Apresenta um corpo esguio e de tamanho moderadamente pequeno, atingindo comprimentos que variam entre 45 e 65 centímetros de comprimento total, sendo as fêmeas adultas ligeiramente maiores e mais encorpadas que os machos. A coloração dorsal de fundo varia entre tons de marrom-amarelado, cinza ou verde-oliva, adornada por um padrão complexo de barras transversais escuras ou manchas pretas que podem se fundir em listras longitudinais na região anterior do tronco. A cabeça possui um desenho característico composto por duas faixas pós-oculares pretas bem definidas que se estendem em direção ao pescoço. A região ventral exibe uma coloração creme ou amarela clara, por vezes salpicada com pequenos pontos escuros nas margens externas das escamas ventrais. Possui escamas dorsais lisas organizadas em 19 fileiras no meio do corpo e placa anal dividida.
Distribuição geográfica: Encontra-se amplamente distribuída nas ecorregiões do Cone Sul da América do Sul, com registros consolidados no centro e norte da Argentina (abrangendo províncias como Buenos Aires, Córdoba, Santa Fe, Entre Ríos e Corrientes), em todo o território do Uruguai e na porção meridional do Brasil, especificamente no estado do Rio Grande do Sul.
Ambiente: Habita preferencialmente ecossistemas abertos e com elevado teor de umidade, estando intimamente vinculada a campos úmidos, banhados, pântanos, margens de lagoas, riachos e áreas inundáveis associadas aos biomas do Pampa e do Espinal. Demonstra também uma notável capacidade de adaptação a ambientes modificados pela ação antrópica, colonizando pastagens cultivadas, plantações agrícolas e cinturões suburbanos que conservem corpos d´água temporários ou permanentes.
Alimentação: Possui hábitos alimentares estritamente carnívoros, atuando como uma predadora ativa especializada na captura de pequenos vertebrados. Sua dieta é composta majoritariamente por anfíbios anuros (rãs e sapos dos gêneros Leptodactylus, Rhinella e Physalaemus), consumindo tanto indivíduos adultos quanto juvenis. Ocasionalmente, complementa sua alimentação predando de forma oportunista pequenos lagartos, peixes de águas rasas e, raramente, filhotes de roedores ou invertebrados terrestres.
Comportamento: Apresenta atividade predominantemente diurna e hábitos terrestres, embora revele excelentes habilidades semiaquáticas, deslocando-se com extrema facilidade em ambientes alagados e vegetação aquática densa. É uma forrageadora ativa que inspeciona minuciosamente o solo e o folhiço em busca de presas. Quando se sente ameaçada, adota táticas defensivas que incluem o achatamento dorsoventral do corpo para parecer maior, fuga rápida em direção à água ou vegetação densa, e a liberação de uma secreção fétida pelas glândulas cloacais; é uma espécie completamente inofensiva e desprovida de peçonha.
Reprodução: Trata-se de uma espécie estritamente ovípara, com o período de cópula ocorrendo durante os meses quentes da primavera (setembro a novembro). As fêmeas grávidas realizam posturas de 4 a 15 ovos de casca flexível, depositando-os em locais úmidos e protegidos, como sob troncos caídos em decomposição, acúmulos de folhiço ou fendas no solo. O período de incubação dura de 60 a 80 dias, e os filhotes eclodem no final do verão medindo entre 12 e 15 centímetros de comprimento.
Categoria de conservação: Está classificada como de Pouco Preocupante (LC) tanto em âmbito global quanto nas avaliações nacionais de conservação da Argentina, Uruguai e Brasil. Suas populações globais mantêm-se estáveis devido à sua ampla distribuição geográfica e resiliência ecológica; contudo, sofre pressões locais devido ao drenagem de banhados, uso intensivo de defensivos agrícolas nas lavouras e perseguição direta resultante do desconhecimento humano sobre a espécie.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 11/08/2026