É um mamífero carnívoro de porte médio que se destaca pela sua silhueta esguia, focinho pontiagudo e membros proporcionalmente longos. Os adultos pesam entre 4 e 6,5 kg, apresentando um comprimento corporal de 50 a 80 cm, acompanhado por uma cauda extremamente peluda de 30 a 45 cm. A pelagem dorsal exibe uma coloração mesclada de cinza aguti, resultante de faixas alternadas de preto e branco nos pelos de cobertura. Em contrapartida, as faces laterais da cabeça, pescoço e pernas possuem tons amarelados ou avermelhados. Elementos diagnósticos cruciais incluem uma mancha preta marcante no queixo e outra no extremo terminal da cauda, além de uma mancha escura na base dorsal da mesma.
Distribuição geográfica: Apresenta uma ampla distribuição geográfica na porção meridional da América do Sul. Ocorre em quase todo o território da Argentina (estendendo-se até o norte da Patagônia), em todo o Uruguai, no sul do Brasil (especialmente no bioma Pampa, no estado do Rio Grande do Sul), nas regiões central e sul do Paraguai, e nas terras baixas do sudeste da Bolívia.
Ambiente: Habita preferencialmente ecossistemas abertos, como campos nativos, savanas arbustivas e estepes semiáridas, sendo típico do bioma Pampa, do Chaco seco e do Espinal. Demonstra uma extraordinária plasticidade ecológica, adaptando-se com facilidade a paisagens modificadas pelo ser humano, incluindo pastagens cultivadas, áreas agrícolas e silvicultura de espécies exóticas, embora tenda a evitar florestas tropicais densas e contínuas.
Alimentação: Classifica-se como um predador generalista e oportunista com hábitos marcadamente onívoros. Sua dieta varia conforme a sazonalidade e a abundância local de presas, consistindo em uma ampla gama de pequenos mamíferos, principalmente roedores (como os dos gêneros Cavia e Akodon) e lebres europeias introduzidas (Lepus europaeus). Consome também aves, lagartos, anfíbios e uma grande quantidade de insetos (besouros e gafanhotos). A fração vegetal, composta por frutos silvestres e cultivados, constitui uma parte importante de sua nutrição, desempenhando um papel ecológico fundamental como dispersor de sementes.
Comportamento: Exibe hábitos predominantemente crepusculares e noturnos, embora possa aumentar sua atividade diurna em áreas com baixa perturbação humana. É um animal solitário na maior parte do ano, estabelecendo territórios individuais ou de casal que são ativamente defendidos e demarcados quimicamente através de urina e fezes em pontos conspícuos do relevo. Possui uma comunicação vocal complexa, emitindo latidos curtos e agudos e vocalizações de alerta quando se sente ameaçado ou durante a época de acasalamento.
Reprodução: Adota um sistema de acasalamento essencialmente monogâmico, com casais que se associam de forma estável durante o período reprodutivo anual. As cópulas concentram-se no final do inverno e início da primavera, entre os meses de agosto e outubro. Após um período de gestação de 55 a 60 dias, a fêmea dá à luz uma ninhada de 3 a 5 filhotes. Os partos ocorrem no interior de tocas subterrâneas, que podem ser escavadas pelos próprios indivíduos ou apropriadas de outras espécies, como as de tatus e mamíferos fossoriais. Ambos os pais cooperam ativamente no cuidado, proteção e alimentação dos filhotes.
Categoria de conservação: Está classificado globalmente na categoria de Pouco preocupante (LC) de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Contudo, populações locais enfrentam ameaças antropogênicas contínuas, incluindo a fragmentação e perda de habitat decorrentes da expansão da fronteira agrícola, atropelamentos em rodovias, ataques de cães domésticos e a caça retaliatória por falsas crenças de que causam perdas significativas em rebanhos de ovinos e criações de aves domésticas.
Compilação e publicação: EcoRegistros – 31/08/2026