folhas jovens produzem uma fibra muito fina, a "seda" do buriti, usada pelos artesãos na fabricação de peças de capim-dourado. Na região dos Lençóis Maranhenses nos municípios de Barreirinhas e Paulino Neves o artesanato feito por mulheres em vários povoados. A folha jovem, conhecida como "olho do buriti" ou "linho do buriti", possui uma fibra, que é transformada no artesanato de bolsas, tapetes, toalhas de mesa, brinquedos, bijuterias, redes, cobertura de teto, cordas etc. O talo das folhas se presta ainda à fabricação de móveis, que se destacam pela leveza e durabilidade. O caule e as flores são utilizadas na fabricação do vinho de buriti.. A madeira é utilizada na construção do instrumento musical viola de buriti. Além disso, a seiva da palmeira de buriti é açucarada sendo possível extrair sacarose cristalizada. Além do uso tradicional em artesanato e da exploração do fruto, as fibras das folhas do buriti apresentam alto teor de celulose e baixo teor de lignina, características favoráveis para aplicações em papel, têxteis e extração de nanocelulose no contexto de bioeconomias amazônicas.
Importância ecológica: O buriti é de grande importância na manutenção de olhos d´água. Em locais em que olhos d´água estão secando, recomenda-se o plantio de buritis, além do de ingazeiros e sangra-d´água, entre outras árvores, para recuperá-los.
Galeria: Ver também: - Viola de buriti
- Óleo de buriti
- Óleo de açaí
- Óleo de pracaxi
- Óleo de coco babaçu
- Óleo da polpa do tucumã